Uma residência no bairro muvale, arredores do município da Matala, província da Huíla, foi invadida por um grupo de seis marginais armados, que roubaram vários pertences e abusaram sexualmente de duas menores de idade, uma de 14 e outra de 16 anos, respectivamente
Afonso, nome do proprietário da residência assaltada pelo grupo de marginais composto por seis cidadãos nacionais, conta que viveu um dos momentos mais difíceis da sua vida, que esteve por um fio, quando se via na mira de três armas de fogo.
À nossa reportagem, o pai de família conta que os meliantes usaram uma adolescente vizinha e amiga de suas filhas para bater à porta da sua residência, onde se encontrava com as suas duas filhas, na noite do incidente.
“Ela bateu a porta dizendo que se encontrava sozinha em sua casa e que estava com medo de pregar o sono. A minha filha ouviu, reconheceu a voz da amiga e abriu a porta. Afinal, estava sob coação dos marginais, que nos surpreenderam. Entraram no meu quarto, amarraram-me e começaram a vasculhar a casa toda”, disse.
Depois de terem vasculhado a casa, os meliantes abusaram das duas meninas, sendo uma de 16 anos, a que bateu à porta, e outra de 14, a sua filha, tendo de seguida levado diversos bens de sua propriedade.
Os marginais, que tinham duas pistolas e uma AKM, encontraram um total de 1 milhão e 170 mil kwanzas, abusaram das adolescentes, sem que o chefe de família fizesse alguma coisa. As duas meninas foram levadas ao hospital e observadas pelos médicos, embora sem o apoio de um psicólogo por falta de condições financeiras do progenitor.
Mudar de bairro por conta da criminalidade
Por essa razão, o jovem que se dedica ao serviço de táxi foi obrigado a abandonar a sua residência para uma zona aparentemente mais segura, ainda no município da Matala, na província da Huíla.
Afonso conta que o bairro em que vive não oferece qualquer segurança para os seus moradores, a julgar pela falta de iluminação pública, agravada pela ausência de policiamento de proximidade. Depois de ter apresentado queixa ao Comando Municipal da Polícia Nacional sobre o ocorrido na sua família, o cidadão diz se sentir abandonado por esta, que não presta qualquer informação sobre o caso.
“A Polícia comunicou ao meu vizinho, depois de 24 horas, pe diram que eu levasse as meninas ao Comando Municipal para que estas fossem prestar declarações, fui lá, e nada me foi informado, até ao momento. Eles levaram os meus documentos pessoais e a Polícia não diz se recuperaram ou não os meus pertences, para além de as minhas filhas precisarem de um acompanhamento psicológico”, disse.
Polícia diz ter detido os autores do crime
O Comando Municipal da Polícia Nacional na Matala revelou que, depois de um trabalho investigativo, foi possível efectuar a detenção de quatro dos seis cidadãos que assaltaram a residên- cia de Afonso.
Os detidos, segundo uma fonte deste jornal junto ao Comando da Polícia Nacional naquele município da província da Huíla, já foram apresentados ao Ministério Público que lhes aplicou a medida de coação mais gravosa.
Enquan- to isso, decorrem buscas para se localizar e deter outros dois cidadãos que se encontram em fuga. Ainda assim, a vítima pede que haja mais comunicação entre os órgãos que actuam na administração da justiça, com vista a atenuar os danos sofridos com os actos destes marginais.
POR:João Katombela, na Huíla