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Negócio ameaçade ‘muambeiras’ do pela c chinesa e maliana

Rita Fernandopor Rita Fernando
29 de Maio, 2026
Em Economia, Última Hora
Foto de LITO  CAHONGOLO

Foto de LITO CAHONGOLO

As muambeiras, nome vulgarmente conhecido para comerciantes que buscam negócios no exterior do país, sentem-se invadidas pelos estrangeiros que encontraram em Angola um campo fértil para fazer negócios. Por isso, queixam-se da invasão e usurpação de negócios que fazem, detidos maioritariamente por chineses e malianos. Estas comerciantes reclamam ainda de falta de abertura na China e denunciam que as contas bancárias foram bloqueadas naquele país asiático sem aviso prévio

As muambeiras, termo usado para descrever as vendedoras e comerciantes do sector informal que fazem viagens para o exterior do país, com objectivo de comprar negócios e revender no mercado nacional, persistem nas praças, apesar das inúmeras dificuldades.

Começaram desde o princípio dos anos 1980, altura em que surgiu o então mercado do Roque Santeiro, no município do Sambizanga, em Luanda, que foi considerado maior centro de comércio popular de Angola a céu aberto, após a inauguração oficial em 1991. Brasil, Índia, China, Estados Uni dos da América, Emirados Árabes Unidos (Dubai), Turquia e África do Sul são os principais destinos que as mulheres muambeiras exploram desde o início.

Entretanto, conta-se que os negócios começaram a ganhar mais força a partir dos anos 2000 até 2015, período em que o câmbio de 100 dólares oscilava até 10 mil kwanzas.

Apesar de existirem também homens no sector, são na maioria mulheres, que, com ‘visão de águia’, rumam para outros mares à procura de negócios para saciar o apetite do mercado nacional, com vendas de roupas, calçados, móveis, utensílios, cabelos postiços brasileiros e indianos e outros negócios, que as senhoras vendem nos mercados informais ou lojas.

Lá se vai o tempo em que as comerciantes faziam mais de 10 viagens por ano, compravam negócios, vendiam por uma ou duas semanas e regressavam outra vez. O ritmo competitivo de trazer o que chamam de “novidades”, “ma téria” ou até mesmo “chapada na banda” leva as mulheres a competirem umas com as outras.

O preço dos bilhetes para os destinos já mencionados é um tema que o tempo e a inflação terão consumido. Até 2010, os preços dos bilhetes para as viagens eram muito baixos em comparação com o período actual.

A TAAG, por exemplo, na rota directa Luanda (LAD) São Paulo (GRU), tinha tarifas que variavam entre 150.000 kwanzas e 180.000 kwanzas para vôos de ida e volta.

Quanto às companhias internacionais, outras opções com escalas, como a South African Airways ou a TAP Air Portugal, variavam na faixa de 130.000 kwanzas a 210.000 kwanzas. Um tempo em que até os bancos, por meio dos bilhetes de passagem, forneciam divisas para as muambeiras, mas tudo ficou apenas na história.

Actualmente, o sector das muam beiras, que mesmo no anonima to faz movimentar a economia in formal no país, está em declínio e a atravessar momentos difíceis com a falta de divisas, subida do dólar, invasão do mercado chinês e maliano em Angola, surgimento das tecnologias, contas bloqueadas na China, enfim, pouco a pouco o sector começa a registar ameaça de ficar para trás.

Resistência

Entretanto, mesmo com os obstáculos, algumas resistem a ferro e fogo. A determinação, o foco e a coragem dessas mulheres levaram a equipa deste jornal a conhecer as comerciantes, que, com os negócios que fazem, sustentam famílias, compram vivendas, casas, carros e pagam formação dos filhos em Angola e em outros países em que se encontram.

Começámos pelo novo mercado da Praça das Mulheres, localizado actualmente no Cazenga, por volta das 7 horas da manhã, em um clima fresco e úmido. A movimentação no local já era visível; cerca de 90 por cento da praça já estava ocupada com as mulheres negociantes.

As que vendiam “despachavam” os negócios, com fatos vindos da Tur quia, Brasil e China, vendiam ainda calçados, pastas, brincos e outros acessórios femininos e masculinos a um preço mais acessível.

Havia também as revendedoras; essas compravam para vender peça a peça (retalho). Foi daí que conhecemos Antónia Bernardo, por sinal, uma das mais antigas no novo mercado.

A comerciante, que começa o percurso desde o tempo do Roque Santeiro, é muambeira há 30 anos, conta que já passou por vários mercados, nomeadamente, o mercado do Panguila, Kikolo e a antiga Praça da Mulher. Antónia Bernardo avança que já conseguiu, com o que faz ao longo do mundo da ‘muamba’, várias conquistas, entre as quais casa, carro e outros bens.

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