OPaís
Ouça Rádio+
Sex, 23 Jan 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

A paralisia de um estado andante: uma leitura da capa da obra “542 anos em coma” de David Gaspar

Jornal Opais por Jornal Opais
21 de Outubro, 2024
Em Opinião

A capa da novela de David Gaspar, obra vencedora da primeira edição do Prémio Literário GGMF 2023 apresenta uma imagem que nos serve de análise, de reflexão, por fotografar com êxito a paralisia, o estado adoentado que vivemos nos dias que correm em Angola. Entendemos a fotografia como uma expressão artística de uma construção humana.

Poderão também interessar-lhe...

Competências na comunicação e o académico

CARTA DO LEITOR: Crime na Boavista

É de hoje… O inimigo interno

Essa construção humana pode servir de espelho social ou de condição individual de um ser que se deja reflectir. A sua análise, para além do olhar artístico, que lhe é peculiar, pode ser avaliada sob um viés de vários domínios científicos.

No entanto, para este artigo, poderemos apenas analisar a imagem presente na capa da obra em estudo. Propusemo-nos em analisar capa de obras literárias, isso por entendermos que ela não é um elemento isolado na obra, ou seja, a capa pode ser vista como o resumo ou o retrato do que nos traz a obra.

Por isso, é importante que os signos que poderão constituir a capa de uma obra literária serem colocados e pensados em função do contexto da obra. De outra forma, estariamos a dizer que a capa de uma obra literária deve ser vestido de conteúdos que possam dialogar com a obra toda.

Olhando para o título do livro “542 anos em coma”, começando com este segundo lexema, coma, segundo a wikipedia, é um estado de inconsciência do qual a pessoa não pode ser despertada.

Já a expressão 542 anos, segundo nossa leitura da obra, remete-nos a uma terra que, geopoliticamente, conhecida por Angola, isso desde a sua indepência, pois a expressão numérica remete-nos desde a chegada do colono português até aos dias de hoje; o que, para nós, há, o que é natural aos textos literários, dada a compreensão social da literatura, presença de um manifesto sobre o qual o país anda adormecido desde a época da chegada dos portugueses no território angolano.

Para a demonstração da nossa afirmação, faz-se a subtração da data da chegada dos portugueses no territótio angolano até a presente data. Segundo o que diz a história de Angola, os portugueses chegaram no território angolano, acidentalmente, em 1482, desta data, subtrai-se o presente ano 2024, ou seja, faz-se o seguinte cálculo: 1482 – 2024, dar-nos-á 542 como resultado. Como se pode observar no trecho da obra, na fala do narrador-personagem que tenta se encontrar: “passam-me vários tempos desde que me fiz neste lugar.

Admito haver em mim tamanha dificuldade em calculá-los. E meus descansos, sonho ciclicamente com imagens que mal tenho noção de onde os terei visto antes (…). volto-me para a porta de saímos e observo no topo uma escrita exposta em palavras feitas com ferro: A GRANDE DESCOBERTA – 1482.” (Gaspar, 2023, p. 69 e 71).

Fora a esta questão das datas, o que nos leva a crer que o título nos remete ao país Angola, estão os signos da cor que, semioticamente, nos remetem às cores que representam a bandeira de Angola, como se pode conferir na fala do narrador, do trecho retirado da obra, quando este tentava descrever as mulheres que via: “(…) estas berram com a escuridão (…). ela tem empunhada na amarelada mão uma faca ensaguentada (…).” (Gaspar, 2023, p. 71-72) O trecho apresentado em cima, apresenta, de forma simbólica, as cores que representam a bandeira do país, como o caso do lexema escuridão que vai representado, pela sua compreensão natural, a cor preta; amarelada que já define a cor amarela e ensaguentada que nos remete à cor vermelha, esta, claro, por ser a cor do sangue.

Na imagem, há presença de lixo, o que, para nós, representa o estado doentio, adormecido em que o país se encontra, pois a imagem sugere uma leitura contextual de reivindicação social resultante da excessiva aglomeração de resíduos sólidos em quase toda parte do país, o que contribui significativamente para o alto número de casos de malária em Angola. Há presença de indivíduos no lixo, como mostra a imagem da capa, com sacos a recolher o lixo.

