Segundo a governante, que falava no discurso de abertura do colóquio, o Ministério da Educação está a trabalhar nos detalhes no sentido de, caso não haja qualquer imprevisto, serem implementadas as línguas nacionais no sistema de ensino geral a partir do próximo lectivo que arranca já em Setembro deste ano.
Entre as línguas selecionadas constam o Kimbundu, o Kikongo, Tchokwe, Umbundo, Mbunda, Kwanyama, Nhaneca, Fiote e Nganguela. As outras línguas, por serem dominantes apenas por números muito restritos de populações, vão continuar a desempenhar o seu papel como meio de comunicação regional entre os povos das respectivas localidades.
Luísa Grilo afirmou que a implementação será a nível de todas as províncias do país, abrangendo tanto as instituições públicas quanto privadas.
“Nós já fizemos uma primeira experiência, com o apoio da África do Sul, na fase piloto, agora estamos a preparar todos os materiais necessários para, caso as coisas corram como perspectivamos, podermos implementar as nossas línguas nacionais já no próximo ano lectivo”, avançou a ministra à imprensa.
Questionada sobre em que nível se encontra o processo de preparação, Luísa Grilo assegurou que já se está em níveis avançados e que, se tudo correr como o programado, em Setembro teremos as línguas nacionais a serem lecionadas em todas as escolas do país.
Quanto aos níveis de ensino a que as línguas serão implementadas, a governante fez saber que, numa primeira fase, a implementação vai abranger somente o ensino primário, justificando que o material até então disponível só permite executar naquele nível de ensino.
“Vamos começar com o ensino primário porque o material que temos produzido até agora só nos permite trabalhar com o ensino primário”, ressaltou a ministra, frisando que outros níveis poderão ser incluídos à medida que forem disponibilizados os materiais necessários.
Instituto de Línguas
Nacionais cria condições técnicas e didácticas O colóquio realizado em alusão a duas importantes datas celebradas, a Semana das Línguas Africanas, que se assinala de 21 a 27 do corrente mês, e o Dia Internacional da Língua Materna, assinalado no dia 21, visa analisar, avaliar e colher subsídios de especialistas e académicos sobre as metodologias adequadas para melhor se dar o tratamento às línguas nacionais, especialmente aquelas que não têm um alfabeto definido, as chamadas “línguas ágrafas”.
No centro das discussões esteve também em análise a situação do processo de implementação das línguas no sistema de ensino geral. Neste quesito, José Pedro, director do Instituto de Línguas Nacionais, órgão afecto ao Ministério da Cultura, adiantou que estão a ser reunidas todas as condições técnicas e didáticas para que se efective a implementação das línguas nacionais já no próximo ano lectivo.
O responsável disse que estão a ser preparados quadros qualificados e, por esta razão, o colóquio surge como reforço para “afinar” as ideias e dinâmicas de execução do processo, numa acção conjunta entre os ministérios da Cultura e da Educação.
Sublinhou que é nesta linha de pensamento que ambos os ministérios juntaram-se numa iniciativa no sentido de convidar académicos e especialistas para apresentarem contribuições importantes que visam apontar caminhos para a preservação e valorização das referidas línguas.
Temáticas em discussão
O papel das pinturas rupestres na compreensão do desenvolvimento dos modos de comunicação; Os Sona: desenhos na areia e outros estiveram entre os temas abordados no colóquio que tem continuidade hoje, a partir das 9h30, no mesmo lugar.
Além de analistas e académicos angolanos, o encontro está a contar com a participação de especialistas internacionais (via zoom), de países como França, Brasil, Portugal, Namíbia e África do Sul. Participam igualmente do encontro estudantes, docentes, pesquisadores e membros da sociedade civil.