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OPAÍS

Angola gasta USD 662 milhões com importação de combustível e asfalto no III trimestre de 2024

Jornal Opaispor Jornal Opais
17 de Dezembro, 2024
Em Economia
Angola gasta USD 662 milhões  com importação de combustível e asfalto no III trimestre de 2024

Com importações de combustíveis líquidos e asfalto, o país gastou um total de 662 milhões de dólares norte-americanos no terceiro trimestre de 2024, tendo importado 774 353 toneladas métricas dos referidos produtos

De acordo com os dados do relatório trimestral publicado pelo Instituto Regulador dos Derivados de Petróleos (IRDP), das referidas importações, 65% correspondem ao gasóleo e 33% para gasolina. O Topping Plant de Cabinda forneceu 12.835 toneladas métricas, principalmente de gasóleo, Jet A1 e petróleo iluminante.

No segmento de gás de cozinha, a produção nacional respondeu por 22% do volume comercializado, enquanto os restantes 78% foram importados. A capacidade de armazenagem em terra permaneceu estável em 675 968 metros cúbicos para combustíveis líquidos e 11 727 toneladas métricas para o Gás de Petróleo Liquefeito (GPL).

Os dados apontam que Luanda liderou o consumo de GPL, representando 58,9% do total nacional, seguida pelas províncias de Benguela, Huíla, Huambo e Cabinda.

Aumento no custo médio dos combustíveis

O aumento da inflação durante o período também afectou o custo médio dos combustíveis. A variação homóloga foi de 16,96%, enquanto o preço médio do Brent, que baliza as exportações angolanas, fixou-se em 80,34 USD/ bbl, uma ligeira subida em relação ao trimestre anterior.

Apesar do aumento no volume total de vendas de combustíveis (1 262 175 toneladas métricas, um crescimento de 3%), a redução na produção local e a maior dependência de importações levantam preocupações sobre a sustentabilidade do mercado energético nacional.

Expansão e sustentabilidade

A melhoria na distribuição de combustíveis em todo o território nacional é outra prioridade. No período de 2023 a 2027, está prevista a construção de 77 postos de abastecimento.

Destes, a Etu Energias lidera com 40 unidades planeadas, seguida por Sonangol (15), Sonangalp (13), Tema (6) e Pumangol (3). Até setembro de 2024, Angola já registava 898 postos em operação, com uma execução de 98% em relação às metas traçadas para o período. No entanto, desafios logísticos e financeiros continuam a dificultar a implementação de postos em municípios mais isolados.

O número de postos de abastecimento operacionais foi liderado pela Sonangol Distribuição e Comercialização, com 36,7%, seguida por agentes privados (41,2%), Pumangol (9,2%), e outras empresas menores.

O mapeamento actualizado trimestralmente aponta as regiões com maior déficit, o que é essencial para a tomada de decisões estratégicas. Entre os projectos de destaque está a reabilitação das instalações de combustíveis do Lucapa, com uma capacidade de 4.000 m³, actualmente paralisada devido ao surgimento de ravinas na área.

Apesar disso, os trabalhos para conter o avanço das ravinas foram concluídos, e o progresso físico do projecto atingiu 89,5%, com previsão de término no primeiro semestre de 2025, aponta o relatório.

O IRDP sublinhou ainda que a construção do Terminal Oceânico da Barra do Dande, cuja primeira fase deverá ser concluída até 2025, foi adicionada uma capacidade de armazenamento de 582.000 m³. Paralelamente, o IRDP prevê a modernização e ampliação dos terminais oceânicos de Cabinda, Lobito e Namibe até 2027.

No campo regulatório, o IRDP avançou com a aprovação de dois decretos presidenciais, o Decreto n.º 173/23, que simplifica os procedimentos para construção e exploração de postos de abastecimento (SIMPLIFICA 2.0), e o Decreto n.º 209/24, que regula a emissão de licenças para comercialização de gás butano.

 

Por: Francisca Parente

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