O escritor, professor e jurista António Cláver vai lançar, no dia 4 de Dezembro deste ano, em Luanda, o livro “O Incómodo de Pensar”, uma obra que desafia os leitores a questionar o silêncio perante as injustiças, as relações de poder e os comportamentos sociais.
Na sua nota prévia, o autor explica que a obra nasceu de uma inquietação sobre a tendência de as pessoas deixarem de questionar determinadas situações, não necessariamente por serem justas, mas por se terem tornado habituais.
Entre os temas abordados está o silêncio perante as injustiças, sobretudo nos ambientes profissionais, nas instituições e na política, reflectindo sobre as circunstâncias que levam as pessoas a ponderar as consequências de expressar as suas opiniões e a optar, em determinadas situações, por não se manifestarem.
António Cláver considera que, quando o silêncio deixa de ser uma escolha pontual e passa a constituir uma regra, a injustiça corre o risco de deixar de ser vista como uma excepção. Nesse contexto, chama a atenção para situações em que o favor pode substituir o direito e a crítica ser interpretada como ingratidão.
Outro eixo da obra é a distância entre governantes e governados, assim como entre chefias e subordinados. O autor questiona a forma como se normaliza a ideia de que determinados espaços de poder são inacessíveis a parte da sociedade, limitando a participação dos cidadãos nos processos de decisão.
O autor defende ainda a possibilidade de transformação através da valorização da crítica, do reconhecimento da competência, do diálogo nas famílias e da construção de instituições mais abertas à participação.
A reflexão estende-se também às sociedades de Angola, Cabo Verde e Brasil, referidas pelo autor como contextos em que o receio de falar, questionar ou intervir pode influenciar comportamentos e contribuir para uma cultura de adaptação, contenção e sobrevivência.
Na apresentação da sua proposta, António Cláver esclarece que não pretende oferecer respostas definitivas nem apresentar um manual de autoajuda, mas estimular o pensamento crítico e levar os leitores a questionarem aquilo que, por força do hábito, parece inevitável.
A obra aborda ainda a paternidade, o amor, a educação, a identidade e as responsabilidades individuais e colectivas, procurando relacionar as escolhas pessoais com as estruturas sociais e as convicções culturais.
Biografia do autor
António Cláver é professor, jurista, pai e cidadão angolano. Entre os seus interesses estão a leitura, as viagens, o contacto com outras culturas e a descoberta de diferentes perspectivas sobre o mundo e as pessoas.
Enquanto jurista e professor, valoriza a importância das normas, dos conceitos e dos argumentos, reconhecendo, ao mesmo tempo, que a realidade humana nem sempre se enquadra integralmente nas categorias utilizadas para a compreender.
A sua relação com a escrita está também ligada à vontade de participar na construção da sociedade em que vive, através do questionamento, da intervenção cívica e da promoção de uma consciência colectiva mais crítica.
A obra “O Incómodo de Pensar” marca a sua estreia literária e reflecte a convicção de que pensar de forma autónoma é uma forma de liberdade e uma responsabilidade individual e colectiva.









