O instituto regulador dos Derivados do Petróleo (IRDP), enquanto entidade reguladora com competência para divulgar os preços, anunciou ontem, em Luanda, o aumento do preço do gasóleo para 300 kwanzas, contra os anteriores 200 kwanzas praticados até às 00:59 minutos de domingo
O IRDP justifica o aumento do preço do gasóleo com o ajuste gradual no preço dos combustíveis, de acordo com o Mecanismo de Ajustamento Flexível e paridade de importação e exportação, aprovados pelo Decreto Presidencial 283/20, de 27 de Outubro.
O IRDP, órgão tutelado pelo Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, informa, entretanto, que os preços de venda ao público dos demais produtos, em regime de preços fixados, nomeadamente a gasolina, o petróleo iluminante e o gás de petróleo liquefeito (GPL), se mantêm inalterados. Importa referir que o preço da gasolina custa, igualmente, 300 kwanzas.
Economista apela para manutenção de subsídios aos sectores estratégicos
O economista Heitor de Carvalho alertou que a retirada dos subsídios aos combustíveis deve ser prece- dida pela implementação de subsídios à produção, sobretudo para os taxistas, agricultores, transporte de mercadorias, uso de geradores industriais e pescas.
Para o especialista, foi um erro eliminar subsídios para os taxistas e gasóleo para a agricultura sem criar medidas compensatórias. Segundo suas estimativas, o custo de todos esses subsídios seria inferior a 1 bilião de kwanzas.
“Criando estes subsídios, era possível retirar de uma vez os subsí- dios aos combustíveis e ajustar o preço nas bombas para 900 ou 950 kwanzas por litro de gasóleo e gasolina. Isso representaria uma poupança imediata de 2 mil milhões de dólares para o país”, afirmou.
Heitor de Carvalho, que em diversas ocasiões mostrou-se a favor da subida dos combustíveis, defende que, caso não se opte por uma retirada única, a redução dos subsídios aos combustíveis deve ocorrer gradualmente ao longo de dois anos, garantindo que os incentivos aos taxistas e à agricultura sejam mantidos. “Estes são fundamentais para a sobrevivência da população e para a capacidade produtiva do país”, destacou.
No que diz respeito aos subsídios às pescas e ao transporte de mercadorias, o economista sugere que sejam aplicados temporariamente para amortecer o impacto da retirada dos subsídios gerais. “Estes subsídios devem ser criados apenas para que a retirada dos subsídios aos combustíveis não cause um choque na economia.
O impacto poderia ser muito grande se isso não for feito com planeamento”, alertou. Heitor de Carvalho estima que a manutenção dos subsídios essenciais teria um custo entre 300 e 400 mil milhões de kwanzas, valor que considera suportável pelo Orçamento Geral do Estado.
Além disso, sugere que os subsídios temporários às pescas, ao transporte de mercadorias e aos geradores sejam mantidos por dois anos e meio, permitindo uma transição mais suave para a economia.
Por fim, o economista alertou para o risco inflacionário caso a retira- da dos subsídios ocorra sem medidas compensatórias. “Se não fizermos isso, vamos ter um choque muito grande na economia e um aumento significativo da inflação, o que prejudica toda a população”, concluiu.