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OPAÍS

O que tem havido e sido feito?

Jornal OPaísPor Jornal OPaís
16 de Março, 2026
Em Opinião
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Tempo de Leitura: 5 mins de leitura
Apreendidas nove armas de fogo e detidos mais de cem suspeitos

Hoje, numa frequência que desafia qua se tudo, vive-se uma moda que atropela alguns princípios, valores, ética que, noutrora, ditavam a pintura de uma sociedade bela, às vezes, até organizada e, como tudo está em constante mudança, tu do está numa forte relatividade.

Ao perguntar-se sobre o que tem havido e tem sido feito, já de antemão, é desafiar-se a desdobrar acerca do que seria condenado, na medida em que atropela a moral social, mas, faz chover aplausos, forma de queimar calorias, manifestar a jovialidade da vida que deve ser aproveitada por ser curta.

Quando se trata da cultura, da identidade, da angolanidade, pela força da sociedade, vem mu dando e incrementando uma outra definição do que se conhece bem como o estilo KUDURO — que antes era detentor de adjectivos invasivos por causa dos com portamentos que os seus fazedores apresentavam no dia a dia, para um bom número de parentes, fazia com que os seus filhos fossem proibidos quer de ouvi rem as músicas do estilo em causa, quer de verem a fazê-lo, pois, naquela altura, o filho tonar-se ia num criminoso ou cangaceiro, conquanto alguns pais tivessem razão, porque é notável não só o que se proibia naquela época, mas também uma outra conduta de alguns que está a intensificar o consumo de conteúdos desprovidos de muitos valores que ditam o bom perfil da nossa sociedade.

O tempo, para aqueles progenitores, evidenciou esforços de trazer o contrário, uma vez que, para os seus fazedores, o kuduro passou a ser uma forma de mudar a vida, ganhar o pão, uma profissão, ou seja, ao andar do tempo, o kuduro, em Angola, passou a ter uma semântica antagónica perante o que era pensado contra ele. Por sua vez e por causa dessa nova roupagem que veio a ganhar em todos os cantos do país, ele começou a ser considerado como uma parte da cultura e identidade angolana além-fronteira.

Hoje, o kuduro já não é o mesmo diante dos motivos que lhe fizeram sobrevir de acordo com a vi são dos seus precursores, porque, apesar de haver boas mensagens em pouca escala ultimamente, os conteúdos ou letras e, para piorar, coreografias de alguns irrompem contra a moral, a ética, o civis mo, o respeito pela cultura, a pura identidade angolana, o respeito (tal como é chamado em Kikongo: luzitu) perante os anciões.

Ouve-se à torto à direito, inevitavelmente (em algumas festas tais como: aniversários, alambamentos, casamentos e o mesmo sucesso em serviços comer ciais “facultativo” ou em espaços onde a moral, a ética e civismo seriam uma lei inviolável) músicas cujas letras assustam certos moralistas e agradam os seus verdadeiros consumidores.

E em casas e nas demais con junturas familiares tam bém tocam e são repetidas pelos ouvintes? A resposta é: sim! Aqui, é como aquele adágio que diz que a mentira, quando é repetida várias vezes, torna-se uma verdade irresistível e irrefutável, razão pela qual, nesse ponto, tu do é normalizado, sem vergonha, sem receio de que algo imoral chegue aos ouvidos de um ancião e, como as crianças aprendem mais em ver e no que os mais velho fazem, dizem habitualmente, elas também avançam sem quererem ser possuídas pelo atraso bem co mo, quando estas crianças estiverem a interpretar coreografias sensuais, tem havido um grupo de mais velhos a elogiar e aplaudir, servindo como um encorajamento silencioso ao invés de repudiar.

Dentro das disfunções das mass média encontram-se estruturas apresentadas e definidas por Mel vinde Fleur e a primeira, que serve apenas de menção, prova que a mera presença dos mass média quanto à sociedade, no seu conjunto, manifestam-se, por sua vez, no facto de os fluxos informativos que circulam livremente poderem “ameaçar a estrutura fundamental da própria sociedade”.

A estrutura fundamental da sociedade aludida, nada mais e na da menos, é a família, porquanto é nela que vem a pessoa, já com uma uma certa educação, e, no geral,

contribuirá para o crescimento da sociedade, mas também aprenderá com ela. O fluxo informativo tem, sim, a ver com a falta, muitas das vezes, de delimitação da natureza dos conteúdos passados por algumas cadeias televisivas, radiofónicas e, sendo de rigor atenção, falta de uma boa censura da entidade a quem este poder e de ver compete e isso causa a verdadeira «disfunção narcotizante».

O Ministério da Cultura deveria entender que tem o dever de criar departamentos de análises que, para garantia dos valores morais, culturais e identitários, velariam na censura do que é cantado e que houvesse uma lei que penalizasse todos aqueles que, nas suas letras e coreografias, ouve-se e vê se mais insanidade.

Ou seja, que comece apartir de quem escreve e canta, de quem grava, de quem patrocina, de quem promove, de quem toca nos lugares públicos, para todo este colegial, ao me nos, uma boa multa e uma pena de prisão de dois ou quatro meses. Urge a necessidade de algo ser feito, pois, no pretérito, o kuduro foi um estilo que sofreu muita perseguição e conotação por causa do que os seus fazedores ofereciam à sociedade e, como reza a neura ciência: é possível conseguir-se qualquer resultado que um indivíduo quer, desde que haja constância.

O conteúdo insano que se ouve algures está a ser e será normalizado, aos poucos, como símbolo da identidade e cultura angolana por causa da mensagem que as letras trazem e cuja razão, lógica, com grande notoriedade, tudo é hipnotizado no ritmo (beats), por que está, outrossim, a ser de consumo constante e incontrolável.

Que o Ministério da Cultura, desde que esteja mesmo a ver o que está a acontecer e tenha a vontade de fazer algo, para salvaguardar os bons valores éticos, morais (sendo uma das suas competências) penalize todos aqueles que não quiserem mudar o paradigma, para que não, na verdade, se tenha apenas uma sociedade imaculada, mas sim que sirva de um bom exemplo e preserve aquela educação recebida dentro da estrutura fundamental da sociedade, família.

Por: NSIMBA MIZIMU

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