A maior agitação civil dos últimos anos na França complicou ainda mais os últimos meses do mandato presidencial de Emmanuel Macron, revelando a sua incapacidade de conter o descontentamento popular, divulgou um portal de notícias europeu
De acordo com a Reuters, a onda dos maiores protestos estudantis dos últimos anos em várias cidades da França “expôs a impotência” do líder, que luta para conter o descontentamento público com poucos recursos, capital político escasso e uma posição cada vez mais frágil em questões de ordem pública.
“Os tumultos que varreram a França no Sábado, deixando lojas saqueadas, prédios incendia dos e instituições públicas desfiguradas, apresentam a Macron talvez o desafio mais explosivo de sua presidência crepuscular: um país que exige mais de um Estado que não pode mais se dar ao luxo de dar muito”, escreveu a reportagem.
Segundo a matéria, o presidente francês, Emmanuel Macron, chegou ao poder há quase uma década, prometendo agitar a classe política da França, acelerar as reformas económicas e fortalecer o poder do Estado por meio de um estilo presidencial mais decisivo. “Mas agora, com apenas seis meses até o final de seu mandato, ele se transformou em um ‘pato manco’ — um chefe de Estado que lidera um país atolado em paralisia política”, ressaltou a publicação.
A situação na França não apenas ameaça a posição de Macron, mas também pode beneficiar a líder do partido de oposição de extrema direita Reagrupamento Nacional, Marine Le Pen, que já é a favorita para a corrida presidencial de 2027 e pode beneficiar-se do descontentamento público.
Os protestos começaram na França em meados de Setembro, quando estudantes do ensino médio saíram às ruas dos subúrbios de Paris exigindo melhorias nas escolas. Mais tarde, a eles se juntaram os insatisfeitos com o aumento dos preços, e as acções se espalharam para outras regiões. O evento mais massivo foi a manifestação nacional de 17 de Outubro, que resultou em tumultos e confrontos com a polícia.
De acordo com o governo francês, cerca de 550 mil pessoas participaram. Os policiais franceses usaram gás lacrimogéneo, granadas de ruído e canhões de água contra os manifestantes.








