O áudio que relata o estado físico dos músicos Ary e Yuri da Cunha foi gravado por um aplicativo instalado nos telefones da empresa Portal Sacatindi, onde trabalhava Henriqueta Hundinga (Keith), a pessoa que conversava com Yola Araújo sobre vários assuntos, inclusive o que resultou no processo-crime em que está a ser acusada de calúnia, difamação e injúria. Porém, as circunstâncias exactas do seu vazamento continuam desconhecidas
O Tribunal de Comarca de Luanda ouviu ontem, das 12 horas e 40 minutos, até perto das 21 horas, os cidadãos nacionais Sabalo Salazar (director do Portal Sacatindi), Cármen Mouro (actual mulher do ex-marido de Yola Araújo) e Keith (uma das administradoras do Portal), na condição de testemunha, via WhatsApp, por se encontrarem em Portugal.
Ao ser questionado pelo advogado de Yola Araújo sobre a gravação da conversa, Sabalo Salazar esclareceu que instalou o sistema de gravação nos telefones da empresa para controlar a actividade interna de notícias e entretenimento, uma vez que era impossível fiscalizar todos os funcionários individualmente. Mas, sobre o vazamento da conversa, desconhece, exactamente, as circunstâncias da sua ocorrência.
Durante a apresentação do seu testemunho, revelou a sua antiga colaboradora, Keith, que era a pessoa que mantinha conversas com Yola Araújo sobre vários assuntos e, possivelmente, terão falado sobre a situação que deu origem ao processo movido por Ary e Yuri da Cunha, que exigem uma indemnização de 250 milhões de kwanzas para a reparação de danos patrimoniais causados pela divulgação do áudio nas redes sociais.
O responsável disse que, após o vazamento da conversa, foi contactado, por telefone, por Yola Araújo, para estancar a proliferação do áudio nas suas redes sociais, embora já tivesse sido publicado em outras páginas do Instagram. No entanto, durante a conversa, Yola confirmou-lhe ter abordado o tema com Keith e reconhecido a própria voz na gravação.
Sabalo Salazar contou ainda que, na tentativa de apurar a alegada origem da fuga de informação, ambos montaram uma estratégia que permitiu identificar Keith e Cármen Mouro.
Henriqueta nega ter falado com Yola sobre o estado físico dos queixosos
Em sua defesa, Keith negou ter conversado exclusivamente sobre o assunto com Yola e alegou que desconhecia a existência do aplicativo de gravação automática no telemóvel da empresa, que era partilhado com outros funcionários. A título de exemplo, contou que o seu antigo responsável, Sabalo Salazar, também usava o mesmo telemóvel.
Por outro lado, a testemunha também refutou qualquer envolvimento na suposta venda do material a Cármen Mouro, conforme a acusação faz referência, e afirmou ter sido alvo de perseguição após recusar uma proposta de Yola Araújo para seguir e fotografar a actual esposa de Fredy Costa. Segundo contou, a proposta surgiu após Cármen ter postado fotografias que davam a conhecer a sua gestação (gravidez).
Questionada sobre a sua relação com Yola Araújo, Keith enfatizou que não a conhece pessoalmente, uma vez que mantiveram contactos, via whatsapp, durante aproximadamente dois anos em função do trabalho que realizava no referido portal.
Cármen Mouro tenta isentar-se da divulgação do áudio
Por sua vez, Cármen Mouro asseverou que não recebeu áudio por parte de Keith, não o vazou nas redes sociais e que muito menos efectuou pagamento de valores para o efeito. Por essa razão, nada tem a ver com este processo em que a ex-esposa do seu marido enfrenta um pedido de indemnização de 250 milhões de kwanzas por danos causados aos artistas Ary e Yuri da Cunha.
Em declarações ao tribunal, Cármen afirmou que manteve apenas dois contactos com Keith, um via telefónica e outro presencial, relacionados com o pedido de Yola Araújo para monitorizar a gravidez da rival. Foi nestas circunstâncias que ficou a saber que Yola estava disposta a gastar dinheiro contratando alguém para fotografa-la, ao estilo de “paparazzi”, na ânsia de confirmar a sua gravidez.
Yola mantém afirmação de que houve venda do áudio
Yola Araújo referiu um dos testemunhos apresentados vai ao encontro do que disse, sobre a conversa com Keith ter sido gravada sem consentimento, e reiterou as informações recebidas sobre uma suposta transação financeira pelo material.
Quanto à negociação do áudio entre Keith e Cármen Mouro, contou que, segundo informações recebidas, custou 15 mil euros para os áudios e depois três mil euros para fazer uma live e falar mal de si.
A cantora sustentou que a prova da entrega dos ficheiros a Cármen Mouro será apresentada na próxima audiência. “Não houve uma terceira pessoa. Agora é só esperar a próxima audiência para apresentar as provas que Keith deu esse material à Carmen Mouro, isso dito por ela. “Daí já será com elas duas”, garantiu.
Por outro lado, considerou que a intervenção da Sacatindi visou proteger apenas o Cármen Mouro, o que, segundo ela, indica que foi pago para fazer o papel de vilão da história.








