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Caso Trump-Rússia: Terminada averiguação sobre FBI sem novas

Jornal Opaispor Jornal Opais
17 de Maio, 2023
Em Mundo
Caso Trump-Rússia: Terminada averiguação sobre FBI sem novas

Um procurador especial encerrou a sua averiguação, sobre uma possível má conduta do FBI na investigação sobre os laços entre a Rússia e a campanha de Donald Trump, em 2016, com duras críticas, mas sem novas acusações, informou a Lusa

Apesar das críticas contundentes à polícia federal norteamericana, o escasso histórico judicial ficou muito aquém da previsão do ex-presidente, que tinha denunciado o “crime do século”.

O relatório do procurador especial John Durham, divulgado Segunda-feira, representava o tão esperado ponto de uma investigação que Trump e os seus aliados alegaram que iria expor irregularidades gigantescas por parte das autoridades policiais e de inteligência.

Em vez disso, a investigação de Durham apresentou resultados nada assombrosos.

O relatório, com aproximadamente 300 páginas, detalha o que Durham diz ter sido uma série de erros cometidos pelo FBI (Bureau Federal de Investigação) e pelo Departamento de Justiça, quando os investigadores realizaram uma investigação politicamente explosiva no calor da eleição de 2016 sobre se a campanha de Trump estava em conluio com a Rússia para influenciar o resultado.

O procurador especial criticou o FBI por abrir uma investigação baseada em “inteligência bruta, não analisada e não corroborada”, dizendo que a velocidade com que o fez foi um desvio da norma.

Durham acrescentou que os investigadores confiaram repetidamente em “vias de confirmação”, ignorando ou racionalizando evidências que contrariavam a sua premissa de uma conspiração Trump-Rússia, enquanto avançavam com a investigação.

“Novamente, a falha do FBI em analisar criticamente as informações que contrariam a narrativa de um relacionamento de conluio Trump/Rússia exibido durante o Crossfire Hurricane (nome dado pelo FBI ao processo) é extremamente problemática”, destaca no relatório.

O impacto do relatório de Durham, embora duramente crítico para com o FBI, é provavelmente atenuado pelo facto de muitos dos episódios com sete anos que são citados já terem sido examinados em profundidade pelo inspector-geral do Departamento de Justiça.

O FBI também anunciou há muito tempo dezenas de acções correctivas.Ainda assim, é provável que as descobertas de Durham ampliem o escrutínio sobre o FBI, num momento em que Trump procura novamente ser candidato pelos republicanos à Casa Branca.

O relatório também oferece novo material aos republicanos do Congresso, que lançaram a sua própria investigação sobre o alegado uso do FBI e do Departamento de Justiça como “arma política”.

O FBI divulgou uma carta enviada a Durham a descrever as mudanças que fez, incluindo medidas para garantir a precisão das aplicações de vigilância secreta para espiar suspeitos de terrorismo e espiões.

“Se estas reformas estivessem em vigor em 2016, os erros identificados no relatório poderiam ter sido evitados.Este relatório reforça a importância de garantir que o FBI continue a fazer o seu trabalho com o rigor, a objectividade e o profissionalismo que o povo americano merece e espera”, realçou o FBI em comunicado.

Durham, o ex-procurador dos EUA em Connecticut, foi nomeado, em 2019, pelo procurador-geral de Trump, William Barr, logo depois do procurador especial Robert Mueller ter concluído a sua investigação sobre se a campanha de Trump, em 2016, tinha conspirado com a Rússia para mudar o resultado da eleição a seu favor.

A investigação de Mueller resultou em cerca de três dúzias de acusações criminais, incluindo condenações de meia dúzia de associados de Trump, e concluiu que a Rússia interveio em nome da campanha de Trump e que a campanha favoreceu com a ajuda.

Mas a equipa de Mueller não descobriu que a campanha de Trump conspirou para influenciar a eleição, criando uma abertura para os críticos da investigação – incluindo o próprio Barr – reclamarem que esta tinha sido iniciada sem uma base adequada.

A investigação original sobre este caso tinha sido aberta em Julho de 2016, depois que o FBI ter descoberto, através de um diplomata australiano, que um associado da campanha de Trump chamado George Papadopoulos alegou ter conhecimento de informações comprometedoras que os russos tinham sobre a candidata democrata Hillary Clinton.

Mas as revelações nos meses seguintes revelaram falhas na investigação, incluindo erros e omissões nos pedidos do Departamento de Justiça para espiar um ex-assessor de campanha de Trump, Carter Page, bem como a confiança do FBI num dossier de informações não corroboradas ou desacreditadas compiladas por um ex-espião britânico, Christopher Steele.

A equipa de Durham investigou profundamente esses erros, descobrindo que os investigadores não corroboraram uma “única alegação substantiva” no chamado dossier Steele e ignoraram ou racionalizaram o que afirmam ser informações inibitórias que associados de Trump forneceram a informadores confidenciais do FBI.

Apesar das expectativas de que Durham poderia acusar altos funcionários do Governo, a sua equipa produziu apenas três processos. Um ex-advogado do FBI declarou-se culpado de alterar um email que o FBI utilizou para espiar um ex-assessor de campanha de Trump.

Dois outros réus, um advogado da campanha de Clinton e um analista russo-americano de um “think tank” foram absolvidos da acusação de mentir ao FBI.

 

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