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OPaís

A Vírgula

Jornal Opais por Jornal Opais
15 de Fevereiro, 2023
Em Opinião

Luft, no seu livro sobre vírgula, página 38, diz algo muito surreal.

Para quem entende um pouco sobre sintaxe, perceberá o conteúdo: 《Ora, a nossa pontuação é de base sintáctica, estrutural e não auditiva.

Não vá pelo ouvido, que ele não entende de vírgula.

Lamento, mas você tem que aprender um mínimo de análise de sintáctica (nem que seja intuitiva, como a maioria dos que escrevem bem) para virgular com acerto.

A pontuação é um teste de inteligência “.

Na verdade, é o que se apregoa há tempo de que o uso da vírgula está mais ligado ao conceito de sintaxe (estrutura) do que da audição (som, pausa).

Ou seja, para esse autor nunca esteve ligada a essa última realidade.

O que acontece é que muitos, como diz Luft, pontuam obedecendo não só os ouvidos como as pausas melódicas ao lerem o texto.

Porquanto ele desaconselha esse critério por considerar que muitos são os que respiram mal. Dado a isso, os que mesmo assim se procedem, são os que não hesitam separar o verbo do seu nome ou do seu complemento na ordem directa da frase.

Minimamente, o escrevente tem de dominar, não importa se for por advinda, a sintaxe da língua para ter em mão a vírgula e usá-la livremente.

Entretanto, o que é a sintaxe de facto? É nada mais do que a estruturação das palavras para formarem frases.

Ou seja, quando estas se interligam com intuito de formarem frases ou enunciados, a sintaxe é responsável pelo estudo desse fenómeno.

E, como se sabe, nas frases verbais, a estrutura básica é composta por elementos essenciais ou inseparáveis: O NOME (que forma o núcleo do sujeito) O VERBO (que terá o poder de ser a informação) E OS COMPLEMENTOS (que servirão como fundamentos para acrescentar na informação dada pelo verbo).

Nota que estes são os casos em que o verbo denota acção, sabendo que há os que apresentam características, estados ou fenómenos naturais etc. Logo, pontuar é saber das ordens que podem encontrar-se as frases: directas, tal qual no exemplo acima; ou indirecta; quando se desloca elementos das suas posições habituais. Tipo: “DESDE QUE A CONHEÇO, nunca a vi cometendo asneiras”.

No exemplo acima, a expressão em maiúsculas foi deslocada, por isso se usou a vírgula. E o uso, neste caso, é obrigatório segundo o autor.

Não só, podemos estar sujeitos a desviar quando o assunto for pontuar com a vírgula, é normal.

Mas que isso fique claro; para que se pontue com destreza, certeza e seriedade, é necessário conhecer as estruturas básicas das frases em língua portuguesa: SUJEITO + VERBO + COMPLEMENTOS ou COMPLEMENTOS + SUJEITO + VERBO.

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