A FundCube lança oficialmente, amanhã, 28 de Outubro, o modelo de financiamento colaborativo por recompensa, destinado a empreendedores, pequenas empresas, artistas e outros criadores que procuram apoio para concretizar os seus projectos. Em entrevista ao jornal O PAÍS, o fundador da plataforma, Carlos Saturnino, explica as vantagens da nova modalidade, apresenta os resultados alcançados nos últimos dois anos e aponta as perspectivas de crescimento da iniciativa, que já realizou 53 campanhas e angariou 1,4 mil milhões de kwanzas. O lançamento terá lugar às 17h00, no Palácio de Ferro, em Luanda, e incluirá uma demonstração prática do funcionamento do modelo
O que motivou a FundCube a lançar o modelo de financiamento colaborativo por recompensa?
A decisão resulta da nossa vontade de continuar a desenvolver a plataforma e alargar as possibilidades disponíveis para os promotores de projectos. O modelo de doação permite apoiar uma causa ou iniciativa sem esperar uma contrapartida. Com o modelo de recompensa, passamos a oferecer uma alternativa em que a contribuição pode estar associada a um produto, serviço ou benefício definido pelo promotor. Pretendemos criar mais oportunidades para que empreendedores, pequenas empresas, artistas e outros criadores mobilizem recursos e envolvam as comunidades em torno das suas ideias.
Esta modalidade é uma novidade no mercado angolano?
É um modelo utilizado internacionalmente e existem referências anteriores a iniciativas do género em Angola. A novidade está na disponibilização e operacionalização desta modalidade pela FundCube, alargando as opções existentes na plataforma. Mais do que apresentar uma nova funcionalidade, queremos contribuir para o desenvolvimento do ecossistema de financiamento colaborativo no País, oferecendo aos promotores mais ferramentas para mobilizar apoio e concretizar os seus projectos.
O que distingue o modelo de recompensa da modalidade de doação?
A principal diferença está na possibilidade de associar a contribuição a um benefício previamente definido. Na doação, o apoio é motivado pela vontade de contribuir para uma causa ou projecto, sem contrapartida. No modelo de recompensa, o promotor pode disponibilizar diferentes benefícios em função dos valores contribuídos. Um autor, por exemplo, pode angariar fundos para publicar um livro e oferecer exemplares aos apoiantes. Um músico pode procurar recursos para produzir um álbum e disponibilizar artigos ou experiências associados ao seu trabalho. Desta forma, a plataforma também pode ajudar os promotores a divulgar as suas propostas, testar o interesse do público e estabelecer relações mais próximas com potenciais clientes.
Que oportunidades esta modalidade cria para empreendedores e pequenas empresas com dificuldades de acesso ao crédito tradicional?
Constitui uma alternativa complementar aos mecanismos tradicionais. Nem todos os projectos conseguem obter crédito bancário ou atrair investidores nas fases iniciais. Através de uma campanha, o promotor pode apresentar a sua ideia, explicar o que pretende concretizar e mobilizar contribuições junto de pessoas interessadas. Além de reunir recursos, a iniciativa permite testar a aceitação de um produto ou serviço, conquistar os primeiros clientes e construir uma comunidade em torno do projecto. Para os empreendedores angolanos, representa uma oportunidade de dar visibilidade às suas propostas e procurar apoio para avançar com as diferentes etapas de desenvolvimento.
Que resultados a FundCube alcançou nos últimos dois anos?
Realizámos 53 campanhas, através das quais foram angariados 1,4 mil milhões de kwanzas. Estes resultados demonstram a capacidade da plataforma para mobilizar recursos em torno de diferentes iniciativas. A experiência acumulada permite-nos melhorar a solução e responder às necessidades dos promotores. O lançamento do modelo de recompensa insere-se nessa evolução, ao diversificar as possibilidades de utilização da plataforma.
A FundCube estima mobilizar 75 milhões de kwanzas. Como se enquadra esta meta na estratégia da empresa?
Esta estimativa traduz a nossa ambição de ampliar a capacidade de mobilização de recursos e contribuir para o desenvolvimento desta modalidade em Angola. Queremos criar condições para que mais promotores apresentem os seus projectos, alcancem potenciais apoiantes e encontrem alternativas para concretizar as suas ideias. O crescimento deverá ser acompanhado pelo desenvolvimento da plataforma, pelo reforço das parcerias e pela confiança dos utilizadores.
Que papel têm desempenhado os parceiros da FundCube neste percurso?
O desenvolvimento deste ecossistema exige cooperação entre diferentes actores. Temos contado com a colaboração de parceiros como a AES, o Ninho de Pérolas, a BODIVA, a BFA Capital Markets, o Founder Institute e a ECOANGOLA. Estas relações aproximam a plataforma de organizações com experiência nos mercados de capitais, no empreendedorismo, na inovação e na sustentabilidade. Acreditamos que a cooperação institucional pode ampliar o conhecimento sobre as alternativas disponíveis e criar oportunidades para os promotores de projectos.
Como será apresentado o novo modelo ao público?
O lançamento oficial, marcado para amanhã, 28 de Outubro, às 17h00, no Palácio de Ferro, em Luanda, incluirá uma demonstração prática através de uma campanha activa na plataforma. Pretendemos mostrar como os promotores podem estruturar as suas campanhas, definir níveis de contribuição e apresentar as respectivas recompensas. O evento permitirá igualmente partilhar os resultados da actividade da FundCube, destacar parcerias e ouvir testemunhos de promotores que já utilizaram a plataforma. Queremos demonstrar, de forma concreta, como este mecanismo pode aproximar projectos e apoiantes.
Que cuidados devem ter os promotores na preparação de uma campanha?
É fundamental apresentar uma proposta clara, definir objectivos realistas e explicar como serão utilizados os recursos angariados. No modelo de recompensa, é igualmente importante estabelecer benefícios adequados à natureza do projecto e garantir que podem ser entregues nas condições anunciadas. A transparência na comunicação e o cumprimento dos compromissos assumidos são essenciais para construir confiança. Os potenciais apoiantes devem compreender a iniciativa, conhecer os seus objectivos e dispor de informação suficiente para decidir se pretendem contribuir.
Que perspectivas tem a FundCube para os próximos anos?
Pretendemos continuar a desenvolver a plataforma, diversificar as modalidades disponíveis e chegar a um número crescente de promotores e apoiantes. O lançamento do modelo de recompensa é uma etapa desse percurso. A nossa ambição é contribuir para que mais ideias encontrem condições para se transformar em projectos concretos. Queremos aproximar quem tem ideias de quem está disposto a apoiá-las, criando oportunidades para empreendedores, empresas, artistas e outros criadores e reforçando o contributo desta ferramenta para o desenvolvimento económico e social de Angola.








