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Do estruturalismo [semântico] ao gerativismo na poesia litteragrista: tunda vala ano II

Jornal Opais por Jornal Opais
25 de Outubro, 2024
Em Opinião

O estruturalismo ao gerativismo, objecto de análise a poesia litteragrista, equaciona – se como parte constitutiva na construção de uma nova abordagem que se dá na relação semiótica e sistémica no processo produtivo entre a forma e o sentido.

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Obviamente que, implicitamente, a discussão triádica sobre língua, linguagem e fala além de dialéctica é inesgotável. Assim, na construção do enunciado poético, percebemos que há influência do imaginário angolano e a criatividade bipartida entre a pré e a intuitiva nos cultores da poética litteragrista.

Por meio do revisionismo das literaturas, da interpretação extensiva e da pragmática, recorre- mos à Teoria do Efeito do alemão Wolfgang Iser que realça de forma valorativa a relação intencional entre o texto e o leitor para aludirmos que os poetas litteragristas, subjectivamente, fazem recurso ao signo linguístico.

Por exemplo, no poema Equívoco de Lourenço Mussango ««vejo cães no palco camões de palha/putas expressivas bem falantes//»» (2018, p. 83). Neste sentido, consubstanciamo-nos em relação ao pensamento de Aristóteles aquando da apelação que a poesia é mimeses.

Daí que, sustenta Kant cit. por Vinícius de Figueiredo “que o conhecimento [ideal, real, objectivo, subjectivo] resulta de uma actividade do entendimento sobre [poesia na sua bidimensionalidade: ofício e arte] os fenómenos dados à nossa intuição” (2010, p.35).

Vejamos, por exemplo, em Emanuel Mambo no poema “Ansiada Chegada” ««Na noite vermelha com cajado/ raiando unção de abrir mares//»» (2018, p. 74). Assim, a língua como instrumento de trabalho da poética litteragrista não é um processo que se efectiva isoladamente.

Ora bem, entendemos que as abstracções sobre o que se entende, como conceptualiza-se, como operacionaliza-se, como concebe-se o valor semântico que se atribui à língua, neste caso, como ferramenta poética, tendo em conta os diferentes factores, por exemplo, status quo, nível cultural, académico, simboliza o idealismo transcendental, termo plasmado por Vinícius de Figueiredo, em Kant e a Crítica da Razão Pura, que se subjaz por via da ruptura e da ideo- estética que se configura como faixo da poética litteragrista.

A par do dito, recorremos à Cíntia Eliane no seu poema, Vá li dar Contrários, ««céu embrulha- do na terra/onde lâmina do tempo fere luz//»» (2018, p.72). Aferimos que no primeiro trecho poético, na perspectiva do estruturalismo ao gerativismo, assiste-se a um estruturalismo, isto é, semântico, em que não há alterações morfossintácticas e sim de sentido por conta das combinações semânticas entre as palavras.

E já no segundo, o título do poema estabelece uma relação combinatória paradoxal “VÁ LI DAR” que à luz da fonética se subscreve- ao estruturalismo, porém, à luz da escrita subscreve-se ao gerativismo. E acopla-se, por exemplo, o título do poema de Edson Nunes “vinhum” (2018, p.73).

Aferimos que a poética litteragrista consubstancia-se num grupo de poetas angolanos que partilham a mesma cosmo estética que se manifesta como conjunto de preceitos filosóficos, artísticos, teóricos e sistemáticos dispositivos de ensinamentos e orientações na criação das suas obras.

POR:HAMILTON ARTES

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