Prado Paím é uma figura célebre na história da música angolana, tendo alcançado o primeiro Disco de Ouro do país em 1974, ainda sob administração colonial. Apesar da sua relevância histórica, o músico expressa, hoje, um profundo sentimento de isolamento, pois, embora outros artistas sejam homenageados, o artista nota que a sua contribuição pioneira é frequentemente esquecida pelas instituições
O histórico de Pra do Paím é inseparável da história de Angola. O artista permanece como um símbolo de resiliência, entre a glória do Disco de Ouro e as cicatrizes da prisão política. Prado Paím invoca por um reconhecimento, não apenas para si, mas por toda uma geração de artistas que “deram o cabedal” pelo país e hoje enfrentam o esquecimento.
Para constatar a realidade actual do cantor, deslocamo-nos, numa tarde de Sábado, até à sua residência, localizada no histórico município do Sambizanga, em Luanda, onde vive há mais de 50 anos. Encontrámo-lo sentado, junto à porta da sua residência, a apre ciar a rua para distrair a mente do estresse do quotidiano e de alguns pensamentos melancólicos.
O músico disponibilizou-se a falar sobre o seu quotidiano, sem qual quer remorso ou impedimento. Iniciou com a negligência das instituições estatais, perante os ícones culturais, a precariedade dos Direitos de Autor e o papel histórico da música na Luta pela Identidade Nacional.
A situação actual do artista reflecte um paradoxo doloroso, mesmo a representar a memória viva da cultura e da resistência angolana: Um homem que transformou o sucesso comercial em património familiar e activismo político em liberdade nacional, hoje luta contra o esquecimento institucional e a degradação de sua moradia.
Falta-lhe tudo e, para complicar ainda a situação, a partida prematura da sua companheira de longa data, para a outra “dimensão da vida” deixou um vazio absoluto, marcado pelo silêncio em toda a residência.
O veterano cantor, que dedicou maior parte da sua vida às causas do país, por via da música e do activismo político, destacou a música como uma excelente terapia e um exercício mental indispensável para quem a faz, assim como para quem consome.
Descontente, o artista ressaltou a escassez enorme de convites para concertos e a falta de apoio financeiro para lançar um novo álbum já gravado com a Ban da Maravilha, como um dos principais obstáculos.
Prado Paím tem a música na alma e como companhia, por este motivo admite não se sentir bem, ficar anos sem compor ou tocar. “Não me sinto bem sem a música. Sou um artista, compositor e tenho que compor regularmente”, desabafou.
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