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Reserva estratégica alimentar ajudou a estabilizar preços de produtos alimentares em Angola

André Mussamo por André Mussamo
24 de Maio, 2023
Em Economia, Manchete

No período que vai de março de 2022 a março de 2023, os preços reduziram significativamente, tanto no comércio a grosso, onde caíram 29%, como no comércio a retalho, com queda de 31%, representando um ganho significativo para o orçamento das famílias angolanas

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O Entreposto Aduaneiro de Angola movimentou 640 mil toneladas de produtos alimentares diversos, em 2022, através da Reserva Estratégica Alimentar (REA), no quadro do equilíbrio dos preços no mercado nacional, onde registaram-se custos na ordem dos USD 500 milhões para a aquisição de alguns bens que compõem a cesta básica. A percepção genérica, na opinião pública, de que o custo de vida está cada vez mais alto não é provocada pelo custo da Cesta Básica, mas sim, pelo encarecimento de outros bens e serviços que interferem, directamente, no rendimento e poupanças das famílias.

A constatação é do Presidente do Conselho de Administração do Entreposto Aduaneiro de Angola, Eduardo Machado, e foi feita durante a apresentação do estudo “Impacto da Reserva Estratégica Alimentar no Comportamento dos Preços da Cesta Básica”, nu- ma sessão explicativa reservada à imprensa realizada ontem, em Luanda.

O Entreposto Aduaneiro de Angola é a empresa gestora da Reserva Estratégica Alimentar (REA) um projecto lançado pelo Governo com o objectivo de assegurar o abastecimento de certos produtos fulcrais na dieta nacional, garantir a segurança alimentar dos consumidores, fazendo intervir um ‘stock de produtos’ no mercado, em situação de calamidade, crise generalizada ou fecho dos canais internacionais de importação e ainda corrigir distorções causadas por agentes económicos, através de escassez induzida com a finalidade de obter vantagens e maior margem de lucro. O referido estudo visou medir o impacto da Reserva Estratégica Alimentar (REA), no comportamento dos preços dos produtos da Cesta Básica, desde que foi implementada, em 22 Dezembro de 2021.

No seu decurso, foram trianguladas três fontes de da- dos, sendo pesquisas quantitativa e qualitativa junto de empresas e famílias angolanas, e outros derivados (análise dos dados do IPC produzido pelo Instituto Nacional de Estatística – INE). Segundo o responsável, “os resultados do estudo são inequívocos, e demonstram que a REA contribui, de modo directo e assinalável, para a redução e estabilização dos preços dos produtos alimentares da Cesta Básica em Angola”.

Nota de realce, o facto de a descida dos preços dos produtos alimentares da cesta básica, em Angola, dar-se em contra-ciclo com um grande aumento dos níveis de inflação, e dos preços destes produtos, ao nível mundial. Desde que a REA foi lançada, verifica-se também um condicionamento positivo dos opera- dores do mercado, que resulta num comportamento mais estável, tanto na oferta de produtos, como na manutenção dos preços. Os dados do INE mostram uma quebra acentuada na variação mensal do IPC dos Alimentos e Bebidas Não Alcoólicas na formação do IPC, tendo passado de 1,74% em Março de 2022 para 0,79 em Março de 2023, o que representa uma quebra superior a 50%.

70% das famílias recorrem aos mercados informais

Apesar desta significativa redução, o efeito da mesma não é, ainda assim, muito sentida pelos angolanos, apesar de que, quando questionados sobre quanto pagaram efectivamente por determinados produtos, em Novembro de 2021 e actualmente, os inquiridos reconhecem que os preços diminuíram. O facto é que, a percepção que têm é que os preços não diminuíram porque não o sentem nos seus bolsos, afirmando, provavelmen- te, porque os preços dos restantes bens e produtos não diminuíram, e porque os salários não aumentam, pelo que os consumidores, têm cada vez mais dificuldades em comprar a mesma quantidade de produtos.

Os resultados do inquérito às famílias angolanas mostram que, 70% dos angolanos fazem compras nos mercados informais, e 9% faz nas cantinas. Uma percentagem significativa de angolanos faz compras em sistema de “sócia”, ou seja, associam-se a outros compradores, para beneficiar dos preços unitários mais baixos praticados pelos armazéns. Habitualmente, os angolanos pagaram, em média, nos últimos 12 meses, 9.735 Kz por uma caixa de 10Kg de Frango, quando, em Dezembro de 2021, pagavam 10.357 Kz; e isto representa uma redução/poupança de 12% nos preços, quando comparado com o Natal de 2021, conclui o estudo.

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