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A reputação não sobrevive apenas da narrativa

Jornal OPaísPor Jornal OPaís
28 de Abril, 2026
Em Opinião
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Tempo de Leitura: 4 mins de leitura
A reputação não sobrevive apenas da narrativa

O dramaturgo grego Menandro (342 292 a.C.) cunhou uma citação bastante interessante e que se encaixa perfeitamente no tema: “O que persuade é o carácter de quem fala e não a sua linguagem”. Inicialmente, pode parecer uma ideia discordante, mas, após alguns minutos de reflexão, percebe-se que a linguagem, por si só, não constrói reputação.

Assim, a reputação é o “casamento” entre os princípios de fendidos e as acções praticadas. Funciona como um “crédito de confiança” adquirido por meio da consistência, do reconheci mento e da boa vontade acumulados ao longo do tempo. Quando esse crédito se perde, instalam se a desconfiança, a desvalorização e a estigmatização social.

A reputação é um dos principais patrimónios de qualquer instituição ou figura pública. Monitorar percepções, públicos e impactos da reputação positiva. Já a narrativa refere-se ao discurso estratégico que uma marca, em presa ou pessoa utiliza para explicar quem é, o que faz, quais são os seus valores e como deseja ser percebida.

A imagem positiva não depende apenas da veracidade dos factos, mas também da confiança previamente construída e da forma como o público reage às impressões. Em crises de imagem, o julgamento público costuma ser rápido, enquanto o perdão tende a ser lento. Reconstruir a credibilidade exige tempo, transparência e consistência nas acções.

Neste contexto, a visita do Papa Leão XIV constituiu um marco para Angola e para os fiéis católicos. O seu apelo a um desenvolvimento humano integral e a uma governação centrada na pessoa, serviu como uma chamada de atenção, trazendo à tona a distância entre discursos frequentemente bem ela borados e a realidade concreta, sobretudo quando estes não se traduzem em práticas efectivas.

Assim sendo, a reputação de um país, tal como a de qualquer instituição, não resulta apenas da sua capacidade de comunicação, mas da consistência das suas políticas públicas e do impacto real na vida dos cidadãos.

Desta forma, a visita e a mensagem do pontífice não devem ser vistas apenas como um evento simbólico, mas como um contributo para o debate público sobre governação, ética e responsabilidade política, relembrando que a verdadeira reputação constrói se na convergência entre discurso, valores e prática governativa.

O primeiro passo paragerir a reputação consiste em definir, de forma clara, a identidade e o posicionamento. Nesse processo, entram valores, missão, visão, tom de comunicação, proposta de valor e diferencial competitivo.

Sem coerência entre discurso e prática, torna-se difícil sustentar uma reputação sólida. O segundo passo relaciona-se com a monitorização da percepção pública. Isso envolve uma equipa multidisciplinar experiente ou uma agência capaz de acompanhar redes sociais, meios de comunicação, comentários de clientes e outros indicadores relevantes.

O terceiro passo implica a construção de credibilidade de forma contínua, por meio de entregas consistentes, transparência, cumprimento de prazos, qualidade de serviço e ética profissional. Com as novas tecnologias de in formação, gerir crises profissionalmente tornou-se um desafio para muitas instituições.

É necessário responder com rapidez, assumir responsabilidades quando necessário, explicar medidas correctivas e evitar silêncios prolongados. Afinal, uma crise mal gerida pode com prometer anos de trabalho árduo.

Outro aspecto essencial é a adopção de uma comunicação estratégica voltada para o fortalecimento das relações com stakeholders, nomeadamente colaboradores, clientes, parceiros, comunicação social e a comunidade. Relações sólidas geram confiança e ajudam a consolidar reputações duradouras. Hoje, reputação digital é responsável pela primeira impressão.

Manter o site actualizado, redes sociais activas, boa presença nos motores de busca e responder profissionalmente às críticas são factores determinantes. Por fim, medir regularmente a percepção pública permite avaliar indica dores como satisfação do cliente, nível de confiança, reconhecimento de marca e menções positivas ou negativas.

A reputação não é estática; ela exige acompanhamento permanente. Retomando a reflexão de Menandro, percebe-se que a reputação não nasce apenas daqui lo que se diz, mas sobretudo daquilo que se é e do modo como se age.

A linguagem pode convencer momentaneamente, mas é o carácter (individual ou institu cional) que sustenta a confiança ao longo prazo. Em última análi se, reputação é coerência visível: quando discurso, valores e com portamento caminham na mesma direcção A reputação não é um espelho do que se diz, mas uma sombra do que se faz. E como toda sombra, segue sempre a luz das nossas acções, fiel, constante e inevitável.

Por: OLÍVIO DOS SANTOS

*Consultor de Comunicação Integrada

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