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OPAÍS

O poder já mudou de lugar — e África ainda está a olhar para o mapa errado

Jornal OPaísPor Jornal OPaís
17 de Abril, 2026
Em Opinião
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Tempo de Leitura: 3 mins de leitura
Apreendidas nove armas de fogo e detidos mais de cem suspeitos

Há momentos na história em que o mundo muda sem fazer barulho. Como o rio Kwanza, que parece tranquilo à superfície, mas por baixo carrega uma força que redesenha margens inteiras sem pedir licença.

O poder hoje é assim. Silencioso para quem observa à distância. Implacável para quem não percebe que ele já mudou de lugar. E o problema é simples — e perigoso:

muitos continuam a procurar o poder onde ele já não está. Durante séculos, disputámos território com mapas, fronteiras e exércitos. Hoje, o território mais decisivo não aparece em nenhum atlas: é a percepção global. Quem controla a narrativa não apenas conta a sua história — define o seu valor no sistema internacional. E aqui África entra em desvantagem.

Angola conhece bem o peso de uma narrativa mal construída. Durante anos, fomos reduzidos a uma equação simplista: conflito, petróleo, sobrevivência. Mas a realidade sempre foi outra: resiliência, reconstrução, criatividade, ambição.

O problema nunca foi a falta de história. Foi a falta de controlo sobre quem a conta. Porque um País sem narrativa própria é como um semba tocado sem ritmo — pode ter melo dia, mas ninguém dança.

E no sistema internacional, quem não define o ritmo…é conduzido por ele. Há outro erro estrutural que compromete o futuro — e o presente. África continua a tratar a juventude como promessa.

Quando, na verdade, ela já é o principal instrumento de poder do continente. A juventude não é futuro. É força activa — hoje. Mas está desorganizada. É como o Kuduro sem coreografia: energia explosiva, ta lento evidente, impacto imediato… mas sem direcção estratégica, nunca se transforma em movi mento global. E aqui está a falha crítica:

África tem a maior população jovem do mundo — mas não tem o maior sistema de mobilização jovem do mundo. Isso não é um atraso. É uma vulnerabilidade estratégica.

Porque no século XXI, poder não é apenas recursos. É capacidade de mobilizar pessoas — em escala. E depois há o erro mais subestimado de todos. O desporto. Enquanto muitos ainda o tratam como entretenimento, as grandes potências já o transformaram numa ferramenta central de influência global. O desporto hoje é:

• diplomacia sem resistência
• identidade em escala massiva
• economia emocional com retorno político Angola tem aqui uma metáfora clara.

O talento nasce todos os dias nos bairros de Luanda. Mas talento sem sistema não gera poder. E o desporto africano, no seu estado actual, é como um dia mante bruto da Lunda — de valor incalculável, mas sem lapidação estratégica, permanece subavaliado no mercado global. Isto não é falha cultural. É falha de estrutura.

Leia mais em…

Por: EDGAR LEANDRO

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