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OPAÍS

Acesso ao crédito e elevadas taxas de juros dificultam acesso ao sector da construção

Jornal Opaispor Jornal Opais
1 de Janeiro, 2025
Em Economia
Acesso ao crédito e elevadas taxas de juros dificultam acesso ao sector da construção

Os empresários do sector da construção queixam-se das dificuldades no acesso ao crédito bancário e das elevadas taxas de juros como barreiras críticas para a execução dos seus trabalhos, de acordo com a Folha de Informação Rápida (FIR) divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE)

No sector da construção, a carteira de encomendas públicas foi determinante para a recuperação, mas não descuram a questão das barreiras que encontram para a aquisição de créditos para avançarem com êxito as suas actividades.

“Esses factores afectam directamente a capacidade de execução de projectos, especialmente os que exigem grandes volumes de capital inicial”, sublinha o INE.

Já o sector de transportes manteve uma perspectiva positiva de emprego e actividade, mas a concorrência intensa e desafios financeiros criaram obstáculos adicionais.

Em 2024, a confiança empresarial foi impulsionada por expectativas de emprego mais favoráveis. Similarmente, o comércio registou melhoria na gestão de estoques e uma predominância de produtos nacionais, embora tenha enfrentado preços elevados e burocracias que limitam o crescimento.

Apesar de uma recuperação geral, sectores como o turismo, comunicação e indústria extractiva mostraram fragilidades.

O turismo registou aumento no absentismo e dificuldades em recrutar mão-de-obra qualificada, além de uma procura ainda insuficiente.

Já na indústria extrativa, a queda na produção e exportação manteve o clima económico desfavorável, enquanto as empresas relataram falta de mão-de-obra especializada e regulamentações excessivas.

No sector de comunicação, embora houvesse expectativa de recuperação, o cenário permaneceu abaixo da média histórica, com baixa procura e dificuldades financeiras sendo os principais desafios relatados pelos empresários.

O ambiente de negócios no país, apresentou evolução em 2024, com alguns sectores mostrando melhoria no indicador de confiança.

No entanto, as empresas continuam a enfrentar obstáculos, destacando uma recuperação desigual em comparação a 2023.

Comparação com 2023

Em 2023, as empresas enfrentaram maiores desafios financeiros e operacionais em quase todos os sectores, exacerbados pelo contexto económico global e nacional.

As frequentes avarias em equipamentos, falta de insumos e a elevada carga burocrática foram reportadas, segundo o INE, como factores críticos no período homólogo.

Em contraste, 2024 apresentou avanços, mas ainda aquém de um cenário plenamente favorável. De acordo com o INE, os sectores da indústria transformadora, comércio, construção e transportes registaram melhoras no indicador de confiança, ultrapassando a média histórica da série.

No entanto, dificuldades estruturais e conjunturais continuaram a desafiar as empresas, destacando disparidades em relação a 2023.

A indústria transformadora foi um dos sectores em destaque, com menos empresas relatando constrangimentos operacionais, como falta de matéria-prima e avarias mecânicas.

A FIR sugere que, apesar das melhorias pontuais em 2024, há uma necessidade urgente de políticas públicas que abordem as limitações estruturais enfrentadas pelas empresas angolanas.

O relatório final do INE destaca ainda a relevância de uma análise setorial contínua para embasar decisões estratégicas e melhorar a competitividade empresarial em Angola.

 

Por: Francisca Parente

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