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GRUPO HORIZONTE NJINGA MBANDE: Projecta a abertura de um espaço autónomo para a realização das suas

Bernardo Pirespor Bernardo Pires
4 de Janeiro, 2024
Em Cultura, Em Cartaz

Uma das ambições para o presente ano para o grupo é a conquista de um espaço autónomo para a realização de ensaios e apresentação dos espectáculos, sendo que a Escola Njinga Mbande é um local provisório usado pelo colectivo fruto de um acordo mútuo entre o grupo teatral e a direcção daquela instituição de ensino

Com uma taxa de realização das actividades com êxito em torno de 75%, o grupo teatral Horizonte Nzinga Mbande faz um balanço positivo do ano 2023, sublinhado que foi um ano de forte aposta na formação e de inovação Tido como um dos mais antigos e respeitados grupos teatrais do mercado nacional, com mais de 35 anos de existência, o Horizonte Njinga Mbande considera que o ano transacto foi desafiador, sobretudo por força da situação económica que o país atravessa, mas ainda assim o grupo refere que conseguiu realizar a maioria das acções e projectos traçados.

Segundo José Galiano, um dos integrantes e porta-voz do grupo teatral, em 2023 o colectivo realizou a sua primeira apresentação no dia 14 de Fevereiro, no seu habitual espaço, brindando os casais apaixonados e o público em geral com a estreia de duas peças teatrais: “Guerra do Sexo” e “Mil Mulheres e uma Palavra”.

As peças, que retratam a luta entre o amor, o desejo e o apego aos bens materiais, serviram de “ponta pé de saída” para a realização do leque de actividades programadas para aquele ano.

Entre as diversas acções e iniciativas desenvolvidas pelo grupo, destaca-se a aposta intensiva no escalão de formação que permitiu ao colectivo capacitar novos actores em diversas áreas artísticas, nomeadamente de actor, camera-man, realizador e director cinematográfico.

Mais de 250 actores formados

Ao longo do ano transacto, de acordo com José Galiano, o grupo formou mais de 250 actores nas diversas áreas que compunham a grelha curricular, estando a maioria inclinada nas áreas de actor, câmera-man e realizador.

Com uma duração variável entre três e quatro meses, os cursos proporcionaram aos formandos conhecimento teórico e prático, fazendo com que alguns deles pudessem obter alguma experiência, através da participação dos ensaios de peças criadas pelo Horizonte ao longo dos períodos de formação.

Para o colectivo, 2023 assinalou-se como um ano positivo, apesar de algumas limitações, apontando a carência de materiais electrónicos como um dos principais entraves no processo de capacitação.

“Sentimos que 2023 foi um ano bastante positivo, porque conseguimos realizar as principais actividades que tínhamos programado. Houve alguma limitação, sobretudo concernente à carência de materiais para a filmagem, computadores e alguns meios electrónicos, mas com a nossa resiliência conseguimos dar o nosso melhor e formar perto de 300 alunos”, avançou o actor.

Sublinhou que a falta de materiais inibiu a realização do curso de edição de imagens e vídeos (video-maker) fazendo com que a organização se limitasse aos concursos que envolvem mais representação e dramatização.

Aposta na inovação

Com a realização das formações, o Horizonte Njinga Mbande deu espaço à inserção de “sangue novo” ao leque de actores que compõem o colectivo, permitindo maior inovação e criatividade na concepção das peças teatrais.

Embora estejam ainda num processo de adaptação, Galiano frisou que os novos actores têm sido um reforço considerável para o grupo, facilitando a encenação de peças que envolvem vários personagens.

À experiência dos veteranos juntam-se a ousadia e a criatividade dos mais novos, permitindo a criação de novas cenas que atraem o público tanto juvenil quanto os mais “kotas”.

Esta fusão, explicou o actor, tem permitido atrair cada vez mais um público diversificado, fazendo com que mais pessoas se sintam identificadas com as estórias apresentadas nas peças ganhem interesse pelas apresentações.

