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Paula Lima Matoso: “As modalidades náuticas no nosso país ainda não atingiram um nível de visibilidade que possa ser rentável às grandes marcas”

Mário Silva por Mário Silva
24 de Abril, 2026
Em Desporto
Fotos de Virgilio Pinto

Fotos de Virgilio Pinto

A presidente da Federação Angolana de Desportos Náuticos (FADEN), Paula Lima Matoso, conversou com a equipa do jornal OPAÍS, na sede do órgão a que dirige, nas imediações do Viaduto da Ilha e da Nova Marginal, no município da Ingombota, em Luanda. Durante a entre vista, Paula Lima Matoso reconheceu que as modalidades náuticas no país ainda não atingiram um nível de visibilidade que possa ser rentável para as grandes marcas, tendo assegura do que o estado actual dos desportos náuticos é positivo. A responsável abordou o Mundial de Barcos Eléctricos, prova que contará apenas com a participação de atletas estrangeiros, a realizar-se de 14 a 15 de Setembro, na Baía de Luanda

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Há um ano e dois meses na presidência da Federação Angolana de Desportos Náuticos (FADEN). Está a ser difícil gerir a Federação? É difícil, porque são quase dois em pregos, mas o meu trabalho na federação é voluntariado, estou aqui com sentido de missão, com senti do patriótico, porque o meu tio começou, foi ele que introduziu a canoagem e o remo aqui em Angola e a paixão dele passou a ser a minha.

Eu estou aqui com este sentido de compromisso, de missão, de amor à camisola e acabo por utilizar o tempo, depois do trabalho principal, tudo o que me resta, dedico aqui à Federação. São os fins-de-semana, são os fins do dia, são as reuniões que te mos de fazer, é tentar aqui um equilíbrio sem deixar cair as responsabilidades nos dois sítios, porque são responsabilidades importantes. São compromissos assumidos e depois ainda tem outro lado, a casa e a família.

Mas tentamos real mente aqui, com toda a estrutura de suporte, como eu disse também há pouco, sendo uma Federação com posta por várias modalidades, trabalho muito de perto com os vice-presidentes.

Qual é o potencial de Angola nas modalidades náuticas?

Em primeiro lugar, são modalidades diferentes. A vela é uma modalidade muito específica, que tem várias categorias. O remo também, por exemplo, só para explicar, estamos aqui virados para o remo de mar, porque temos uma costa enorme. Estávamos muito focados no remo de pista que requer uma estrutura, mas a prova de remo de mar é bem mais simples.

Estamos aqui a fazer uma transição para o remo de mar e o interessante é que o remo de mar é um espectáculo bem mais interessante para o público. Vamos aqui trabalhar muito mais o remo de mar, vamos trazer mais animação para as praias. Isto é uma das coisas que estamos a fazer. A canoagem também é algo muito interessante, mas que requer real mente a pista.

Conseguimos agora montar a pista para o Campeonato Africano, no ano passado. Já temos aqui, como se fosse um campo de regata, um campo de prova no nosso país, o que também já nos possibilitou dar aqui alguns passos.

Qual é o estado actual do desporto náutico?

É positivo, porque temos já aqui um histórico de participações olímpicas que é muito positivo. Temos um potencial enorme em termos de atletas e, portanto, isto é a base principal e o que nos dá, de alguma forma, uma espécie de vantagem. Mas temos ainda muitas dificuldades. Estamos num momento positivo, mas ainda temos muito que trabalhar.

As modalidades náuticas requerem um investimento muito alto. Nos outros países, até, são modalidades que são de elite. Os próprios atletas são aqueles que compram as suas embarcações. Os atletas é que angariam os seus patrocínios e todo este investimento é quase pessoal.

É caro comprar uma embarcação?

Temos água, temos uma costa linda que facilita. Temos as condições naturais, mas há toda a parte do investimento nos equipamentos, que são muito caros. Todo o ti pode embarcação, e depois posso mostrar-vos, embarcações de canoagem, embarcações de vela, embarcações de remo, são muito caras, são muito pesadas em termos de investimento.

Os nossos clubes têm dificuldades e o clube é onde acontece tudo, em todas as modalidades. E se os clubes têm dificuldades em investir em equipamento, depois temos toda uma dificuldade em massificar e depois temos também uma oportunidade reduzida em termos de atletas. Porque nós temos também, dentro de cada modalidade, categorias.

Por exemplo, dentro da canoagem, temos a canoa, temos o caiaque. Posso dizer, que cada embarcação de al ta competição de canoagem cus ta 3 a 4 milhões. Por exemplo, um barco de vela pode custar por aí 10 mil dólares.

Como sobrevive a Federação Angolana de Desportos Náuticos?

Dependemos muito daquilo que é o Orçamento Geral do Estado (OGE), que recebemos por via do Ministério da Juventude e Desportos (MIN JUD). Mas, é claro, ainda não é suficiente. E também porque temos uma ambição grande e ficamos um pouco limitados. Ainda assim, continuamos a trabalhar. É um montante de 125 milhões de kwanzas, o que ainda é um valor abaixo das nossas necessidades.

Por exemplo, o valor que recebemos no ano passado foi maioritariamente utilizado nas provas que estiveram associa das às comemorações dos 50 anos da Independência Nacional.

Temos as provas de vela, temos as provas de canoagem. Por exemplo, para o Campeonato Africano de Cano agem, que foi um evento grande, que trouxe também alguma exposição para a modalidade, consegui mos fazer um bom trabalho.

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