OPaís
Ouça Rádio+
Qui, 1 Jan 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

Alteridades e identidades: um olhar literário em Nga Mutúri e em Mestre Tamoda

Jornal Opais por Jornal Opais
8 de Maio, 2023
Em Opinião

Nga Mutúri (de Alfredo Troni) e Mestre Tamoda (de Uanhenga Xitu) São duas obras magnas e referências obrigatórias da Literatura angolana.

Poderão também interessar-lhe...

Carta do leitor: A delinquêcia que preocupa

Pontual: Chegou 2026!

Feliz Ano Novo

Ambas as obras são costumeiras, porquanto tanto Troni quanto Xitu versam sobre os costumes sociais das sociedades das suas respectivas épocas.

Periodicamente falando, Nga Mutúri enquadra-se no segundo período da Literatura angolana (1849 – 1902).

O conto Mestre Tamoda pode ser copulado ao sexto período da Literatura angolana (1972 – 1980), pois é nesse período que assiste a um crescente espírito crítico, nacionalista e patriótico.

Lidas contrastivamente é possível ver-se um olhar atento de seus escritores, que não perdem de vista os detalhes do modus vivendis da época e sobretudo um olhar crítico que lançam sobre os costumes e os hábitos sociais da época.

Alfredo Troni e Uanhenga Xitu revestem-se duma linguagem satírica ou mesmo vestindo a túnica da sátira trazem à vida contemporânea duras e pesadas críticas da vida canónica e peculiar da época.

Em Nga Mutúri e em Mestre Tamoda, os autores das respectivas obras levantam a questão da alteridade humana e a consequente perda da identidade social e pessoal, em fim, a perda do valor do muntu enquanto espírito da ancestralidade e da identidade do lugar humano no mundo, de outra maneira dizendo, a fuga do ser, o desligamento do cordão umbilical com a força conservadora da ancestralidade para coligar-se a protótipos culturais alheios, ou seja, passa-se a viver o outro cultural e se estigmatiza os valores da cultura a que se pertence.

Alfredo Troni, em Nga Mutúri, histórico e sociologicamente, traz à tona os hábitos, tradições e costumes sociais da sociedade luandense oitocentista e novecentista.

Através da personagem Nga Mutúri, ateia o debate em torno da metamorfose social, ou seja, a alteridade, fenómeno constante da época.

Nga Mutúri representa o protótipo da mudança da mulher da época, pois quando a mulher daquela época pudesse ascender socialmente, mudava-se complemente, esquecendo-se das suas origens, assim, esquecia a língua de origem, os valores culturais e até detestava a cor negra da pele que revestia o seu corpo.

A crítica social de Alfredo Troni reside no facto dessa mudança, muitas vezes, prejudicar, irromper ou constituir um hiato com os valores sociais do berço, visto que Mutúri, durante a permuta de escreva para patroa e para dona de um património, menospreza o sagrado, a força que a une à ancestralidade, aos valores e aos traços culturais das raízes da cultura negra.

Já, por outro lado, Uanhenga Xitu trará a personagem Mestre Tamoda e consequentemente nome que confere título à obra. Xitu apresenta o modelo jovem da população colonial rural angolana.

Por meio de Tamoda, o autor faz uma crítica a alteridade juvenil, porquanto apresenta a vida de um jovem que se desloca de Catete a Luanda em busca de melhores condições de vida, mas que ao seu regresso a Catete, emprega desadequadamente as expressões dicionaristas aprendidas em Luanda, em casa do patrão.

Por consequência, Uanhenga Xitu, revestido de uma linguagem simples e desprovida de austeridade, chama à razão a sociedade a respeito da inadequação contextual do uso da língua, outrossim, da alteridade descontextual, consequentemente, causadora da perda da identidade.

Por meio das obras Nga Mutúri e Mestre Tamoda é possível constatar às claras o tema da alteridade e da identidade, a alteridade é um elemento obrigatório e ao qual ninguém se pode furtar, pois o ser humano é um ser em perpetua metamorfose, no entanto a crítica de Nga Mutúri e de Mestre Tamoda incide na negação do Muntu, o valor da alma e da força da cultura africana, porque quando se perde de vista o centro do muntu, perdese sempiternamente a ligação com a ancestralidade, a identidade da pátria mater, a rede que coliga à ancestralidade, por conseguinte, perde-se a ligação com o transcendental, o divino.

 

Por: ALCINO LUZ

Jornal Opais

Jornal Opais

Recomendado Para Si

Carta do leitor: A delinquêcia que preocupa

por Jornal OPaís
1 de Janeiro, 2026
PEDRO NICODEMOS

Ao coordenador do jornal OPAÍS, feliz Ano Novo e que seja de muitas realizações! O ano que ontem terminou ficou...

Ler maisDetails

Pontual: Chegou 2026!

por Jorge Fernandes
1 de Janeiro, 2026

Estamos em 2026. Para alguns diriam, finalmente. Para outros, é mais um ano de desafios, de projecção, de conquistas, face...

Ler maisDetails

Feliz Ano Novo

por Jornal OPaís
1 de Janeiro, 2026

Hoje celebra-se o Ano Novo. Que cada página de 2026 seja escrita com amor, alegria, paz e muitas conquistas. Em...

Ler maisDetails

China e o Sul Global: Diplomacia, respeito e uma nova oportunidade de desenvolvimento

por Jornal Opais
31 de Dezembro, 2025

Por; Juvenal Quicassa O cenário geopolítico global é actualmente marcado por diversas tipologias de conflitos entre os Estados, sanções e...

Ler maisDetails

PR felicita povo cubano pelo 67° aniversário da Revolução Cubana‎

1 de Janeiro, 2026

Governador do Cuanza-Norte visita os primeiros bebés de 2026 no Cazengo

1 de Janeiro, 2026

‎Jovens morrem em acidente rodoviário a caminho de uma festa de fim de ano em Viana‎

1 de Janeiro, 2026

Ministro do Interior sensibiliza automobilistas para a prevenção rodoviária

1 de Janeiro, 2026
OPais-logo-empty-white

Para Sí

  • Medianova
  • Rádiomais
  • OPaís
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos

Radiomais Luanda

99.1 FM Emissão online

Radiomais Benguela

96.3 FM Emissão online

Radiomais Luanda

89.9 FM Emissão online

Direitos Reservados Socijornal© 2026

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.