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É de hoje…Amnista geral, para quê te quero!

Dani Costapor Dani Costa
20 de Maio, 2026
Em Cronica de Dani Costa, Opinião

Foi em tempo de paz que o Presidente José Eduardo dos Santos classificara a corrupção como o segundo mal, depois da guerra entre 1975 e 2002, altura em que morreu Jonas Savimbi. Desde então, são várias as estimativas feitas sobre o quanto o país terá perdido.

Um estudo da Universidade Católica, em 2019, apontava para um desfalque na ordem dos 20 mil milhões de dólares norte-americanos de um total de 150 mil milhões que terão sido direccionados para a construção de obras entre os anos 2002 e 2017.

Tendo em conta a dimensão do prejuízo, não era de estranhar que o país regularmente constasse do pódio entre as nações onde se dizia existir uma corrupção acentuada. Organizações como a Global Witness, Amnistia Internacional e tantas outras não se cansavam de apontar o dedo a Angola e, inclusive, a alguns dos seus res- ponsáveis por conta do saque desenfreado de que muitos eram suspeitos de ter participado.

Independentemente dos resultados existentes, para alguns satisfatórios, para outros não, só desde a implementação do combate à corrupção, já no consulado do Presidente João Lourenço, é que a imagem do país melhorou drasticamente. Foi graças a esta política que, no índice de percepção da corrupção, o país assumiu posições até então não observadas.

Quando se lançou o processo de repatriamento de capitais, com o Estado angolano exigindo somente que aqueles que se locupletaram viessem investir no país, houve movimentações no seio da oposição política defendendo que esta garantia era uma espécie de benefício para quem tivesse delapidado os fundos públicos.

A ideia que se vendia era de que se queria beneficiar os infractores. De tal modo que, numa contraproposta, por exemplo, a UNITA pretendia que, em caso de repa- triamento de capitais, se pudesse atribuir 49 por cento do valor a quem repatriasse, e o restante ficasse com o Estado.

Para muitos daqueles que enviaram dinheiro para o exterior, alguns destes, de forma indevida, já não viam com bons olhos a proposta inicial; dificilmente aceitariam fazê-lo nos moldes sugeridos pelo maior partido da oposição.

Embora muitos tenham amealhado largos milhões de dólares a custa do Estado angolano, sentem-se senhores e donos das fortunas obtidas em contratos que acabaram por lesar os angolanos, muitos dos quais se viram privados de escolas, hospitais, estradas condignas e outras infra-estruturas públicas.

As últimas informações apontam para a necessidade de uma amnistia global a todos os que terão cometido crimes económicos nos últimos tempos, ou seja, muitos dos quais se terão beneficiado em detrimento de milhares de angolanos.

A construção de uma sociedade sã e livre de vícios não pode ser avessa aos bons costumes. Passar um ‘paninho manso’ a muitos que terão contribuído para hoje se viver numa terra em que falta quase tudo para muitos não seria um bom presságio.

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