O Tribunal da Comarca do Lubango, na província judiciária da Huíla, secção dos crimes comuns, marcou para amanhã (7 de outubro) a primeira sessão de audiências de julgamento do líder da Igreja Ministério Internacional dos Milagres Amor e Compaixão, detido desde o princípio do ano em curso, sob a acusação de ter supostamente abusado sexualmente de seis meninas da mesma família no período entre 2022 e 2025
Nelson Fernando Sampaio, mais conhecido por Profeta Israel, de 54 anos de idade, começa a ser julgado amanhã pelo Tribunal da Comarca do Lubango, acusado de ter cometido o crime de agressão sexual com penetração, num acto perpetrado entre os anos de 2022 e 2025, em que foram vítimas seis jovens da mesma família, que, à data dos factos, tinham entre 15 e 16 anos de idade. A marcação do início da primeira audiência de julgamento, que servirá para a produção de provas que conduzam à descoberta da verdade material dos factos, foi confirmada a este jornal por uma fonte do Tribunal da Comarca do Lubango, Sala dos Crimes Comuns, apontando que a referida audiência terá o seu arranque a partir das 8 horas da manhã desta Quarta-feira (7 de Outubro). O acusado, Nelson Fernando Sampaio, mais conhecido como Profeta Israel, de 54 anos de idade, encontra-se detido preventivamente desde o princípio do ano, quando o caso foi denunciado às autoridades pelos familiares das vítimas.
Dos factos
Tudo começa na então comuna da Palanca, que, fruto da nova Divisão Político-Administrativa, passou à categoria de município, onde foi instalado o templo da Igreja Ministério Internacional dos Milagres Amor e Compaixão, sob a liderança do profeta Israel. No templo construído com chapas de zinco (vulgo bate-chapa), pregava-se o evangelho da prosperidade, fazendo jus ao nome da denominação religiosa, o que acabou por arrastar centenas de famílias que buscavam soluções para os seus mais diversos problemas sociais. Muitas destas famílias chegaram a ocupar cargos de direcção. Por exemplo, a mãe de uma das vítimas, que é da mesma família, desempenhava a função de tesoureira da referida denominação religiosa, ao passo que as filhas, hoje vítimas, tinham as funções no grupo coral, a que chamavam de Levitas. Em entrevista exclusiva ao OPAÍS, uma das vítimas, hoje com 19 anos de idade, afirmou que os abusos teriam supostamente iniciado quando o líder da seita religiosa realizou uma festa para celebrar os seus 50 anos de idade. Depois da festa, contou uma das vítimas que, em 2024, tinha 16 anos de idade, informou que os abusos começaram quando, na altura adolescente, sentiu dores no peito e buscou ajuda ao profeta Israel. “Tudo começou no dia em que estava a sentir dores no peito. Eu contei a ele das dores que estava a sentir; ele pediu para eu ir atrás do carro, ele fez uma oração. No mesmo dia, ele pediu para que eu e mais alguém fôssemos ao campo. Era de noite, nós fomos lá e começaram os assédios. A primeira vez que ele abusou de mim, eu tinha 16 anos; isso foi em 2024. Ele nos intimidava dizendo que, ainda que fôssemos nos queixar, nada teria acontecido. Nas pregações, ele dava exemplo de pessoas a quem fez mal e que morreram depois das suas orações”, contou. Outros relatos A outra vítima explicou que os abusos de que foi vítima começaram quando o profeta Israel ofereceu-se a ajudar com as aulas práticas de condução, sendo que a primeira vez que tal aconteceu foi na garagem da sua residência. Ao narrar a sua experiência, a jovem relata que começou a frequentar a igreja aos 16 anos e foi assediada aos 18 anos de idade. O pastor aproveitou-se da situação, afirmando que precisava testá-la enquanto conduzia. O assédio ocorreu em diferentes ocasiões, incluindo na garagem de sua casa. Ela terá ficado alarmada ao descobrir que cinco de suas primas estavam a passar pela mesma situação, e que o assediador alegava que as suas acções eram necessárias devido a problemas espirituais dela, dizendo que precisava “dar banho” e esfregar azeite nela. A terceira vítima narrou que os problemas de abuso sexual começaram quando esta terá solicitado a presença do profeta em sua casa, quando se sentia mal de saúde na casa dos seus pais. “Tinha vezes que eu passava mal. Na última vez, eu estava a passar mal. Eu liguei para ele para que ele fosse orar, porque eu estava sozinha em casa; os meus pais tinham saído. Ele pediu para que eu fosse à sua casa e, postei lá, encontrei-o no portão, entramos na sua casa e ele levoume para o seu quarto”, revelou.
João Katombela, Huíla







