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Na Língua, as palavras não possuem significados próprios

Jornal Opais por Jornal Opais
4 de Maio, 2023
Em Opinião

Para início de conversa, eu confesso que os substantivos que revestem o tema parecem meios desenquadrados.

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É óbvio que eles igualmente parecem ser algo antiquado e na verdade demonstram não fazerem o menor sentindo.

Contudo, considere que o que trazemos é tal como qualquer outro assunto, um que promete (sugere) uma análise científica com fundamentação teórica bastante aplausível.

Em preâmbulo, considere que as palavras, são instrumentos que albergam uma aplicabilidade muito complexa.

As palavras podem ser qualquer mecanismo verbal empregado nas nossas intenções comunicativas (tanto escritas como orais).

Segundo António Borregana (na sua gramática universal), as palavras nas línguas aparecem sempre como signos possuidores de Significantes (que é o corpo fónico de qualquer palavra, ou seja, o som que emitimos para o expressar o que desejamos dizer), e Significados (que é o corpo interno e formal das palavras, isto é, aquilo com que as relacionamos, ou as enquadramos após a captarmos os seus sons).

Seguinte a este princípio, é mister salientar, que as palavras na língua, normalmente, têm um carácter plurisignificativo.

Isto quer dizer, de outro modo, que elas não albergam simplesmente uma única realidade. Salientando esta visão, se eu por exemplo, emitir o som “Gato”, num contexto pode referir-se ao animal mamífero que mia, mas por outro lado pode igualmente representar uma pessoa “traidora”, “bela”, “malfeitora”, “ feiticeira”, e aí por diante.

A actualmente, os significados no ponto de vista científico e metodológico, ficaram mais restritos ou relacionados, a elementos que definem totalmente qualquer coisa.

Por outras palavras, pensamos nos significados das coisas, como elementos ou mecanismos que as delimitam, que expressam a sua verdadeira essência ou o seu único sentido – coisa que não acontece nas realidades das nossas interações sociais.

As palavras da uma língua são de pertença grupal e colectiva.

O linguísta e professor Félix dos Santos Ferreira, defende sempre que a língua possuí um pressuposto social, o que determina que é ela (sociedade), que tanto regula as suas palavras, como as dinamiza dentro das suas esferas de interação.

Para o linguísta Kiaku José, as realidades sociais (sendo as palavras da língua uma dessas), só são capazes de albergar conceitos, e não um único significado, ou montes de definições (que a delimitariam).

Na visão de Anete Guimarães (pesquisadora e neurocientista brasileira), os conceitos são na verdade, “conjuntos de concepções atribuídas as coisas, fruto do grau de percepção que temos ou possuímos sobre elas. Neste caso, as palavras dentro de uma língua, seriam possuidoras de sentidos, percepções e enquadramentos.

Estes sentidos por sua vez, não sugerem entretanto, que elas estejam delimitadas ou restringidas a isso.

O que vai determinar seriam os contextos comunicativos em que as quereremos enquadrar.

Para ser mais directo, estou querendo dizer que até mesmo palavras tão comuns como “amor” podem expressar o sentido de ódeo, e “rir” o sentido de chorar.

Em cada um destes casos, é bom lembrar serão os contextos e as nossas intenções comunicativas que estarão a estabelecer os sentidos que cada uma delas deve receber nos momentos de interação.

Neste instante, talvez você venha a lembrar que exitam dicionários que sugiram um conjunto de “singificados” as palavras.

Mas é importante considerar, que o que na verdade apresentam, não são os singificados essenciais (ou próprios) das palavras em si, mais sim os seus sentidos mais usuais nos nossos contextos interativos.

Assim, as palavras aparecem descritas e ordenadas de acordo com as concepções que normalmente as temos atribuídos (de forma habitual), nas nossas comunicações mais regulares.

A título de exemplo, quando aparece animal manífero que mia como o primeiro sentido dado em um dicionário a palavra gato, isto não sugere que, literalmente, sejam estas, a realidade que superior a outras, melhor a descrevem, ou a que melhor se encaixa a expressão.

Outrossim, quer na verdade sugerir, que na mentalidade do homem, esta é a primeira realidade que assimilamos nas nossas regulares rondas interativas, ao emitirmos o som “gato”.

O que se precisa, é considerar que os nomes e palavras não caiem literalmente do céu. Em dada altura, optou chamar mulher, a parte do gênero humano capaz de gerar vida.

Contudo sabemos que isto não quer dizer que não poderemos pensar a mesma palavra para outras realidade e dimensões.

Os linguistas consideram, que todas as palavras são capazes de sofrerem alterações ao longo dos tempos (diacrônicas) e dos lugares (diatópicas), tanto ao nível fônico e morfológico, como ao nível semântico (neste caso, podendo mesmo ganhar, ou ainda perder semelhantemente o seu sentido). Voltando, as palavras são tangentes que possuem mais de um sentido.

O problema tem sido muitas as vezes limitar nas nossas interações em alguns sentidos que consideramos serem os mais certos ou os mais próprios (merecidos) em cada uma das palavras que usamos nas nossas comunicações.

Os linguistas, no sentido de não desprestigiar a possibilidade da pluri- aplicabilidade que cada palavra poderá acarrectar, sabiamente propuseram, que aqueles sentidos imediatos, espontâneos e implusivos, a que enquadramos ou aplicamos as palavras tão logo as captamos e as emitimos, chamar de sentido denotado.

E para aqueles que normalmente desenvolvemos e inovamos, com o objectivo de tornar a comunicação mais prazerosa, codificada, robustecida e enfatizada, chamarar de sentido conotado.

Em suma, precisamos sempre considerar as palavras da fala como instrumentos liberais.

As palavras precisam ser olhadas como obrasprimas passíveis de serem modelas, mulher não mantida, ou ainda como um filho ainda não adoptado.

É a sociedade quem a enquadra, aceita e a dinamiza na sua comunicação – possuindo entretanto poder, para a desenquadrar ou a tornar arcaica.

Falar livremente é verdadeiramente um grandioso poder.

Aplicar cada expressão num contexto, atribuí-las nossas realidades e senários é mais do que bom, magnífico.

Portanto, que as vossas palavras sejam bem contextualizadas e que as vossas expressões sejam sejam bem encaixadas, lembrando sempre que, as palavras ganharão novos sentido em cada um dos contextos em que as abordaremos, nas nossas diuturnas comunicações.

 

Por: SAMPAIO HERCULANO

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