Há dias, vasculhando por algumas páginas nas redes sociais, dei com um discurso de um parlamentar da UNITA, Francisco Falua, falando sobre a província em que representa esta organização política: o Cuanza-Norte.
Com a sua capital N’Dalatando, cortada a meio pela Estrada Nacional 230, a província viu, nas últimas eleições de 2022, o MPLA perder a sua hegemonia política, cedendo lugares ao maior partido da oposição, que, por sinal, elegeu dois deputados.
Um deles é o deputado Falua, que não se fez rogado, coisa que pouco acontece com alguns dos seus confrades, e manifestou agrado pelas transformações que a capital da província em que vive vai conhecendo. O outro deputado dos ‘maninhos’ dispensa qualquer apresentação.
Trata-se de Alberto Catenda, apontado pejorativamente como sendo deputado taxista que, depois de um expediente, acabou afastado da Assembleia Nacional nos últimos dias. Por conta desta situação, acredita-se que a imagem do Galo Negro na circunscrição não era das melhores, o que desde já necessitava de acções marcantes para restaurar a confiança que lhes tinha sido depositada no passado, sobretudo nas eleições de há três anos.
A aposta num novo governador da província, no caso João Gaspar Diogo, que assumiu uma presença proactiva em vários domínios, cria em muitos a sensação de que se vai fazendo muitas coisas, a começar pela reabilitação de algumas infra-estruturas e, sobretudo, a devolução da imagem que a capital do Cuanza-Norte há muito clamava.
Quem circula pela província, lê os escritos dos nativos e até de indivíduos que escolheram o local para viver, trabalhar ou empreender, são quase unânimes de que a actual gestão vai dando sinais positivos. Por isso, não admira que, há alguns dias, o próprio representante da UNITA tenha alinhado no mesmo diapasão para não destoar o que grande parte dos munícipes vai evocando.
Este fim-de-semana, o deputado decidiu sair à rua para se manifestar sobre a vida dos cidadãos da província, resguardado no direito democrático de manifestação e liberdade de expressão.
Porém, as informações que nos chegaram ontem são as de que teria sido importunado por este acto, o que veio a provocar já um certo alarido em determinados meios, incluindo do seu partido, a UNITA. Infelizmente, muitas manifestações acabaram por ter mais repercussão por conta da actuação das forças da ordem ou de outras organizações, mas nem tanto por aquilo que os seus proponentes idealizam.
Ou seja, se se deixasse manifestar, quase que muitos nem se aperceberiam da sua existência. Por isso, é imperioso que alguns estrategas repensem a forma de actuação, porque, no caso do deputado Falua, os seus adversários do MPLA teriam como o contrapor com os seus próprios dizeres sobre as alterações positivas que vão ocorrendo na província, que acabam por se reflectir nos próprios cidadãos. E nada mais.