Isso, de certa forma, é, do ponto de vista do contexto social que o país vive, denúncia, manifesto sobre a problemática do desemprego no país, pois muitos dos cidadãos angolanos que, diariamente, vão estando no lixo, têm o lixo como seu ganha-pão, como sua fonte de sustentabilidade. Por outra, questiona-se a ordem contratual estabelecida entre o Governo angolano e as empresas de recolhas de lixo no país.

Será que temos mais lixos no país e menos empresas de recolhas de lixos, ou contrário também vale, mas com pouco desinteresse de exercerem a função? A presença da mulher carregando um bebé ao colo remete-nos ao deserronlar da narrativa onde a persongem de nome Esperança carrega o pequeno Futuro ao colo.

A narrativa apresenta-nos nomes de persongens que marcam tempo ou estado como é o caso da personagem Esperança, Futuro, Passado e Presente, só para constar.

Portanto, o que diz a narrativa está presente na imagem da mulher com o bébé ao colo, representando a esperança levando consigo o futuro, pois ambos retiramse por perceberem a inutilidade da sua existência numa terra onde o povo enche a barriga de esperança, de promessa sobre um futuro que permanece incerto, permanecendo cada vez mais minúsculo na vida dos cidadãos, como se pode verificar no trecho abaixo: “”Futuro” não responde. “ché Futuruloy” e só então o rapaz se volta para a voz (…). “Espeancha!”.

decerto, Futuro perdeu de si mesmo a capacidade da articulação adulta. (…) não desista de si, Esperança. agarra-lhe ao colo, limpa-lhe as ramelas com o canto do farrapo com o qual Futuro se cobria (…)” (Gaspar, 2023, p. 97 e 104) Para terminar a nossa análise interpretativa da capa desta obra, teriamos, igualmente, de ressaltar o papel do narrador da obra, apresentava-se, dentro da sua narração, viradas narrativas, ou seja, trazia narrativas que, muitas vezes, serviam de introdução para a próxima narrativa, por aquilo que é considerado foco narrativo.

Podemos associar esta técnica ao lexema coma que dá título à obra, pois um paciente nesta condição, como recomenda os especialistas em saúde, é importante mudar a posição do paciente em cada 24 horas para evitar ulcerações e problemas vasculares.

Foi este o grande exercício que o narrador teve duranrante a sua narração de, nalgumas vezes, desviar o foco narrativa para outros assuntos sem, ao menos, os descompassar ou perder de vista a sua narração. Portanto, a capa, a nosso ver, está bem conseguida pelo facto de consguir explicar a obra no seu todo.

 

Por: Khilson Khalunga

Jornal Opais

Jornal Opais

Recomendado Para Si

Competências na comunicação e o académico

por Jornal OPaís
22 de Janeiro, 2026

—Sentiste, ilustre, sou forte?! — Sentir o quê, meu caro? — Como falo bem português e uso muitas palavras de...

Ler maisDetails

CARTA DO LEITOR: Crime na Boavista

por Jornal OPaís
22 de Janeiro, 2026

À coordenação do jornal OPAÍS, saudações e votos de óptima disposição! Na semana passada, um jovem, na Boavista, em Luanda,...

Ler maisDetails

É de hoje… O inimigo interno

por Dani Costa
22 de Janeiro, 2026

Em qualquer esquina, aí onde se nota um aglomerado de jovens – e até mais velhos – é possível adivinhar-se...

Ler maisDetails

Bolsas de estudo

por Jornal OPaís
22 de Janeiro, 2026

Para fomentar o poder crítico e o desenvolvimento sustentável do capital humano, os programas de bolsas de estudo surgem para...

Ler maisDetails

Mulher de 53 anos morre após ser atingida por disparos de arma de fogo no Tunga-Ngó

22 de Janeiro, 2026

Detidos dois supostos pastores por abuso sexual de menor no interior da igreja

22 de Janeiro, 2026
DR

PGR conclui processo de Isabel dos Santos e diz que aguarda apenas por julgamento

22 de Janeiro, 2026

Ministério da Energia e Águas e Banco Mundial abordam temas estruturantes do sector

22 de Janeiro, 2026
OPais-logo-empty-white

Para Sí

  • Medianova
  • Rádiomais
  • OPaís
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos

Radiomais Luanda

99.1 FM Emissão online

Radiomais Benguela

96.3 FM Emissão online

Radiomais Luanda

89.9 FM Emissão online

Direitos Reservados Socijornal© 2026

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.