“Consegui, meu Deus não dorme. Os invejosos pensaram que poderia desistir”. São as frases mais comuns de muitos estudantes angolanos depois da graduação.
Em Angola, quando o assunto é ensino superior, quase todos queremos estar lá, a maior preocupação vem de quem nos sustenta, pois, a visão de que nos é passada é tão bárbara no contexto angolano.
Vê só, os nossos pais dizem que, para ser bemsucedido na vida, temos que estudar, não me refiro só em terminar o ensino médio ou ser pré-universitário, eles vão mais além, quando mencionam o mestrado e o doutoramento, mas o que mais me inquieta é a percepção dos estudos que eles têm.
Não é que eles estejam errados, mas quem quer estudar e não trabalhar? Talvez por isso todos nós frequentamos as tais universidades com este objectivo – ser alguém. Porque se nos falassem que mesmo com o nível do secundário era possível nos destacarmos na sociedade, muitos nem se importariam em ter o ensino superior.
As universidades no meu parecer, teriam como a finalidade a produção de conhecimento, preparar profissionais a fim de solucionarem os problemas socias, econômicas e questões políticas, pois são instituições pluridisciplinar, a sua intenção não seria reproduzir robôs, mas sim pensadores.
A minha abordagem foca-se no contexto angolano, pois é aqui onde valorizamos o ensino superior apenas em outorga de diplomas, reconhecendo-os por terem frequentado a universidade pelas ousadias das redes sociais e frases já destacado a cima.
Não é por mal, não é mesmo por mal, eu acho que temos exagerado no número de graduados com deficiências, no tempo do colono havia um número ínfimo de pessoas com um nível de escolaridade aceitável, ainda assim a sociedade tinha uma conduta diferente a da nossa.
Hoje, em pleno século XXI onde o número de graduados, mestrados e doutorados é elevado, os índices de problemas sociais aumentam, mas quem estaria a dar soluções nestes problemas, se não for os pensadores?
Surge a pergunta, e depois da universidade, o que acontece? Tirar fotos e postar com legendas maquiavélica? Esperar o concurso público e não entrar para se tornar revú?
Os efeitos positivos após alguns anos do ensino superior em Angola é tão baixa que deixa a desejar o nosso ensino, se olharmos pela produção científica quase que as pessoas são as mesmas, não queira dizer que não existem, mas pelo número de “formados” que o país já tem, os problemas básicos tinham de reduzir.
Hoje em dia existe um lema tão conhecido por muitos, “a universidade não dá emprego, e sim a visão”. Até o momento actual, estamos perdidos sem saber o real objectivo do ensino, dizia um professor angolano, “se fores graduado e ficares reclamando pelo concurso público, isso mostra que a tua universidade não te formou, ao invés de solucionares certos problemas, estudaste para aumentar mais problemas”.
E depois da universidade? O que pretendes fazer, fotos e dizeres maquiavélico ou solucionar certos problemas que o país atravessa?
Por: CAPELA JOÃO NDUNGIDI