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OPAÍS

FMI prevê inflação elevada para Angola em 2024

Jornal Opaispor Jornal Opais
26 de Abril, 2024
Em Economia
FMI prevê inflação elevada para Angola em 2024

O crescimento económico está abaixo da média da região da África Subsariana, o que para o economista Bernardo Vaz vai implicar redução dos recursos necessários para fazer face aos problemas que assolam a economia nacional, fazendo com que o Estado reduza despesa com educação e saúde

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê inflação elevada para o país neste ano, apesar da recuperação gradual da actividade conómica, sustentada pelo desempenho da economia petrolífera e não petrolífera, aponta o relatório sobre perspectivas económicas e regionais da África Subsariana.

O FMI aponta ainda a previsão de crescimento de 2,6% e 3,1% neste e no próximo anos em Angola, abaixo dos 3,8% e 4% estimados para a região da África subsariana, e acima dos 0,5% em 2023, de acordo com a actualização das previsões apresentadas nas reuniões de primavera.

“O Fundo prevê uma recuperação gradual da actividade económica em 2024, sustentada pelo desempenho da economia petrolífera e não petrolífera, com a inflação a permanecer elevada este ano e a desacelerar gradualmente”, subscreveu o documento.

Em reacção, o economista Marlino Sambongue afirma que a inflação acima de dois dígitos é um sinal de problemas que o Governo tem lutado para resolver há anos, desta- cando que a persistência da inflação elevada indica que a economia ainda não se recuperou completa- mente e que o FMI prevê um agravamento dessa situação para este ano.

Com uma inflação crescente, acrescentou, o poder de compra dos cidadãos diminui, pois o aumento geral dos preços dos produtos essenciais significa que, com o mesmo rendimento, as pessoas poderão comprar menos ao longo do tempo, o que, por sua vez, resulta em um custo de vida mais elevado.

O especialista sublinhou que existem vários factores que contribuem para o aumento da inflação em países em desenvolvimento, especialmente naqueles que de- pendem da produção de petróleo, como Angola. Um dos principais factores, segundo o especialista, é a falta de eficiência estrutural em toda a cadeia produtiva, desde a produção de insumos até o transporte e a distribuição dos produtos finais.

Para combater a inflação, Marlino Sambongue sugere um aumento na produtividade agrícola, especialmente no sector da agricultura familiar, para expandir a oferta de alimentos. Recomenda que haja um esforço para melhorar a estrutura das cadeias produtivas no sector agrícola, incluindo a produção de insumos como fertilizantes e combustível, bem como um sistema mais eficiente de distribuição e comercialização para reduzir as perdas pós-colheita.

Ressaltou que a dependência excessiva do petróleo torna a economia vulnerável a choques externos e internos, levando a instabilidade macroeconómica e micro-económica, inflação alta, depreciação cambial, baixo crescimento económico, alto desemprego e redução do poder de compra.

O economista enfatizou que a inflação está, actualmente, em 26,09% e tende a aumentar devido ao impacto da retirada dos subsídios aos combustíveis, o que pode diminuir ainda mais o poder de compra das famílias.

Desaceleração gradual sem grandes efeitos

Já o economista Bernardo Vaz, considera que a desaceleração gradual da inflação, conforme indica o FMI, não terá grandes efeitos sobre o poder de compra das famílias. A título de exemplo, continuou, actualmente, a inflação é de 26% (BNA), se houver uma redução de 5 pontos percentuais e a inflação passar para 21%, será uma queda considerável, mas o impacto sobre os salários reais é residual, porque o valor inicial é muito alto.

No que diz respeito ao crescimento económico abaixo da média da região da África Subsariana, Bernardo Vaz aponta que o baixo crescimento implica redução dos recursos necessários para fazer face aos inúmeros problemas que assolam a economia nacional, fazendo com que o Estado reduza despesa com educação e saúde.

Entretanto, acrescentou, a competitividade está associada à produtividade, e essa, por sua vez, de- pende da magnitude do investimento feito na educação. “Se estamos a crescer menos, em tese, implica que vamos investir menos em educação e saúde. Uma economia onde as pessoas não são saudáveis e têm baixo nível de escolaridade está praticamente arredada do jogo da competitividade entre os países”, enfatizou.

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