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Cartas Credenciais: Os 10 mandamentos da política externa de Angola em 2018

Jornal Opaispor Jornal Opais
3 de Janeiro, 2018
Em Opinião

Nestes tempos festivos, as Cartas Credenciais também mudaram da Cidade Alta para a Praia de Copacabana, Rio de Janeiro. Agradeço por estarem comigo. A minha intimidade com o Rio de Janeiro começou em 2007, exatamente numa viagem de relações internacionais, conexa a formação das novas gerações aos novos temas mundiais: a inclusão das sociedades, dos mercados, a integração regional, a globalização e a necessidade de prover uma agenda planetária de desenvolvimento.

POR: Bernardino Neto

O Rio de Janeiro valida estes desafios, ao ser uma fábrica de características emocionais boas e más, reunidas numa originalidade cativante e deslumbrante, de um lirismo épico que, enclausurado no coração das suas gentes, os cariocas, acabam sendo de universal simpatia. É com essa simpatia que a cidade maravilhosa acolhe as pessoas, com poesia, com samba e com medo, mas que no final faz brilhar o olhar de todos; Uma atmosfera radiante, que abraça visitantes.

O abraço cheio de calor, igual ao kandandu de Luanda, em meio aos nossos gritos e estigas (hoje bullyng), heim! A boa maneira da banda, era com cada gargalhada! Diplomaticamente falando, o Rio de Janeiro e Luanda, são duas cidades tão longe e porém, tão perto. Hein! Já que estamos em mundos diplomáticos, aproveito fazer um vínculo à política externa de Angola, sobretudo no que se espera dela em 2018. A política externa de Angola está em refinação, como puderam notar, para além de terem alterado os seus actores exponenciais, Presidente da República e Ministro das Relações Exteriores, as acções, as dinâmicas e as prioridades permitem uma perspectiva de maior empenho diplomático em Luanda e no exterior.

O diplomata por natureza é discreto, estudioso, fino, polido intelectualmente, não se ensoberbece, entre outros predicativos, embora ultimamente, a realidade simplesmente apedrejou a pauta dos bons costumes, misturando tudo como banana do mesmo cacho. Neste percurso anual, há a Agenda dos 10 Mandamentos: O primeiro começa em filtrar os actores da diplomacia, estimular a carreira, a classe, a nata, a finaflor, a elite que pela frente terá de dar conteúdo a imagem de Angola, transcendência em respeito aos interesses nacionais e vitais, pelos quais o suor dos angolanos acumulado ao longo da história se bateu de catana em punho;

O segundo será a adesão à Zona de Comércio Livre da SADC. Porque nos escondemos? A diplomacia económica tem de dar resposta cabível no tempo. Isso implica apropriação dos acordos. Não fica bem à Angola que assine uma resma de acordos e não os concretize. O maior contribuinte no orçamento da região depois da África do Sul, mas em termos práticos ficamos em lengalengas, até em recursos humanos, não conseguimos colocar funcionários na SADC, com desculpas da língua inglesa.

À diplomacia angolana reconhece-se um poder convocatório no cenário internacional, tendo evoluído de vítima à Parceiro Estratégico, todavia, é preciso recuperar essa génese. O terceiro, tornar clara as estratégias de cooperação com a China. Como inserir empresas angolanas na China? Como são as suas leis? O que consomem? O quarto, trabalhar para colocar Angola como País de Rendimento Médio sustentável; O quinto, ocupar a cadeira e falar na voz activa nas instituições financeiras internacionais (Banco Africano de Desenvolvimento, no Fundo Monetário Internacional e no Banco Mundial), onde o país detém um capital considerável, mas salvo raras excepções, com uma posição tímida e sonolenta. O sexto, uma diplomacia pura na base das teorias de José Calvet Magalhães.

Em 15 anos de paz quisemos fazer tudo; Confundiuse algumas vezes, a diplomacia da paz na resolução dos conflitos africanos, com postura salvacionista; Absorveu-se e difundiu-se que os angolanos são esbanjadores de recursos públicos e privados. Por conseguintes preguiçosos na leitura e estudo dos Dossiês e sempre atrasados ou ausentes nos eventos internacionais. A diplomacia pura requer uma mudança de mentalidade. O Sétimo, reavaliar os sectores geopolítico e geoestratégicos. É neste capítulo que se constrói a dimensão da inteligência da diplomacia para ser aceite e respeitada no sistema internacional.

Poucos diplomatas falam nas conferências mundiais. E mesmo nas questões óbvias, como por exemplo, responder a mídia predatória de Portugal que de forma recorrente ataca Angola com um sem-número de picadas de tarântulas e fel de intelectualóides, ficando o país em murmúrios e num ciclo vicioso de choros de capela. Diga-se, a postura de Portugal não é ingénua e nem dúbia. Poderá ser uma estratégia malévola a partir dos seus serviços de inteligência externa, que mascarando afectos e cantos de sereia mercantil, rasurem o nosso bom nome na construção da nação à nossa própria custa, com os nossos fracassos e com nossas vitórias.

Oitavo, desinflacionar o ambiente de negócios. Nono, formação técnica dos quadros. Fazemos as coisas mal e apressadamente, o que torna os decisores presas fáceis. Décimo e último mandamento: capacidade para absorção líquida dos recursos financeiros externos. Existe uma Santa Aliança camuflada entre os financiadores e os intermediários (Bancos e empresas Ocidentais e nacionais) que esquivam ao controlo do Estado Angolano, interpostos satélites montados lá e cá como um jogo de lego. Assim, espera-se que a política externa e a diplomacia estejam de lupa na mão, partilhando visões com as universidades. Bom ano 2018. Do Rio de Janeiro para Angola, aquele kandandu de partir os miongos. Se isto é bom ou mau só o tempo dirá.

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