N a sequência da mensagem apre sentada pelo Presidente da República, João Lourenço, para assinalar o 1.º de Junho, Dia Internacional da Criança, recebi de um amigo uma mensagem via WhatsApp, perguntando: “É só assim mesmo, afinal, que Angola queremos deixar para o futuro das nossas crianças?” Sem pestanejar e nem pensar duas vezes, no mesmo instante, como “manpelas trungunguero” que sou, lhe “devolvi” a mensagem também questionando: “As sim fica como, afinal, que crianças queremos deixar para o futuro de Angola?” Voltando a atenção para a mensagem do Chefe de Estado, uma reflexão em prol da infância divulgada na segunda-feira, foi realçada a responsabilidade per manente das famílias angolanas em defesa do desenvolvimento harmonioso das crianças, variável social implacável que, por estes dias, está associada à passividade estrutural da sociedade angolana, quer na sua dimensão, bem como na sua conjuntura.
As crianças não podem estar constantemente a perguntar aos pais o que é que Angola pode fazer por mim ou o que o país vai me dar amanhã. Ao contrário, as famílias, a escola e até o próprio Estado é que devem ter mecanismos para ajudar as nossas crianças a encontrar respostas à grande questão: o que é que posso fazer por Angola? A sociedade angolana atravessa uma das suas fases mais críticas, marcada por uma desconfiança pública sem precedentes nas instituições, descolada da realidade.
“Se vocês, criançada, fizerem da escola a vossa segunda casa, vão também fazer das vossas casas a vossa primeira esco la”, dizia o meu professor da 1.ª classe, Samuel Satumba, de feliz memória. A educação, seja ela na família, na creche ou na escola, é uma questão de dignidade e prioridade nacional.
Ponto e parágrafo. Sem uma base educacional sólida, em que as crianças devem ser instadas a seguir regras, códigos éticos, morais, a terem um sen tido de compromisso com a comunidade, uma participação activa na sociedade, uma oportunidade para construir um projecto de vida coletivo como propósito e sentido de responsabilidade, qualquer sociedade está condenada a tropeçar no seu próprio caminho.
Em qualquer discussão sobre o progresso e a eficácia de políticas públicas voltadas para o acesso básico à educação, à saúde e à alimentação adequada para as nossas crianças, os dados são cruciais.
Conhecer a nossa realidade de forma mais profunda, em que te mos crianças que estudam debaixo das árvores ou numa escola como aquela situada no Cacuaco, conhecida como “três cocos”, que zungam distâncias para fazer o garimpo de ouro, sem falar das que são feitas até de “matondorinho” dos chineses como mão de obra barata, implica não só recolher dados, mas também compreendê-los e agir de acordo.
As políticas precisam de ser quase sempre (re)ajusta das à medida que novos dados são recolhidos e analisados, garantindo que estamos a construir um presente com direcção e um futuro com rumo, que realmente sirva os interesses das nossas crianças.
Por fim, quando os adultos hesitam em assumir o seu papel de orientadores, cedendo facilmente a pressões externas, desistindo do seu importante papel de guias, deixam as nossas crianças mais vulneráveis, num mundo em que elas não têm recursos para se orientarem sozinhas. Porque a forma como uma socie dade trata as suas crianças revela o tipo de futuro que está a construir no presente.
Por: NZONGO BERNARDO DOS SANTOS
Se é ao de olhar de cima para baixo ou de baixo para cima.