“Visto que as pessoas ainda vivem com algum receio por causa das restrições do tempo da pandemia, voltar a ter uma grande adesão às salas de teatro era missão muito difícil, mas graças ao trabalho colectivo e com algumas inovações começamos a ter mais pessoas a assistirem as peças e aos poucos passamos a ter as salas um pouco mais cheias se comparada a 2022”, salientou.

Projecções para 2024

Para o presente ano, que acabou de arrancar, o Horizonte Njinga Mbande diz estar focado na realização de actividades e projectos que, por razões de força maior, não conseguiu realizálas, assim como na concretização de novos desafios.

Uma das ambições para o presente ano é a conquista de um espaço autónomo para a realização de ensaios e apresentação dos espectáculos, sendo que a Escola Njinga Mbande é um local provisório usado pelo colectivo fruto de um acordo mútuo entre o grupo teatral e a direcção daquela instituição de ensino.

Consta, igualmente, nas projecções do grupo teatral a produção de uma série televisiva através da qual tenciona fazer chegar às telas das famílias angolanas as inúmeras peças já apresentadas pelo conjunto e outras ainda por se criar.

Ainda sem data de arranque para as gravações, o porta-voz do colectivo adiantou que se está a trabalhar na busca de apoios e parceria para a execução dos primeiros passos do projecto.

Expansão para outras províncias

Fez saber ainda que o grupo tenciona expandir os seus trabalhos para outros palcos fora de Luanda, perspectivando realizar igualmente formações de capacitação a grupos e actores de outras províncias.

Sem adiantar quando nem por quais províncias pretende começar, José Galiano garantiu que tão logo estejam reunidas as condições e encontrados os apoios devidos poderão avançar informações detalhadas sobre o projecto.

Fora dos palcos, o histórico colectivo de artes com mais de três décadas de existência reitera a continuidade da aposta na formação e na inclusão de cada vez mais jovens ao mundo das artes, tendo o teatro como o seu “anzol” para ajudar a retirar o maior número possível de jovens de caminhos desviantes.

Através do teatro o Horizonte pretende ajudar a juventude no quesito da profissionalização e autoemprego, apontando a arte cénica como uma ferramenta que, quando bem aproveitada e um investimento sério no sector, garante o sustento de dezenas de famílias.

Celebração dos 37 anos de existência

Fundado a 08 de Outubro de 1986, por Adelino Caracol e Ezequiel Issenguel, em Luanda, o colectivo de artes Horizonte Njinga Mbande celebrou no ano passado 37 anos de existência com a apresentação da primeira edição do festival “Os Clássicos do Horizonte Njinga Mbande”.

Tratou-se de um evento que visou juntar as principais peças teatrais que marcaram o percurso histórico do movimento ao longo das décadas de existência.

O festival procurou congregar vários artistas e actores que já passaram pelo colectivo, com destaque para Nestor Goubel, actual porta-voz do Comando Provincial da Polícia Nacional de Luanda, Maria Teresa, empreendedora, Solange Feijó, directora-geral da Companhia Artes Sol, e outros.

No presente ano de 2024, o grupo garante a possibilidade de o festival ser realizado trimestralmente com o intuito de manter patente a marca do grupo e, sobretudo, trazer para o palco figuras que marcaram os feitos do colectivo ao longo dos mais de 35 aos de existência.

“O objectivo é podermos resgatar aqueles actores que já fizeram parte do colectivo e, apesar de já não fazerem parte, continuam a dar um grande contributo a nível da cultura e noutros sectores sociais”, disse Aldmiro Benjamim, numa entrevista a este jornal.

Na ocasião, o actor adiantou que ao longo das edições serão convidados dezenas de actores que marcaram o percurso do colectivo e algumas figuras ligadas ao universo cultural, em especial do teatro, a nível nacional.

 

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