Em entrevista a este jornal, Teresa Domingos Gabriel enalteceu o empenho do presidente do partido FNLA, Nimi-a- Nsimbi, por ter tornado possível a realização do primeiro Congresso Ordinário da AMA, que a elegeu para a liderança daquela organização feminina.
Inicialmente, estiveram na corrida para a liderança da organização quatro candidatas, porém, duas renunciaram a sua candidatura, e apenas duas concorreram na fase final, entre as quais foi eleita a candidata Teresa Gabriel, com 181 votos, contra 96 votos da sua adversária, Maria António Vulenvo.
A nova líder da AMA disse estar agora pronta para conferir uma nova dinâmica à mulher militante da FNLA, e fazer com que a voz da mulher angolana em geral seja ouvida na sociedade. “A realização deste congresso só foi possível neste mandato do presidente Nimi-a-Nsimbi, pois passaram vários presidentes pela FN- LA e ele foi o único no seu manda- to que decidiu realizar o congresso da AMA.
De sublinhar que não é a Teresa Gabriel que ganhou, todas as mulheres ganharam, particularmente a AMA, e vou agora trabalhar nos três eixos que tracei ao longo da minha campanha”, disse.
Desafios futuros
A responsável apontou como principais desafios para a organização a aposta nos eixos político, económico e social. Sublinhou que a AMA vai reforçar o seu apoio ao partido para melhorar a sua posição nos próximos pleitos eleitorais.
Fez saber ainda que a organização quer se tornar na porta-voz das mulheres angolanas, transmitir aquilo que é a preocupação de todas as mulheres, e seu foco será fazer advocacia para as questões ligadas à fome e à pobreza, à violência doméstica, ao cancro da mama, e ainda trabalhar em prol da valorização da mulher zungueira, no combate ao analfabetismo e na estabilização dos preços da cesta básica.
“Estamos preocupadas com o rumo e a imagem da FNLA para os próximos desafios eleitorais, por isso vamos trabalhar a partir de 2025, para que tenhamos algum êxito nas eleições gerais de 2027.
Queremos fazer mais pressão para conseguirmos, a nível da Assembleia Nacional, pelo menos uma mulher a representar a FNLA, porque desde a sua fundação, nunca houve uma representação feminina da FNLA a esse nível”, sublinhou.
Defendeu que a mobilização deve partir das bases, para tal, garantiu que a organização irá, a partir do próximo ano, organizar as suas estruturas de base a nível de todas as províncias do país, no sentido de ter melhor controlo e consolidar as suas bases.
Situação social do país
No que respeita à situação socio- económica do país, Teresa Gabriel fez um balanço negativo do desempenho das autoridades governamentais angolanas, tendo em conta o aumento do nível de pobreza nas famílias. Referiu que a situação sócio-económica do país agudizou-se de modo preocupante, apelando à conjugação de esforços de todos os representantes sociais, e a adopção de políticas que permitam a melhoria das condições de vida das populações no país.
“Ver, nos dias de hoje, pessoas em sã consciência a procurarem comida em contentores de lixo para poder sobreviver, é de lamentar.
Esperamos que nos próximos tempos o cenário possa mudar”, apelou. De salientar que a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) é um dos partidos políticos históricos angolanos. Fundado em 1954, com o nome de “União das Populações do Norte de Angola” (UP-NA), assumindo, em 1958, o nome de “União das Populações de Angola” (UPA).
Em 1962, a UPA, ao absorver outro grupo anticolonial, o Partido Democrático de Angola (PDA) constituiu a FNLA. A FNLA foi um dos movimentos nacionalistas angolanos durante a guerra anticolonial de 1961 a 1974, juntamente com a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).
No processo de negociação da descolonização de Angola, em 1974/1975, bem como na Guerra Civil Angolana de 1975 a 2002, combateu o MPLA ao lado da UNI- TA. Desde 1991, é um partido político cuja importância tem vindo a diminuir drasticamente, em função dos seus fracos resultados nos pleitos eleitorais.