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OPAÍS

É de hoje…As consequências da tragédia do Cuanza-Sul

por Dani Costa
20 de Agosto, 2026
Em Crónicas de Dani Costa, Opinião
Dani Costa

Dani Costa

O acidente de viação na Estrada Nacional 100, que vitimou mais de 20 pessoas, duas das quais foram na última semana enterradas no Cuanza-Sul, reacendeu um debate em torno do comércio de combustível, assim como do propagado mototaxi que hoje invade todas as cidades e localidades da periferia. Através dos órgãos de comunicação social, ficou-se a saber que, no Cuanza-Sul, província onde ocorreu o fatídico acidente, os cidadãos poderão abastecer somente 40 litros de combustível diariamente, ao passo que os empreendedores um pouco mais. Se a memória não atraiçoa, terão mais 40 litros, perfazendo um total de 80 litros, seguindo as directrizes, prováveis, da entidade que vela pelo sector na província. Avizinha-se um novo debate em torno do tema nos próximos tempos.

À semelhança do que se observa em outros domínios, esperando-se que tais medidas tenham tido como base um estudo aprofundado e que, com base nele, se poderá minimizar a comercialização destes derivados, sem desprimor ao facto de ainda existirem milhares de residências ao longo da província sem energia eléctrica. Mais uma das situações que devem merecer uma maior atenção – sobretudo das autoridades governamentais e policiais – é a habilitação dos mototaxistas. Afinal, quais são os requisitos para que um certo indivíduo possa conduzir uma motorizada, efectuar serviços de transportação de pessoas de um lado ao outro? Escudados na falta de emprego, o que é realidade de muitos, hoje são milhares de jovens em todo o território angolano que buscam numa motorizada a suposta salvação para atender às suas necessidades básicas.

E a grande maioria nunca passou por uma escola de condução, não tem uma carta, nem uma autorização que lhes permita exercer tais actividades. Em contraposição, apesar destas limitações, a classe dos mototaxistas vai-se tornando numa espécie de intocáveis. É vê-los, embora não todos, a circular pelas cidades ou periferias em motorizadas quase esqueléticas, com muitos dos seus componentes removidos pelos proprietários. No período nocturno, em que há necessidade de uma maior iluminação, tendo em conta até o facto de, em muitos bairros, inexistirem ruas iluminadas, a maioria dos mototaxistas circula às escuras, correndo eles e os próprios passageiros perigos que podem culminar com o desfecho do Cuanza-Sul e arredores.

As necessidades várias pelas quais os angolanos passam não podem servir de mote para se causar mais sofrimentos aos demais. Nem tão pouco permitir que os mototaxistas vivam num território supostamente sem leis, cabendo a eles orientações contrárias às que constam do Código de Estrada ainda em vigor. Não exigindo dos mototaxistas alterações na forma como actuam, acabando, às vezes, por terem a solidariedade política e social de algumas organizações que deveriam ajudar a sensibilizá-los sobre os perigos e a necessidade de formação, acabaremos sempre no ponto de partida. Ou seja, de acidente em acidentes, porque a Amotrang parece ter atirado a toalha ao tapete.

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