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Empresários recebem garantia de apoio político e fazem balanço positivo do Fórum de negócios

Jose Zangui por Jose Zangui
26 de Novembro, 2025
Em Economia
Carlos Augusto

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Num outro ângulo da 7.ª Cimeira União Africana – União Europeia, mais de 600 pessoas participaram no Fórum de negócios dos dois blocos, que contou com a participação de empresários e gestores, tendo recebido do ministro de estado para a Coordenação económica, José de lima massano, a garantia política de se fazerem boas parcerias de negócio entre os dois continentes

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No encontro de empresários que decorreu à margem da 7.ª Cimeira União Africana – União Europeia, encerrada ontem em Luanda, defendeu-se a necessidade de tratamento igual no acesso aos financiamentos, ao passo que a comunidade africana defendeu que o continente negro tem muito para oferecer ao mercado eu- ropeu.

Celso Rosa, um dos gestores participantes no certame, disse, por exemplo, que os empresários europeus mostraram interesse em investir no Corredor do Lobito e vontade em estabelecer parcerias com vantagens recíprocas com o continente africano.O presidente do Conselho da União Europeia, António Costa, defendeu, em Luanda, parcerias partilhadas com países africanos que criam valores para ambos os continentes.

António Costa defendeu ainda a necessidade do debate em relação ao tema da dívida de África, que deve ser tratada para que o continente se torne desenvolvido. Disse o responsável, no entanto, ser este o momento de saírem-se dos discursos para a concretização prática do que já vem sendo anunciado. “África é rica em recursos naturais, mas o seu maior recurso é o seu capital humano, a sua juventude”, referiu, para mais adiantar que, nos próximos anos, até 2050, cerca de 800 milhões de pessoas entrem para o mercado de trabalho e por isso espera que estes empregos se fixem no continente africano.

Por sua vez, o anfitrião da Cimeira, o chefe de Estado angolano e presidente em exercício da União Africana, João Lourenço, destacou algumas das potencialidades que o continente oferece e que podem ser exploradas pelos europeus. Terras aráveis, bacias hídricas e uma população jovem, elementos que, segundo João Lourenço, a União Europeia pode aproveitar com a transmissão de conhecimento e investimento em infra-estruturas, numa cooperação baseada no respeito mútuo.

João Lourenço disse também ser urgente que se trabalhe numa reforma do sistema financei- ro internacional, para que África não seja asfixiada pelo endividamento insustentável. O Presidente em exercício da União Africana defendeu um acesso mais justo dos países africanos ao financiamento para o investimento em infra-estruturas e da transição energética.

O chefe de Estado angolano defendeu também o reforço dos laços económicos, destacando o apoio aos jovens por meio de programas de empreendedorismo.João Lurenço pediu cooperação da União Europeia para que a África não continue na condição de pobreza.

Dos discursos para acções

Especialistas ouvidos pelo jornal OPAÍS defendem acções práticas, além dos discursos, e, quanto ao tema da dívida, esperam que estas devam traduzir-se em qualidade das despesas. Segundo o economista Hermenegildo Quixigina, os países contraem dívidas, entendem-se, mas que “África, hoje, já não está na idade da pedra”, por isso, segundo disse, as dívidas dos países devem estabelecer qualidade das despesas.

Alocar para o investimento das infra-estruturas, formação do capital humano e na produção de capitais. Hermenegildo Quixigina espera que, no final da cimeira, que ontem encerrouas partes saiam com benefícios recíprocos, com África a atrair investimentos em infra-estruturas. Outro economista ouvido pelo OPAÍS é Agostinho Mateus, que, em seu entender, os empréstimos por si só não são um risco para os países africanos e não comprometem a soberania económico-financeira.

Mas considera que o risco surge quando a dívida é contraída sem enquadramento estratégico, ou seja, aplicada em projectos de baixa rentabilidade. Agostinho Mateus defende, por outro lado, uma parceria equilibrada entre a União Europeia e a União Africana com metas claras e definidas. Para o economista, África não deve pedir favores, deve sim negociar interesses.

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