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OPAÍS

Cartaz: Mais de 300 pessoas visitaram a exposição colectiva “Indivíduo. Cidade. Metamorfose” na Jahmek Contemporary Art em Luanda

Jornal Opaispor Jornal Opais
10 de Abril, 2018
Em Cultura

A galeria fundada por Mehak e Jardel Vieira representa a ligação tripartida do amor à arte e à aida. Uma experiência que inspira o convívio entre indivíduos num universo de diversidade cultural, intelectual e conceptual

Texto de: Augusto Nunes

Mais de 300 pessoas de diferentes faixas etárias visitaram, há pouco menos de uma semana, a exposição colectiva intitulada “Indivíduo. Cidade. Metamorfose”, na recém-inaugurada galeria Jahmek Contemporary Art, em Luanda.

A colecção que está patente ao público até 24 deste mês, reúne obras de vários artistas representados pela galeria: Délio Jasse, Francisco Vidal, Iris Buchholz, Kiluanji Kia Henda, Nástio Mosquito, Tiago Borges e Yonamine.

Congrega obras em acrílico sobre tela, fotografias, desenho e vídeo-instalação. Trata-se da primeira exposição da galeria e que estará aberta de Terça-feira a Sábado, das 10 às 19 horas.

A directora da Jahmek Contemporary Art, Mehak, em conversa com OPAÍS, adiantou que o novo Espaço apresenta-se como uma Plataforma – Galeria que, através do seu programa de exposições, propõe-se promover o diálogo e o pensamento crítico em torno da expressão artística visual de Luanda, através do trabalho produzido pelos artistas que representa, tanto no panorama nacional como além-fronteiras.

A Jahmek Contemporary Art, surgiu como fruto da relação prolífica que os seus fundadores têm desenvolvido com uma nova geração de artistas e pensadores surgidos no pós-guerra em Angola, que muito cedo revelou-se determinante para o desenvolvimento, disseminação e reconhecimento da expressão artística plástica produzida localmente, com repercussão internacional.

Segundo a responsável, é nesse contexto temporal e geográfico que surge a Jahmek, em consequência do interesse após anos vibrantes de projectos desenvolvidos em conjunto, de apresentar e representar alguns dos valores mais relevantes da contemporaneidade artística: Délio Jasse; Francisco Vidal, Iris Buchholz, Kiluanji Kia Henda, Nástio Mosquito, Tiago Borges e Yonamine.

Projectos

Paralelamente às exposições colectivas e individuais patentes, a Jahmek pretende desenvolver também uma programação inclusiva, através da organização de um leque de iniciativas, conversas e debates, que promovam um diálogo directo com temas da actualidade, com enfoque especial no trabalho produzido pelos artistas representados – perspectivando a sua contribuição e legado, tanto no panorama cultural angolano como à escala internacional.

Segundo a responsável, esta abordagem e posicionamento da Jahmek Contemporary Art pretende contribuir para um abordagem em torno do estado actual das artes, a par das necessidades e recursos que determinam o seu estado actual.

Nesta sua acção de responsabilidade social e educativa, que se anunciam imperativas enquadrar neste contexto, a directora recorda a relevância das preocupações éticas e estéticas, que se impõem num país com as características de Angola, em todas as suas dimensões.

Artistas convidados

Délio Jasse Nascido em 1980 em Luanda, Angola. Vive e trabalha em Milão, Itália. O seu trabalho fotográfico cruza muitas vezes imagens encontradas com vestígios de vidas passadas (fotografias encontradas de passaportes, álbuns familiares, e tantos outros) para desenhar ligações entre a fotografia, em particular o conceito de “imagem latente”, e a memória.

Jasse também trabalha os processos de impressão fotográfica analógica, incluindo cianótipos, platina e processos de impressão antigos, além de desenvolver técnicas individuais de impressão.

Esses processos conferem um caráter monotípico aos seus trabalhos, subvertendo a reprodutibilidade do meio fotográfico digital, através da intervenção directa em suportes não convencionais e também a aplicação de emulsão com traços gestuais ou com notas cromáticas.

Francisco Vidal

Nasceu em Lisboa em 1978, é português, angolano e cabo-verdiano, vive entre Luanda, Angola e Lisboa, Portugal. É reconhecido pelas suas grandes instalações de pintura, traçando poderosas linhas caligráficas sobre telas de serigrafia, retratando flores de algodão em cores vivas e variados esquemas cromáticos. As flores fazem alusão à uma revolta liderada por trabalhadores agrícolas de uma plantação de algodão portuguesa/belga em Angola, em 1961.

Iris Buchholz Chocolate

Nascida na Alemanha em 1974. Vive e trabalha em Luanda, Angola. Grande parte do seu trabalho coloca em questão noções de percepção e memória, algures entre o cânone da história, com as suas narrativas lineares, e o arquivo da memória colectiva.

Os corpos carregam experiências passadas e reflectem sobre apropriação e reprodução cultural. Ao mesmo tempo, há uma referência clara à cultura local como substrato desse questionamento.

Usando diferentes médias e trabalhando em estreita colaboração com artesãos locais, Iris desenvolve uma narrativa poética que engloba diversos momentos e questiona as suas consequências na memória.

Kiluanji Kia Henda

Nascido em Angola em 1979, vive e trabalha em Luanda. O interesse de Kia Henda pelas artes visuais surge pelo facto de ter crescido num meio de entusiastas da fotografia. A ligação com a música e o teatro de vanguarda, fizeram parte da sua formação conceptual, tal como a colaboração com colectivos de artistas em Luanda.

Usa frequentemente a arte como método para transmitir e forjar a história. Mais do que reunir peças de um enigma complexo de diferentes episódios históricos, Kia Henda explora a fotografia, o vídeo, a performance, a instalação e a escultura para materializar narrativas fictícias e deslocar os factos a diferentes temporalidades e contextos.

Nástio Mosquito

É um artista multimédia conhecido pelas suas performances, vídeos, música e poesia que revelam o compromisso activo com as potencialidades ilimitadas da linguagem. O seu trabalho lida com questões relativas às necessidades humanas elementares, desde a alimentação ao sexo, porém a sua pesquisa sobre identidade pessoal visitam ocasionalmente a sua nacionalidade.

Tiago Borges Tiago

Nasceu em Luanda em 1973 e interessa- se pelos sentidos, metáforas, e percepção, enquanto opera curtos ensaios metafóricos visuais/provocativos/poéticos que evocam a memória, história ou humanismo. Brincando com o espectro de possibilidades infinitas versus finitas, que vão do medium ao pensamento. Bacharel em Arquitetura (Universidade de Manchester); Mestre em Design Interativo (Royal College of Art).

Yonamine

Nascido em Angola em 1975, viveu em Angola, Zaíre (R.D.C.), Brasil e Reino Unido. Actualmente, vive no Zimbábwe e trabalha entre Luanda, Lisboa e Berlim. A prática artística prolífica e diversa de Yonamine inclui pintura, desenho, graffiti, bodyart, fotografia, vídeo e outras disciplinas.

As suas instalações multimédia são diários pessoais. Actualmente, o seu trabalho é articulado por complexas instalações, murais de grandes dimensões, fotografias e vídeos.

Nessas obras, o artista faz recurso a uma larga variedade de objectos e materiais, como jornais, serigrafias, desenhos, colagens e traços, usando imagens da cultura pop, filmes americanos, personalidades e figuras políticas do continente africano e do mundo em sobreposição.

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