Na abertura das comemorações do Dia da Consciencialização do Autismo, feita ontem na província do Bengo, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, disse que o Hospital Geral do Bengo, Reverendo Guilherme Pereira Inglês, fez o rastreio de mais de 300 crianças provenientes de seis províncias, com transtorno de neurodesenvolvimento
Hoje, 2 de Abril, comemora-se o Dia da Consciencialização do Autismo. Ontem, na província do Bengo, o Hospital Geral Guilherme Pereira Inglês foi o local escolhido para a abertura da comemoração desta data, que serviu para reflexão sobre os avanços e desafios na prestação de cuidados de saúde no domínio da perturbação do espectro do autismo.
É sobre isso que a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, aproveitou para dizer que o nosso país fez um feito histórico que con- siste em, pela primeira vez, uma unidade sanitária do Serviço Nacional de Saúde, no caso, o Hos- pital Geral do Bengo, estar a realizar intervenções abrangentes de diagnóstico e terapêutica para pessoas com perturbação do espectro do autismo.
Entre o dia 18 e 20 de Novembro de 2024, realizou-se, naquela unidade sanitária, a campanha de rastreio de transtorno de neurodesenvolvimento, tendo sido diagnosticadas (e estão a ser acompanhadas) mais de 300 crianças. Estas crianças provêm de várias províncias, nomeadamente do Bengo, de Luanda, Cuanza-Sul, Huambo, Cabinda e Zaire.
“Este esforço demonstra não apenas o nosso compromisso com a saúde pública, mas também destaca a importância de interven- ções precoces e eficazes. Este rastreio, realizado no Hospital Geral do Bengo, permitiu a elaboração de um Plano Integrado de Intervenções Terapêuticas para mais de 300 crianças e suas famílias, incluindo a formação de técnicos e de supervisores”, sublinhou.
Lutucuta diz que este é um passo crucial para garantir que todas as crianças tenham oportunidade de receber apoio necessário desde muito cedo. Ainda nesta senda, ressaltou que o mesmo hospital do Bengo formou 300 profissionais de saúde, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica sobre o transtorno do neurodesenvolvimento.
As mais de 300 crianças e suas famílias estão a beneficiar de intervenções que incluem terapias comportamentais, apoio educacional para as crianças e cuida- dos por uma equipa multidisciplinar do hospital que foi capa- citada para garantir um suporte abrangente e contínuo. “Estamos a utilizar métodos baseados em evidências para garantir que as intervenções sejam eficazes, nomeadamente o uso de tecnologias modernas e práticas terapêuticas inovadoras que pro- movem o desenvolvimento social e comunicativo das crianças”, defendeu.
Os cuidadores, por terem um papel vital neste processo, estão a ser capacitados para darem apoio aos seus filhos de maneira eficaz, bem como para darem continuidade às intervenções terapêuticas em casa e fortalecerem um ambiente familiar de aprendizagem e desenvolvimento contínuo dos seus filhos.
Compromisso deve ser de todos
Para a ministra de Estado para a área social, Maria do Rosário Bragança, o objectivo primordial é promover um espaço para a sensibilização da população em geral sobre a perturbação do espectro do autismo em Angola, envolvendo órgãos do Executivo, associações de carácter filantrópico em Angola que lutam pela consciencialização da perturbação do espectro do autismo, técnicos de saúde e familiares de pessoas afectadas com esta perturbação, para além de profissionais da educação e da ação social.
Naquele encontro foram analisados os avanços conquistados, identificados os obstáculos encontrados e compartilhadas as metodologias mais eficazes implementadas no atendimento e acompanhamento de pessoas com autismo. É imperativo, para a ministra, que enquanto membros activos da nossa sociedade, nos unamos em esforços conjuntos para promover a inclusão social efectiva, garantir o acesso universal a serviços especializados de qualidade e assegurar o respeito incondicional à dignidade das pessoas com autismo.
“O Dia Mundial de Conscien- cialização do Autismo é um for- te alerta que tem de ressoar todos os restantes dias do ano nas vidas de cada uma das pessoas com autismo e dos seus familiares. E não se trata apenas de um compromisso institucional, mas de uma responsabilidade que tem de ser colectiva, que nos compete enquanto cidadãos conscientes e agentes activos de transformação social”, defende.
A Organização Mundial de Saúde estima que aproximadamente uma em cada 160 crianças no mundo tem uma perturbação do espectro do autismo, o que cor- responde a cerca de 0,6% da população infantil global. Contudo, vale ressaltar que a prevalência do autismo pode variar significativamente de acordo com a metodologia de investigação, do acesso aos serviços de saúde e outros factores socioeconómicos. Globalmente, é três vezes mais frequente nos rapazes do que nas raparigas.
Em Angola, embora a ministra da saúde, Sílvia Lutucuta, tenha reconhecido que ainda enfrentamos limitações na recolha sistemática de dados, sabe-se que um número crescente de famílias lida com o desafio que esta condição impõe no quotidiano. “É nosso dever garantir que nenhuma criança, jovem ou adulto com autismo seja deixado pa-