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OPAÍS

Macron visita China com foco na Ucrânia e relações económicas

Jornal Opaispor Jornal Opais
5 de Abril, 2023
Em Mundo
Macron visita China com foco na Ucrânia  e relações económicas

O presidente francês, Emmanuel Macron, inicia, na Quarta-feira, uma visita de Estado de três dias à China, onde vai abordar com o homólogo chinês, Xi Jinping, a guerra na Ucrânia e as relações económicas bilaterais

“O presidente Xi Jinping vai reunir-se com (Macron) para planear e liderar, em conjunto, o desenvolvimento futuro das relações sino-francesas e aprofundar a cooperação com a França e a Europa em vários campos”, disse, na Segunda-feira, Mao Ning, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

“Eles vão trocar opiniões aprofundadas sobre as principais questões internacionais e regionais”, acrescentou.

A viagem de Macron termina com uma visita a Cantão, a capital da província de Guangdong, no S udeste da China.

“Os presidentes da França e da China vão manter amplas discussões sobre a guerra na Ucrânia, visando trabalhar no sentido de restaurar a paz e o respeito pelo direito internacional, particularmente a integridade territorial e a soberania da Ucrânia”, disse o gabinete do presidente francês, em comunicado.

A viagem de Macron coincide com uma visita à China da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e ocorre após uma deslocação ao país asiático do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.

Também o chanceler alemão, Olaf Scholz, esteve em Beijing, em Novembro passado.

Analistas citados pela imprensa oficial chinesa consideraram que as visitas de líderes europeus a Pequim ilustram o reconhecimento da importância do país asiático como “promotor da paz”.

O “modelo de resolução de disputas internacionais” da China é “amplamente reconhecido” pela comunidade internacional e a visita de líderes europeus ao país “reflecte a ânsia da Europa” em alcançar uma solução para a crise na Ucrânia, que “está a preocupar, profundamente, o continente”, escreveu o Global Times, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, com base nas declarações de analistas chineses.

Xi reclamou, abertamente, um papel maior para a China na resolução de questões internacionais.

Num triunfo para o líder chinês, o Irão e a Arábia Saudita anunciaram, no mês passado, em Beijing, um acordo para restabelecerem as relações diplomáticas, cortadas por Riad em 2016.

“A China está a entrar no Oceano”, disse metaforicamente o coronel reformado chinês Zhou Bo, numa entrevista à revista Time.

“Não há como voltar atrás”.

As visitas dos líderes europeus ocorrem apenas algumas semanas depois de Xi reunir com o homólogo russo, Vladimir Putin, em Moscovo.

“Se há um único país que pode levar Moscovo a mudar os seus cálculos é a China”, admitiu, na Segunda-feira, um funcionário do gabinete de Macron, citado pelo jornal britânico Financial Times.

Numa conversa por telefone com o assessor diplomático do presidente francês, Emmanuel Bonne, após a visita de Xi a Moscovo, o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, defendeu que a China e a Europa devem chegar a um “consenso estratégico” para promoverem um cessar-fogo e uma resolução política da guerra.

Beijing apresentou uma proposta para a paz, que foi criticada na Europa e nos Estados Unidos por não exigir a retirada das tropas russas e ignorar as reivindicações de soberania de Kiev nos territórios ocupados.

Na semana passada, num debate no Parlamento Europeu, Ursula von der Leyen disse que a visita de Xi a Moscovo foi uma “lembrança absoluta” dos objectivos globais de Beijing.

A líder europeia rejeitou as propostas da China para a paz na Ucrânia, mas ressalvou que a “China tem a responsabilidade de desempenhar um papel construtivo no avanço de uma paz justa”.

“Longe de se deixar abater pela invasão atroz e ilegal da Ucrânia, o presidente Xi mantém a sua ‘amizade sem limites’ com a Rússia de Putin”, disse.

Ursula von der Leyen lembrou que a “forma como a China continua a interagir com a guerra de Putin, será um factor determinante para as relações UE-China daqui para a frente”.

Citado pelo jornal de Hong Kong, South China Morning Post, o professor de relações internacionais da Universidade de Sichuan, no Sudoeste da China, Pang Zhongying, disse que Macron e von der Leyen vão continuar a instar a China a exercer a sua influência sobre a Rússia para acabar com a guerra, enfatizando o ponto em comum com Beijing sobre a necessidade de respeitar a integridade territorial e condenar ameaças de uso de força nuclear.

“Se a China não usar o seu relacionamento com a Rússia, tornarse-á difícil para os líderes ocidentais acreditar no seu plano de paz ou falar num acordo político”, disse Pang.

As questões económicas também vão estar no topo da agenda das visitas.

A presidente da Comissão Europeia disse que o bloco deve considerar restringir o investimento de empresas europeias na China em sectores sensíveis, como robótica, computação quântica e inteligência artificial.

“O presidente Macron também pretende defender os interesses das empresas francesas e garantir que uma relação equilibrada com a China beneficia as empresas e os consumidores franceses”, lêse no comunicado do gabinete do presidente francês.

O líder francês vai ser acompanhado pelo ministro das Finanças, Bruno Le Maire, a ministra dos Negócios Estrangeiros, Catherine Colonna, e líderes de cerca de 50 empresas, incluindo o grupo de energia nuclear EDF e o grupo de água e resíduos Veolia.

A construtora Airbus também faz parte da delegação, numa altura em que está a negociar um contrato para fornecer aviões à China.

A China é o terceiro maior destino das exportações da União Europeia e o maior fornecedor das importações da UE.

Von der Leyen também visitou Washington no início de Março para discutir a cooperação em matérias-primas, visando reduzir a dependência da UE face à China.

Quase todas as terras raras da Europa provêm da China.

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