Angola já foi uma potência desportiva em várias modalidades. Hoje, porém, assiste ao declínio de diversas disciplinas individuais, condicionado pela falta de investimento, pela insuficiência de infra-estruturas e pelo fraco apoio institucional. Um cenário que contrasta com o potencial da juventude angolana e com a atenção concentrada no futebol
Olhar para o desporto em solo angolano hoje dá uma grande tristeza, porque vemos um vazio onde antes existiam muitos talentos. A obsessão só pelo futebol fez com que se ignorasse a destruição dos outros desportos que, mesmo com pouco dinheiro, davam orgulho ao país. Houve um tempo em que o no me de Angola era respeitado lá fora graças aos atletas corajosos que superavam todas as dificuldades por amor à camisola.
Nas piscinas, atletas como a Nádia Cruz e a Ana Lima nadavam com muita garra e levavam a bandeira nacional aos pontos mais altos. Nas pistas e na estrada, as corridas do João Ntyamba, António Esperança, Isidro Louro, da Ana Isabel e as pedaladas de Alberto da Silva “Pepino”, e Antónia de Fátima Moreira “Faia”, no judo, mostravam a grande força do atleta angolano.
Hoje, todo esse passado de glória foi esquecido por causa do abandono e das más decisões de quem dirige o desporto, deixando de se apoiar a base como se os campeões aparecessem do nada. O grande problema começa logo no desporto escolar, que hoje praticamente deixou de existir. As escolas, que antes serviam para descobrir novos talentos nos bairros, hoje estão abandonadas e sem condições.
A maioria não tem campos, pistas, balizas, redes, nem sequer bolas para as crianças jogarem. Sem desporto nas escolas, milhares de jovens com grande capacidade nunca chegam a ter a oportunidade de praticar uma modalidade.
Por: Kiameso Pedro








