É de hoje… A Casa do Kwanza e as mortes de Joãozinho e Mizalaque

Ainauguração da Casa do Kwanza em Icolo e Bengo serviu de mote para que o Presidente da República se debruçasse sobre a economia nacional, fundamentalmente da estabilidade da nossa moeda.

À semelhança do que fizera já, creio, há algum tempo, ficou patente a ideia de que não há mesmo varinhas mágicas. Depois da abertura, a questão principal levantada por muitos era a de procurar saber se no local se vai imprimir dinheiro, o que permitiria ao país poupar com as impressões feitas no exterior, como nos tempos da famosa De La Rue.

Mas não. A Casa do Kwanza é uma infra-estrutura erguida pelo Banco Nacional de Angola para funcionar como centro logístico de armazenamento, processamento e destruição de dinheiro. ‘Esta infra-estrutura estava a fazer falta. As funções que vai desempenhar eram realizadas em condições muito precárias, no próprio edifício central do Banco Nacional de Angola.

Precárias não apenas do ponto de vista de acomodação do pessoal que lá trabalhava, de conforto, mas, sobretudo, precárias do ponto de vista de segurança”, esclareceu o Presidente da República, João Lourenço, realçando que “como sabem, a moeda tem a ver com a nossa própria soberania.

Proteger a nossa moeda não é fácil, mas é importante e necessário”. Embora possa parecer uma actividade de pouca importância, o armazenamento, processamento e destruição de dinheiro – aquele que se supõe estar velhinho – já esteve no centro de polémicas, que culminaram em mortes, julgamentos e até defenestração de entidades públicas.

O célebre caso envolvendo um antigo comandante da Polícia em Luanda e a morte de dois efectivos, Domingos João ‘Joãozinho’ e Domingos Mizalaque, há poucos anos, teve como pano de fundo as notas supostamente antigas que iriam ser incineradas, mas que acabaram escondidas algures em Viana, em Luanda.

Dentro dos vários expedientes de enriquecimento ilícito, em que se utilizaram diversos meios e acrobacias até, a Casa do Kwanza vem também tapar um buraco. É que depois do caso acima mencionado, amplamente divulgado pela imprensa angolana, seria de todo imprudente acreditar que as operações de queima não observem falhas e que muitas das notas que se esperavam afastadas ainda estejam a circular pelo mercado.

A ver vamos agora se, estando todas as actividades concentradas num único local, o que pressupõe uma certa segurança, existirão alguns iluminados que se sentirão no direito de ‘furar’ o esquema. Ousadia, nos tempos actuais, certamente que não faltará, se tivermos em conta o apetite frenético pelo enriquecimento rápido que se assiste em quase todos os sectores.

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