Já lá vão 23 anos desde que o país conquistou a paz, em 2002, depois da morte em combate de Jonas Savimbi, em Lucusse, no Moxico. Duas décadas depois, a data continua – e continuará – a ser um verdadeiro marco para todos os angolanos, independentemente das cores políticas, raça e credo.
Ontem, durante uma entrevista num dos espaços juvenis da Rádio Mais, em Luanda, uma das entrevistadas dizia que o 4 de Abril é a segunda data mais impor- tante depois do 11 de Novembro, em que o país celebra a independência nacional.
Hoje, felizmente, enquanto se celebra a paz, que permitiu os processos de reconstrução e reconciliação nacional, assistiremos a um tributo em que serão reconhecidas mais de uma centena de cidadãos angolanos cujas impressões digitais se assentam no alcance da independência e demais conquistas em vários domínios ao longo das quase cinco décadas. São nomes variados.
Ligados à música, política, arte, sociedade, desporto, medicina e religião. Cada um deles, na sua área de actuação, foi uma verdadeira marca. É elementar que os mais novos tenham noção do que cada um deles representou numa determinada época do país. Ainda assim, à semelhança de milhares de decisões que foram tomadas neste país, há os que se sentem de algum modo excluídos.
O que pode parecer normal, tal como muitas das vezes nos sentimos ultrapassa- dos quando, por exemplo, numa partida de futebol, vimos afastadas supostas estrelas pelos técnicos, alguns dos quais até por hipotéticos maus comportamentos. Ainda assim, a partida prossegue. E os resultados surgem depois.
As primeiras 247 personalidades a serem condecoradas, através das ordens Independência e Paz e Desenvolvimento, constituem somente um primeiro grupo de angolanos que verá o seu esforço pelo país reconhecido. Num leque de acções que se estenderá para além do último mês do ano em curso.
Embora ainda esteja em aberto a integração de outros nomes nas próximas condecorações, não espantará, entretanto, se muitos, ao invés do reconhecimento dos feitos de muitos dos presentes, procurem desviar o foco para nomes que não constem desta fase inicial.
Só que, assim como no futebol – ou em outras modalidades –, nem sempre os critérios de escolha dos jogadores estão ao alcance de todos, sem retirar o mérito de quem tenha o seu ponto de vista.
Tal como em Abril de 2002, os angolanos exultaram por conta dos apertos de mãos entre os generais Armando da Cruz Neto, em representação das FAA, e o Abreu Muengo Ukwatchitembo ‘Kamorteiro’, em pleno Palácio dos Congressos, com choros à mistura, espera-se que o dia de hoje seja também preenchido pelos mesmos sentimentos e a esperança de que dias melhores virão para Angola.