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As linguas – instrumentos de união planetária

Jornal Opais por Jornal Opais
31 de Maio, 2024
Em Opinião

Sabemos que todas as línguas faladas e escritas e em particular as culturas que cada uma representa, enriqueceram muito devido às influências de línguas e culturas diferenciadas de outros povos.

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As línguas europeias têm características acentuadamente latinas, gregas, germânicas e, hoje em dia, têm também influências africanas, asiáticas e outras.

A Língua Portuguesa, tanto na origem como nos países lusófonos, além das raízes gregas, latinas, germânicas, hoje tem influências espanholas, francesas, inglesas e outras e a influência particular de cada país aonde se insere, Comunidade dos Países de Lingua Portuguesa, e isso dá uma distinção a esta língua de origem lusitana.

A Língua Portuguesa após o inicio da Era dos Descobrimentos influenciou diversas Línguas Africanas e Asiáticas e também adquiriu influências asiáticas e africanas ou seja, enriqueceu e foi enriquecida e definiu-se com uma das Línguas mais faladas no planeta Terra graças aos novos povos lusófonos.

Quando alguém transmite pensamentos ou ideias e outras pessoas escutam ou leem e deduzem esses pensamentos interiorizando-os, o transmissor do pensamento não pode dizer-se dono exclusivo daqueles pensamentos pois eles passam a pertencer também aos outros em função do “penso e posso pensar” que a natureza sábia permitiu aos seres através de um cérebro genial.

O som, a luz, o ar, a água, a terra, a lógica universal da vida, etc., existem anteriormente aos humanos ou qualquer outro ser vivo e cada ser humano apenas é um simples instrumento transmissor dos sons, das ideias ou das lógicas e experiências da vida.

À medida em que os seres humanos se tornam mais intuitivos, mais sensíveis, mais apurados, vão captando e vibrando as lógicas universais da vida tal como se fossem uma antena de alta capacidade e sensibilidade e através das linguagens podem transmitir ou retransmitir essas lógicas e experiências e memorizá-las de diversas maneiras, incluindo os dicionários, as tecnologias, etc.. Quantas vezes os seres humanos mais sensíveis, na sua realidade do dia a dia, em qualquer lugar, de repente, sem nenhum esforço físico ou mental, captam ideias, pensamentos, lógicas muito necessárias para se entender a vida e que influenciam 0 desenvolvimento das sociedades humanas e até outras sociedades.

Muitos chamam a isso inspiração, dom ou intuição, etc. Só após a natureza ter criado um cérebro genial nos seres denominados humanos, foi possível utilizarem-se os sons implícitos na vida, de uma maneira lógica e construir linguagens de comunicação que permitiram a capacidade de desenvolvimento de uma inteligência mais lógica, mais apurada.

As linguagens são simples e ao mesmo tempo complexos instrumentos de transmissão de ideias, nada mais do que isso e a partir do momento em que qualquer pessoa passa a dominar esse instrumento linguístico, falando ou escrevendo, certamente essa Língua passa a pertencer àquele que a domina, deixando assim de ser exclusiva.

Cada Nação pode afirmar que é dono das Línguas através das quais seus cidadãos se comunicam. Cada Povo pode alterar ou não radicalmente as Línguas que fala, criar novas regras mesmo que estas sejam contrárias às regras iniciais ou diferentes das regras de outros países.

Cada Nação pode, se a maioria de seus cidadãos quiser, mudar sua Língua nacional mesmo sabendo que isso implicaria numa série de profundas e radicais mudanças culturais.

Se um Nação quiser pode fazer isso mas não o fará certamente sabendo que a maioria de seu povo já adoptou determinada Língua como sua.

Os países dos PALOP não escolheram a Língua Portuguesa como sua Lingua pois esta foi-lhes imposta de cima para baixo e o mesmo aconteceu com a Língua Inglesa e Francesa e outras Línguas em outros países.

Os povos da CPLP passaram a ter um domínio muito acentuado sobre a Língua Portuguesa que falam e escrevem e adaptaram-na às suas realidades culturais e hoje em dia a Língua de origem portuguesa transformou-se numa Língua Internacional com características exclusivas a cada povo.

A partir daí, nasceu um movimento real e bem visível no qual os povos que adotaram a Língua Portuguesa transformaram-na profundamente e hoje influenciam-na de diversas maneiras.

A Lingua Portuguesa falada no Brasil ou em Portugal, é diferente da Lingua Portuguesa falada em Angola, logo esta é exclusiva de Angola e este país é o dono desta Lingua Portuguesa com características próprias angolanas bem identificadas.

Esta união de línguas com origem portuguesa gerou uma união lusófona denominada Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Se esta união de povos tivesse sido construída até ao ano de 1940, que era o “momentum“ certo capaz de alterar inclusive a ordem social e política mundial, possivelmente a CPLP seria hoje uma realidade mais profunda e respeitada a nível planetário.

Isto não aconteceu e daí nascerem as guerras coloniais, única maneira que os povos africanos tiveram para construírem sua independência.

Isto, porém, não deve impedir de se continuar a construir esta Comunidade Lusófona pois este caminho da união cultural entre os povos da CPLP é certamente uma excelente opção, paralelamente a outras uniões regionais ou internacionais, para se ultrapassarem uma série de barreiras politicas e económicas muito difíceis neste caminhar humano planetário, neste século XXI, era das grandes crises humanas e ecológicas planetárias.

Os maiores pensadores lusófonos consideram as dificuldades como alavancas para a construção de uma maior consciência sobre a lusofonia e razão para uma maior união entre estes povos de mesma índole pacífica, como são os lusófonos.

É importante que todos os países lusófonos transformem rapidamente este instrumento linguístico que é a Língua Portuguesa Internacional num instrumento mais moderno e capaz de responder com eficiência e eficácia às solicitações específicas de cada povo e assim seja possível avançar-se num maior desenvolvimento social, económico e ambiental.

O ideal é que os humanos utilizassem um só instrumento linguístico planetário que lhes permitisse uma maior união entre os povos da Terra mas devagar se caminha para isso pois é preciso aprender as línguas de outros povos para haver uma maior comunicação e desenvolvimento.

A existência de um instrumento linguístico planetário não invalida a existência de outros instrumentos linguísticos regionais ou nacionais que naturalmente podem e devem ser preservados pois são parte fundamental no desenvolvimento humano.

A Língua Inglesa está a tornar-se no instrumento linguístico mais comum a todos os humanos devido à facilidade do aprendizado gramatical e à sonoridade e isto parece ser um bom caminho.

 

Por: VALDEMAR FERREIRA RIBEIRO *

*Economista, empresário industrial e ambientalista.

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