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OPAÍS

A alegoria da árvore e da folha

Jornal Opaispor Jornal Opais
6 de Novembro, 2024
Em Opinião
A alegoria da árvore e da folha

Em um vasto bosque, havia uma imponente árvore chamada Estado. Suas raízes profundas se estendiam por todo o solo, sustentando a vida ao seu redor. Essa árvore era forte e perene, resistindo a tempestades e secas, simbolizando a estabilidade e a continuidade da sociedade. Seus galhos representavam as instituições e as leis que garantiam a ordem e a justiça.

Ao lado da árvore, crescia uma pequena folha chamada Governo. A folha era vibrante e cheia de vida, mas sua existência era efêmera. A cada estação, ela mudava de cor e eventualmente caía, simbolizando a natureza transitória das administrações e das políticas que governam o dia a dia do povo. Certa vez, o vento soprou forte, e a folha se desprendeu da árvore, voando para longe.

Em sua nova jornada, a folha encontrou outras folhas e começou a discutir suas visões sobre como deveriam se organizar. Algumas queriam absorver mais luz do sol, outras desejavam proteger-se das chuvas. As decisões que tomavam refletiam suas necessidades imediatas e as mudanças ao seu redor. Enquanto isso, a árvore, imutável, continuava a crescer. Suas raízes buscavam água e nutrientes, garantindo que a floresta como um todo pudesse prosperar.

A árvore não se importava com as cores da folha; sua preocupação era com a saúde do ecossistema e a segurança das criaturas que dependiam dela. A folha, por sua vez, percebeu que, apesar de sua vivacidade, era a árvore que proporcionava a base para sua existência.

As decisões que tomavam, embora importantes, eram temporárias e não poderiam alterar a estrutura que sustentava tudo ao seu redor. Em sua essência, compreendeu que a política de governo, embora necessária para atender às demandas do presente, deveria sempre estar alinhada com os princípios duradouros da política de estado.

Assim, a folha voltou à árvore e, com humildade, decidiu que, mesmo em sua busca por mudanças, deveria respeitar as raízes que garantiam a continuidade da floresta.

E assim, entre o movimento efêmero da folha e a estabilidade da árvore, a harmonia entre a política de estado e a política de governo foi finalmente estabelecida.

A política de Estado refere-se a um conjunto de princípios, directrizes e normas que visam garantir a continuidade e a estabilidade de uma nação ao longo do tempo.

Ela abrange questões como segurança nacional, direitos humanos, educação, saúde e meio ambiente, e é caracterizada por sua permanência, independentemente de quem esteja no poder.

Essa política é formulada por instituições e órgãos que representam a sociedade como um todo, buscando o bem comum e a justiça social. Por outro lado, Política de Governo diz respeito às acções e decisões tomadas por uma administração específica, que pode mudar a cada eleição.

É mais voltada para atender às demandas imediatas da população e pode incluir reformas, programas e projectos que reflectem a visão e as promessas do governante ou do partido no poder.

Essas políticas são frequentemente influenciadas por pressões eleitorais e podem variar significativamente de um governo para outro. Enquanto a política de estado busca a construção de um futuro sustentável e equilibrado, a política de governo se concentra em resultados rápidos e em atender às expectativas imediatas da população. Ambas são essenciais, mas devem estar alinhadas para garantir a saúde e a continuidade da sociedade.

 

Por: ANDRÉ CURIGIQUILA

 

Professor

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