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É de hoje…Triste sina

Dani Costapor Dani Costa
12 de Maio, 2026
Em Cronica de Dani Costa, Opinião

Sempre que posso, recuo no tempo. Aliás, só assim conseguimos nos desfazer de algumas coisas más que atormentam a nossa memória, muito por conta da depredação que o Homem Novo nos vai proporcionando. Quando mais novos, no Cazenga em que vivemos, era possível ver muitos campos pelados, onde se davam os primeiros passos no futebol, e de lá saíram alguns craques que despontaram intramuros e além-fronteira.

Muitos dos espaços estavam localizados em áreas devidamente organizadas, o que não impediu a ganância de uns em os ocupar. Como consequência, hoje, depois de meio século de independência, vimos os bairros, comunas e municípios completamente transformados.

Não importa se estejam dentro de um projecto devidamente organizado, ainda assim, hoje muitos dos espaços públicos não resistem. Depois do alcance da paz no país, o Executivo edificou algumas centralidades, onde se esperava que os cidadãos pudessem viver sem os problemas que ainda agudizam a periferia, incluindo a construção anárquica de imóveis ao seu redor. Nasceram o Kilamba e o Sequele em Luanda.

E outras centralidades pelo país, principalmente nas principais capitais. Zonas onde os cidadãos se inscreveram para buscar sossego e qualidade de vida, diferente daquelas que tinham nos seus bairros originários. À medida que o tempo vai passando, o sossego e estes aglomerados habitacionais se vão esfumando.

Os espaços vazios, alguns dos quais dariam lugar a projectos sociais do próprio Estado, vão dando lugar a nossas construções, muitas das quais distantes daquilo que se poderia esperar nas referidas zonas. É este o cenário que se assiste naquelas centralidades que eram autênticas ex-libris, como Kilamba, onde os seus espaços vazios não resistiram à apetência desenfreada de muitos, sem qualquer intervenção das próprias autoridades.

A cada dia que passa, a alma e a paz de espírito que se pensava poder existir vão se esfumando. Na mesma senda, outras centralidades no país vão seguindo o ritmo. Sem qualquer pejo, quase que já não restam espaços. E pior é que as construções não obedecem sequer àquilo que inicialmente estava programado. Não nos espantemos se brevemente encontrarmos becos em plenas centralidades, porque é este o caminho que vai sendo gizado pela balbúrdia em curso.

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