As empresas que já conseguem obter retorno consolidado da inteligência artificial (IA) dependem três vezes menos de um único fornecedor de modelos tecnológicos, em comparação com as organizações que ainda se encontram na fase de experimentação, revela o estudo Global AI Pulse Q3 2026, da KPMG.
De acordo com o estudo, apenas 6% das organizações com retorno consolidado dependem de um único fornecedor, contra 19% das que ainda estão a experimentar soluções de inteligência artificial, colocando a diversificação de fornecedores entre os factores considerados na gestão dos investimentos nesta tecnologia.
O levantamento, que reuniu respostas de 2.131 líderes empresariais de 20 países, indica igualmente que apenas 12% das organizações medem de forma consistente o retorno da inteligência artificial em relação aos custos.
O investimento médio previsto em IA para o próximo ano aumentou 13% desde o primeiro trimestre de 2026, passando de 165 para 187 milhões de euros por organização.
Na região EMEA (Europa, Médio Oriente e África), o crescimento foi de 29%, passando de 139 para 180 milhões de euros, acima dos 7% registados nas Américas, enquanto na Ásia-Pacífico permaneceu praticamente estável.
Para Rui Gonçalves, Partner Head of Technology Consulting da KPMG para o Cluster Angola-Portugal, as empresas estão a entrar numa fase em que a prioridade já não consiste apenas na adopção da tecnologia, mas também na capacidade de transformar os investimentos em resultados concretos e sustentáveis.
O responsável considera que, para as empresas angolanas, o desafio passa por garantir que a utilização da inteligência artificial produza ganhos efectivos de eficiência, competitividade e capacidade de decisão, respeitando, em simultâneo, a Lei de Protecção de Dados Pessoais.
No domínio da segurança e da gestão da informação, o estudo indica que 72% das organizações já consideram formalmente o controlo sobre modelos, dados e propriedade intelectual nas decisões de negócio, enquanto 21% dispõem de uma estratégia transversal, revista regularmente.
A cibersegurança também surge entre as preocupações das empresas, com 86% das organizações a adaptarem os seus modelos de segurança às ameaças potenciadas pela inteligência artificial. Entre as empresas que já obtêm retorno consolidado, 71% colocam a cibersegurança e a protecção de dados entre as prioridades de investimento, contra 36% das que ainda estão na fase de experimentação.
Neste contexto, a KPMG Angola destaca a importância da soberania digital, relacionada com o conhecimento sobre a localização dos dados das organizações, quem tem acesso a eles e a jurisdição a que estão sujeitos.
A consultora aponta três aspectos que os conselhos de administração devem verificar antes de ampliar os projectos de inteligência artificial: o número de fornecedores críticos envolvidos em cada processo e a existência de alternativas em caso de falha; a localização dos dados e o cumprimento da Lei n.º 22/11, de Protecção de Dados Pessoais; e os indicadores utilizados para medir o retorno de cada projecto face aos respectivos custos.
O estudo revela ainda que 53% das organizações atribuem à gestão de topo, incluindo presidentes executivos e comissões executivas, a responsabilidade pelas decisões apoiadas por inteligência artificial.
A utilização significativa de agentes de IA pelos colaboradores aumentou de 25% para 34% desde o primeiro trimestre deste ano, enquanto 38% das empresas estão a desenvolver sistemas em que vários agentes de inteligência artificial trabalham em conjunto.
Apesar de os ganhos de produtividade continuarem a ser o principal objectivo da adopção da tecnologia, o seu peso desceu de 42% para 37%. Em contrapartida, ganharam relevância a colaboração entre pessoas e inteligência artificial, com 32%, a IA responsável, com 30%, e a confiança e segurança, igualmente com 30%.
O estudo Global AI Pulse Q3 2026 foi realizado entre 23 de Julho e 26 de Agosto deste ano. A KPMG ressalva que os resultados apresentados são de âmbito global e regional, não correspondendo a uma amostra específica de empresas angolanas.







