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OPAÍS

Segunda maior fábrica de produtos para tratar água na África Austral será construída em Benguela

Jornal Opaispor Jornal Opais
11 de Novembro, 2024
Em Sociedade

A primeira pedra para construção da fábrica de soda cáustica, hipoclorito de sódio e ácido clorídrico, materiais usados no tratamento da água e apoio às indústrias têxtil e petroquímica, vai ser lançada na terça-feira, 18, na baía-Farta, num investimento de 27, 3 milhões de dólares, garantido pela linha de crédito do deustche bank da alemanha, iniciativa do Grupo empresarial adérito areias

A unidade fabril, projectada numa área de 10 mil metros quadrados, vai consumir, diariamente, 30 toneladas de sal, tendo uma capacidade instaladas de 100 mil litros, correspondendo a 100 toneladas ao dia, e já tem assegurado 15 por cento do valor total, tecnicamente chamado de down payment (pagamento inicial), garantido em equipamentos para a instalação.

Em nome do grupo Adérito Areias, Tânia Areias assegura que as outras partes do financiamento serão disponibilizadas à medi- da da execução do projecto. A empresária refere que a fábrica vai inverter um cenário de gastos com a importação.

Ela recorda que, em 4 anos, o país gastou 600 milhões de dólares na importação dos produtos, ao sustentar que está à vis- ta um projecto com uma cadeia de valores com foco em outros sectores, com destaque para o petroquímico na refinaria do Lobito e as fábricas de têxteis em Benguela.

Em termos de postos de trabalho, “são 45 postos de trabalho directos e 500 a mil indirectos. Teremos, portanto, muitos nichos de mercado”, indicou.

Os promotores do projecto admi em que a fábrica é uma espécie de réplica de uma outra a qual visitaram, em Espanha, cujo terreno, em termos de área de implantação(10 mil metros quadrados), na- da fica a dever à Calombolo Química – como vai ser conhecida a unidade fabril.

Mário Rui salienta que, ao dia, a fábrica vai consumir 30 toneladas de sal. Essa matéria- prima não vai constituir preocupação, porque o empreendimento vai ser erguido justamente dentro do perímetro de uma das três salinas do grupo. “A produção de sal aqui da Baía, só desta salina, são 27 mil toneladas/ano.

Como sabem, temos mais duas. Das três esta é a a mais pequena. Mas, como estamos aqui próximos, só vamos consumir sal desta salina”, admite, ao dar conta que alguns técnicos angolanos vão ser enviados à Espanha para formação.

O director do projecto, engenheiro Mário Rui, garante estar tudo assegurado, em termos de financiamento. Não dispusesse de garantia jamais teriam decidido arrancar com o projecto.

Ele diz que o financiamento é disponibilizado directamente à empresa que vai oferecer todo o material.

“ Existe um plano de pagamento e, a partir deste plano, está absolutamente garantido”, frisou o engenheiro civil, esperançado de que não hajam constrangimentos ao longo do percurso e deixar claro que, pela natureza do financiamento, o Grupo Empresarial Adérito Areias não tem acesso ao dinheiro.

Assegura terem sido feitos estudo de impacte ambiental e tranquiliza que a única coisa que as chaminés vão expelir para atmosfera é hidrogénio, sendo esse o que mais existe no ar. “Não vai sair absolutamente mais nada”, disse, ao projectar gastos de 1.5 megawatts de energia eléctrica.

Promotores já espreitam mercado da SADC

A fábrica, a primeira em Angola e a segunda na África Austral, abastecerá Angola e os chamados países encravados, nomeadamente a Zâmbia e a República Democrática do Congo, por via do Corredor do Lobito, mediante o aumento das necessidades de consumo.

O engenheiro António Pacheco, da Smartfrio, que forma um consórcio com uma empresa portuguesa, garantiu, pois, que estão salvaguardadas as questões ambientais, e reforça a tese avançada por Mário Rui de que das chaminés só se vai libertar mesmo hidrogênio, pedindo, por isso, que as pessoas não se alarmem com a instalação do projecto.

A primeira fábrica só fica concluída a 17 de Maio de 2026 e os pro- motores já projectam a segunda, a ser erguida na cidade capital, Luanda, a pensar no aumento da oferta aos países vizinhos.

O engenheiro Mário Rui não avança, por enquanto, datas para a implantação da segunda, mas garante ter já tudo preparado. “Já temos terreno…Não queríamos arrancar com as duas ao mesmo tempo, dar um passo maior que a perna. Vamos arrancar com essa e, depois, vamos pensar na outra, que vai ser na zona do Ramiro”, disse.

POR:Constantino Eduardo, em Benguela

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