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Académico defende que aproximação de Angola aos EUA não prejudica relação com a China

Jornal OpaisPor Jornal Opais
17 de Outubro, 2024
Em Economia
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Tempo de Leitura: 3 mins de leitura
Académico defende que aproximação de Angola aos EUA não prejudica relação com a China

O professor Tiago Armando, da Academia Venâncio de Moura, disse que a recente aproximação de Angola aos EUA não prejudica sua relação com a China, já que a Constituição ango- lana permite que o país estabeleça parcerias diplomáticas com qualquer nação, respeitando os princípios de soberania

Armando Tiago, que falava durante a conferência sobre a promoção da globalização económica universalmente benéfica e inclusiva, numa parceria entre a Universidade Católica de Angola e a embaixada da China, destacou que o país tem o privilégio de contar com as duas maiores economias do mundo como parceiras.

“Cabe a Angola definir projectos estratégicos que impulsionem o crescimento da nossa economia e promovam o desenvolvimento sustentável”, afirmou. O professor observou que, enquanto a China tem sido uma parceira visível em termos de investimentos em infra-estrutura, como o Corredor do Lobito, os Estados Unidos mantêm uma cooperação histórica no sector petrolífero.

Para ele, as visitas de chefes de Estado a Angola devem ter como foco o fortalecimento das relações bilaterais, mas é essencial que o Governo angolano defina claramente o que deseja dessas parcerias, especialmente com os EUA.

“Os americanos já sabem o que esperam de Angola. Agora, é Angola que precisa definir os seus objectivos estratégicos”, enfatizou. Entretanto, o economista Alves da Rocha levantou a reflexão sobre o modelo de desenvolvimento chinês que, segundo ele, não deve ser adoptado de forma irreflectida por outros países.

Alves da Rocha destacou o impacto positivo da China ao retirar mais de 400 milhões de pessoas da pobreza em poucas décadas, mas expressou dúvidas sobre a aplicabilidade desse modelo em contextos diferentes. “Fico confuso quando sugerem que devemos seguir o modelo chinês. Mas, afinal, qual é esse modelo? Não podemos aceitá-lo sem uma análise crítica”, afirmou o economista.

Ressaltou que, apesar dos méritos da experiência chinesa, como a redução drástica da pobreza, cada país deve criar seu próprio caminho para o desenvolvimento sustentável, levando em consideração as suas realidades e necessidades específicas.  Em relação ao desempenho económico de Angola, Alves da Rocha sublinhou a necessidade de focar no crescimento anual, ao invés de destacar resultados trimestrais.

Para ele, Angola precisa de um crescimento muito maior que os 3% ou 4% frequentemente apontados para cobrir os custos de reprodução da força de trabalho. “A verdadeira questão é: para onde vai esse crescimento económico?”, questionou. Indicou que uma taxa de crescimento anual de 5% seria fundamental para superar os desafios demográficos do país.

Além disso, o economista enfatizou a necessidade de maior investimento em educação e pesquisa científica, elementos cruciais para o desenvolvimento do país. “Perdemos a oportunidade de construir uma indústria pesada em Angola, algo que todos os grandes países possuem, e ainda não estamos caminhando nessa direcção”, lamentou.

“A cooperação tem sido favorável entre China e Angola”

As trocas comerciais entre Angola e China registaram um volume de 10,6 biliões de dólares norte-americanos no primeiro semestre de 2024, representando um aumento de cerca de 4% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

No total, o volume de negócios entre os dois países em 2023 alcançou os 23 biliões de dólares. A ministra conselheira da embaixada da China em Angola, Chen Feng, destacou que a cooperação entre os dois países se mantém robusta em áreas-chave como a economia, indústria, comércio, construção civil e o sector social.

Segundo a representante diplomática, tanto empresas públicas quanto privadas chinesas continuam a investir significativamente em Angola, fortalecendo os laços bilaterais. A ministra conselheira sublinhou que os esforços do Governo angolano para melhorar o ambiente de investimento têm sido notáveis, especialmente após o fim da pandemia, o que permitiu a retomada plena dos investimentos.

“A cooperação tem sido favorável para ambos os países e, com as melhorias no ambiente de negócios, vimos um aumento nos investimentos chineses nos últimos anos”, frisou.

Comparando as trajectórias de desenvolvimento de ambos os países, Chen Feng afirmou que a China, no passado, enfrentou desafios semelhantes aos de Angola, especialmente na redução da pobreza. “Queremos partilhar a nossa experiência de sucesso, como conseguimos reduzir a pobreza em 76%.

Os angolanos são nossos amigos, e há um grande interesse em continuar a troca de experiências no âmbito do desenvolvimento”, destacou. Sobre as críticas relacionadas com a qualidade de alguns projectos chineses em Angola, a ministra conselheira esclareceu que muitas dessas questões estão relacionadas com a falta de manutenção adequada após a conclusão dos projectos.

Ela também abordou a questão da relação geopolítica entre Angola e a China, num contexto em que o país africano se aproxima das potências ocidentais. “Somos independentes nas nossas escolhas e podemos fazer amizade com qualquer país. As relações entre China e Angola permanecem fortes e não há nenhum motivo para preocupação nesse sentido”, afirmou Chen.

A conselheira chinesa reforçou o compromisso de actualizar e expandir a cooperação com Angola, especialmente no apoio à diversificação da economia e ao desenvolvimento sustentável. Destacou os contributos chineses em projectos importantes no país, como a modernização da linha férrea de Benguela e as melhorias no Porto do Lobito.

POR:Francisca Parente

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