Não faz muito tempo que visitei o município do Lôvua, então comuna da Lunda-Norte que há alguns anos evoluiu para município. Antes da Nova Divisão Político-Administrativa que deu vazão ao nascimento de novas províncias e mais municípios no país.
Embora hoje seja presença constante nos órgãos de comunicação social por causa das realizações que vão acontecendo positivamente no âmbito político, económico e social, há alguns anos o era por conta do elevado número de refugiados provenientes da República Democrática do Congo.
Até hoje, o município alberga um campo de refugiados gerido pelo HCR, com milhares de cidadãos congoleses que preferem aqui residir, contrariamente a alguns dos seus compatriotas que regressaram, há algum tempo, voluntariamente.
A instabilidade permanente que se vive em determinados territórios do vizinho Congo Democrático é um rastilho para que outros milhares a esta hora tenham Angola como uma das maiores opções para fugirem ao conflito armado, embora exista quem pense, neste momento, que o facto de a guerra se ter intensificado em Goma, Bukavu e outras áreas, estaríamos ilesos de qualquer pressão demográfica.
Desde a época colonial que se sabe que entre os dois países, Angola e República Democrática do Congo, existe uma relação quase que umbilical, assente num efeito de contágio que obriga que cada um espere que o outro esteja bem para não sofrer as consequências indirectas.
Daí o interesse de as autoridades angolanas, da base ao topo, sentirem-se obrigadas a contribuir para que os irmãos congoleses se entendam para que possam viver harmoniosamente, possibilitando que, entre os dois países, as relações fiquem assentes em áreas que catapultem para o desenvolvimento.
Mais do que um certo capricho, como se quer pintar por vários sectores da vida política e social do país, o que tem estado em causa é mesmo um interesse nacional devido às externalidades negativas de que possamos também ser afectados em termos de segurança e não só caso o conflito se agudize.
Porém, independentemente dos desenvolvimentos no processo, Angola e as suas lideranças, a começar pelo seu Presidente, no caso João Lourenço, deverá manter firme a necessidade de ajudar que as partes desavindas consigam encontrar os mecanismos da paz. Aliás, não se pode em momento algum menosprezar que as bases para o que se poderá encontrar para o destino da RDC começaram a ser desenhadas a partir de Luanda, onde por inúmeras vezes estiveram líderes congoleses e responsáveis ruandeses.
E é dever da diplomacia angolana manter o mesmo ritmo que se observava. Tal como se dizia em relação à Namíbia e África do Sul, onde estava a continuação da nossa luta, na visão de Agostinho Neto, da vizinha RDC também poderão estar alguns elementos de instabilidade caso a guerra retorne em força.
E Angola tem todo o interesse, devido à vasta fronteira, de se envolver para que nada disso ocorra por conta de um interesse que ultrapassa supostas quezílias partidárias.