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“Mahinga” e “O Rio” geram mais de 300 postos de trabalho directos

Antonia Goncalopor Antonia Goncalo
8 de Fevereiro, 2023
Em Cultura, Em Cartaz

As produções das novelas angolanas exibidas pela DSTV, pela nacional Diamond Films, nomeadamente “O Rio” e “Mahinga”, além de outros projectos do género, têm estado a proporcionar mais de 300 postos de trabalho fixos e um número superior a 3500 indirectos

Entre os empregos estão incluidos os actores (conceituados e novos talentos), técnicos e figurantes, além daqueles que colaboram indirectamente na conclusão dos 210 episódios de “Mahinga”, cuja estreia ocorreu a 17 de Janeiro no canal Kwenda Magic da plataforma da DSTV.

Para dar continuidade às exibições, diariamente são gravadas perto de 30 cenas.

Já na produção de “O Rio”, que vai na sua II temporada, conta com gravações de mais de 260 episódios, sendo que a divulgação do produto começaram em Março.

No entanto, com as gravações em curso, diariamente são gravadas perto de 25 cenas.

O produtor executivo de ambas novelas, Gregário de Sousa, avançou que o fluxo de actores diariamente é constante.

Na I temporada de “O Rio” tiveram perto de 1500 pessoas envolvidas na figuração.

Agora, no “Mahinga” cerca de 50.

“O contributo que a Diamond Films dá à produção nacional do audiovisual é constante.

Nós queremos não apenas dizer que somos os pioneiros, mas queremos fazer parte deste movimento da produção nacional”, aferiu.

Questionado sobre a encenação de actos entendidos como sendo de feitiçarias, nas cenas da novela “Mahinga”, em que algumas figuras públicas dizem estar incentivar estas práticas, o responsável justificou dizendo que são mostrados aspectos ligados à cultura nacional.

Acrescenta que, no nosso dia-adia, há casos de pessoas que realizam estas práticas para conseguirem certos bens, como arranjar uma namorada, ter um novo cargo ou conseguir dinheiro por via de práticas obscuras.

“Não é bem que eu deixe uma mensagem para aquilo que é o habitual.

Nós, nas nossas paradas de amigos, entre colegas falamos sempre de algum acontecimento do género.

Falamos do feitiço quase todos os dias.

Não é que com a novela estejamos a incentivar esta prática.

A novela não é só isso. Tem outras coisas que convido os telespectadores a continuarem acompanhar”, voltou a justificar.

Por outro lado, esclareceu que a respectiva novela ilustra outras cenas, com conteúdo diferente, como por exemplo a existência do instituto Y e Z de empreendedorismo.

Ainda o agente da polícia que investiga essas práticas.

Enfatizou que o objectivo da produtora é servir para o fortalecimento social, do bem-estar das famílias e não só.

Transmissão de valores

Na novela “Mahinga”, Anderson Manuel com a personagem José, uma pessoa com albinismo e órfão, é encontrado no orfanato e adoptado por dona Eliza.

Para o produtor, a sua partição tende a desmistificar aquilo que é a compreensão em torno do albinismo perante a sociedade.

Não muito diferente da sua realidade, nesta que é a sua primeira participação em novelas, já que esteve envolvido em projectos cinematográficos e teatrais, segundo disse, porque acredita ser um projecto que incita à inclusão social, um facto enaltecido por ele enaltecido.

“É um projecto bom, porque faz com que aprendamos mais sobre artes todos os dias.

É gratificante para mim, propriamente, ver actores que cresci a ver na televisão e hoje poder fazer cenas com eles, com a possibilidade de beber um pouco da sua experiência”, exaltou.

Ainda entre os actores, Dorivaldo Manuel dos Santos, que se estreia neste trabalho com o personagem Gui, o coreógrafo do superclub Mahinga, procura fazer o seu trabalho com perfeição, o que deixa os colegas incomodados.

Teve uma formação para participar no projecto, além de os colegas estarem a apoiá-lo, o que permite uma maior interacção durante as gravações das cenas. “Estamos a conseguir beber da experiência dos colegas que já fazem esse trabalho há muito tempo.

Receberam-nos bem e está a ser uma experiência maravilhosa”, aditou.

Entretanto, considera o projecto inovador, em que teve o privilégio de participar, já que observa que a ficção no país estava até certo ponto parada, mas agora dinamizada com estes projectos que beneficiam vários actores, entre novos talentos, com postos de trabalho.

“Eu acho que devem sim apostar na produção nacional, porque, além de termos bons actores e formadores, existem muitos talentos tanto na ficção como em outras áreas. Desde que a novela foi ao ar já apareceram outros convites como actor”, contou.

Enredo

Neste drama, em que muitas práticas são reprovadas por figuras públicas, disse que, apesar de ser ficção, corresponde com aquilo que é a nossa realidade, cultra, mesmo que muitos não acreditem nelas.

“Não tive problema nenhum em participar da novela, porque sei que é uma prática que existe em Angola, em África e no mundo.

Estamos simplesmente a retratar uma coisa que faz parte da nossa cultura”, observou.

Na novela “O Rio”, Josefa Ferraz, que na II temporada terá mais participações com a sua personagem Uelema, disse que o elenco composto por actores consagrados no mercado nacional, como Raúl do Rosário, Dicla Burity, Kim Fasano, faz com que ela trabalhe mais para a melhoria da sua performance e corresponder as expectativas dos telespectadores.

De igual modo, espera por uma maior aposta na ficção nacional, assim como no consumo por parte dos seus concidadãos, para que se valorize todo o investimento feito nas produções locais.

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