A biblioteca comunitária ‘‘Ondjango Literário”, situada em Benguela, corre o risco de paralisar as actividades ainda este ano, por não ter um espaço físico fixo. A situação, que se arrasta há cerca de dois anos, agravou-se após a ordem de despejo emitida pelo “Atelier de Artes e Ofícios”, que a acolhe desde 2025. Desta forma, o atelier obriga a biblioteca a procurar por alternativas para garantir a continuidade do projecto, bem como salvaguardar o acervo bibliográfico
Indignado com o incidente, o director da biblioteca, Jorge Pimentel, declarou ao jornal OPAÍS que a ausência de instalações próprias tem condicionado o funcionamento regular do acervo, comprometendo o acesso gratuito aos livros, a realização de iniciativas literárias, tertúlias e outras actividades culturais destinadas ao público de diferentes faixas etárias.
“O que o Ondjango Literário precisa é de um espaço. Podemos tê lo em vários regimes, seja por cedência ou propriedade, mas é essencial que exista um lugar onde desenvolvamos as nossas actividades. Sem espaço e sem uma infra-estrutura, o projecto corre o risco de deixar de existir e fechar ainda este ano”, disse, entristecido.
O responsável sublinhou, ainda, que a continuidade do projecto está ameaçada, pois os membros não dispõem de condições financeiras e logísticas para manter uma biblioteca itinerante, nem de um espaço onde possam reunir os materiais e receber regularmente os leitores. Ao longo da conversa, o também escritor explicou que a falta de instalações fixas tem limitado a participação de leitores de outros municípios nas actividades culturais promovidas pela organização.
“Otchoto – Oficina Cultural”, “Conhecendo um Autor”, “Espaço Kandengue” e “Mulheres de Letras” são, segundo o responsável, algumas das iniciativas que marcaram o percurso da biblioteca quando funcionava ao ar livre, na Rua Sacadura Cabral, num jardim adjacente ao Museu Nacional de Arqueologia, em frente ao Gabinete de Apoio aos Deputados.
“A mudança de localização teve reflexos directos na participação dos leitores. Durante o período em que a biblioteca funcionava ao ar livre, recebia, em média, entre 30 e 40 pessoas por dia. Com a transferência para o ateliê, situ ado no Xyami Shopping, a adesão diminuiu, passando a registar entre 10 e 15 visitantes diariamente”, destacou.
Por: Musseque Segunda








