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OPAÍS

As Interferências e Implicações da Religiosidade Bantu na Nova Visão do Desenvolvimento de África

Jornal Opaispor Jornal Opais
21 de Abril, 2023
Em Opinião

O Povo Bantu é um dos mais extensos povos de África. Eles Representamumequivale a um terço da população deste continente.

Localizados sobretudo nasregiõesCentro e Sul, eles albergam aproximadamente, cerca de 300 à 600 grupos étnicos, formando em média mais de 1500 famílias com línguas diferentes.

“A designação Bantu, faz referência a vários povos que têmidiomas, credos, rituais litúrgicos, culinárias, entre outros elementos semelhantes” (diz a AssociaçãoBrasileira de História das Religiões).

Esta semelhança ou unidade cultural, como sublinhou ALTUNA, não determinaque haja uma “uniformidade” em todos os aspectos (uma vez que existemváriasvariantes em África que dificilmente se podem catalogar).

Na visão de ALTUNA (1985, p. 32), estas semelhanças ou essências comuns, manifestam-se nas danças, nas máscaras, no sentido religioso, no modo de vida, nasformas sociais, no destino de seus povos, nas fábulas, nos contos, lendas e mitos…

A Religiosidade Bantu A Religiosidade Bantu é um fenômeno muito complexo.

Sua complexidadeparteexactamente do grande “intercâmbio entre os elementos que regemos mundos visível e invisível” (ALTUNA, 1985).

Isto mostra que não existem margens para separar asactividades normais das espirituais, sendo que nelas, os seres espirituais participameinterferem diretamente nas suas acções e vivências (desde as mais simples como a cozinha e higienização até as mais complexas como o trabalho, a educaçãoeasegurança).

O Deus supremo é conhecido como “Nzambi A-Mpungo”, e é subordinadoporNkisis ou espíritos e pelos os ancestrais.

A religiosidade Bantu é revestida uma por dualidade, onde por umlado, abuscapelo sobrenatural é feita por meio de actividades colectivas ou comunitárias (comoéocaso das cerimónias de iniciação, por exemplo), mediadas por umlíder/chefe, denominado “Kimbanda (na língua Kimbundo)” ou “Soba”, conhecedor dos mistériosmágico-religiosos e dos rituais.

Por outro lado, são feitas igualmente por meiodofamiliarismos ou parentescos, neste caso, o líder seria o patriarca, conhecidocomo “Nganga” (em algumas linguas Bantu), guardião dos segredos da família, o guia, oquefacilita a mediação entre divindades e ancestrais, com os demais membrosdalinhagem, e o que igualmente se encarrega da total segurança ou protecçãodoseugrupo.

A natureza tem um papel activo na religiosidade Bantu, não simplesmenteporquefacilita as suas práticas ritualísticas, mas porque representamdirectamenteasdivindades, ou porque albergam e manisfestam os poderes dos Nkisis – sendoparacada fenômeno natural atribuído a actuação de um deles ( como é o caso daKianda, rainha dos Rios e dos Mares, ou de Kitembo, o Nkisi das Chuvas, tempestade, oudoclima no seu todo).

Os Bantu não estabelecem limites e restrições nas manifestações dassuasreligiosidades.

Eles envolvem o sobrenatural tanto na resolução de problemas(comomorte, guerras, rivalidades, furto, etc.), nas celebrações (casamentos, acordos, aniversários …), nas administrações, trabalhos, curas, artes e emtodos outrosmodosde vida pessoal e social, tanto nas coisas simples, como nas complexas.

Será Que a Religiosidade Bantu Cria Interferências e ImplicaçõesnaNovaVisão do Desenvolvimento de África?

Na visão Bantu (sobretudo do Bantu pré-colonial), o desenvolvimento significavamanter uma estrutura social estável e livre de conflitos, garantir a conservaçãoepreservação das actividades e dos mistérios mágico-religiosos para as futurasgerações, expandir a influência do estado, garantir a vida em comunidade, e permanecerespeito a ancestralidade.

Contudo, esta antiga visão é cada vez mais solapadanaintegração de políticas internas e extras (desde a colonização), que analtecemosavanços científicos e tecnológicos, defendem a separação da religião, tantonasactividades sociais, como igualmente nas económicas e políticas.

Em contrapartida, com uma raiz de religiosidade Bantu milenar, a Áfricavê-seincapaz de adaptar-se aos critérios destas “novas visões de desenvolvimento”, ondenosocialismo retira do Nganga (chefe da família) o papel de educador e mediador, atribuindo ao estado, e no capitalismo “ afasta a intervenção, tanto dos Nkisis, comodos ritos, nas actividades profissionais, e segrega igualmente as actividades colectivas, tornando cada um responsável por sua própria economia e sustento.

Ao passo que crescem em proporções maiores, as iniciativas político- administrativas de vários líderes africanos para desenvolver o continente combasenasnormas e critérios internacionas, a religiosidade Bantu, de pendão histórico, vê-se incapaz de assimilar-se ou afilharse a estes critérios, visto serememsua maior parte, cada um antagónico do outro.

Em vista disso, as precistentes casas ritualísticas (tanto no interior comonoscentros urbanos), o predomínio da agricultura familiar emcombate comasinstituicionais, as adivinhações e encantamentos quer em torneios e competições, querem vendas e outras profissões (tanto públicas e privadas), tradições nas resoluçõesdeProblemas e nas contratações matrimoniaismais, mais consideração e respeitoaos”sobas” ou as autoridades tradicionais em comparação comas lidereçasgovernamentais e jurídicas, são pequenas amostras, de outras inúmeras, que sugeremque a “Nova visão de Desenvolvimento” transferida para África, têmaindasofridoconsideráveis interferências da Religiosidade Bantu (e vice-versa).

Como se não bastasse, as iniciativas políticas têm sido simplesmente segregar ourepremitir, por meio do recurso a força, escolas, prisões e detensões, cadatraçoouelemento desta forma de religiosidade, provocando em contrapartida o desencadear demais guerras, revoluções e manifestações de uma parte a outra neste continente.

E em fim, seguem-se os revistos de fome, vandalismo, migrações e outrosmales. Tudo porque, aos olhos da moderna civilização que se quer instalar, as antigasehistóricas normas da religião Bantu, são pulgas (pelo que parece), que simplesmentecriam interferências e uma série de implicações no seu próprio desenvolvimento.

 

Por: SAMPAIO HERCULANO

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