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É de hoje…. Reminiscências de um tempo triste

Dani Costapor Dani Costa
23 de Julho, 2026
Em Opinião

Há notícias que mexem connosco. Pode até parecer normal, mas a forma como são transmitidas acabam por conduzir a nossa imaginação para caminhos em que parecem haver já respostas, mas nem com isso nos sentimos confortados. Li, há dias, que o investimento angolano em Portugal já supera, neste momento, os investimentos que os próprios portugueses efectuam no nosso país.

Nada errado para quem procura lucros, uma economia segura ou até mesmo investimentos que se podem traduzir num retorno mais rápido, sobretudo em divisas a curto ou médio prazo.

De acordo com informações postas a circular nos últimos dias, tanto pela imprensa angolana como a portuguesa,“o‘stock’ de investimento directo de Angola em Portugal ascendia, no final de 2025, a 4.525,7 milhões de euros, um aumento de 50,9% em relação ao ano anterior e de 152% face a 2021”, conforme as estatísticas compiladas pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP). Realçam ainda os meios de comunicação social lusos que, no sentido inverso, “o investimento português em Angola fixou-se em 2.410,4 milhões de euros, menos 9,7% do que em 2024 e abaixo do valor registado em 2021”.

E acrescenta: “o saldo, que era positivo para Portugal em 725 milhões de euros em 2021, passou a ser negativo em 2.115,3 milhões de euros em 2025, quando, no ano anterior, se situava nos 331,2 milhões negativos”. A realidade é que Angola subiu do 14.º para o 9.º lugar entre os 62 países considerados pelo Banco de Portugal como investidores em Portugal, enquanto Portugal caiu do terceiro para o sétimo lugar entre os destinos do investimento directo português no exterior.

Numa altura em que Angola clama por investimentos, apelando inclusive para os investidores externos, urge compreender as razões por trás desta subida vertiginosa quando se conhece as inúmeras oportunidades existentes no país de origem do capital que agora vai sendo aplicado. É provável que muitos se escudem nas hipotéticas condições que o mercado luso oferece.

Mas, igualmente, muitas das vezes, torna-se difícil asseverar se muitos destes investidores não estejam num processo semelhante de expatriação de capital, à semelhança do que vimos há poucos anos, com reminiscências dolorosas para muitos daqueles que, na época, o fizeram. Durante o boom petrolífero, na chamada época dos petrodólares, dezenas ou até mesmo centenas de cidadãos angolanos, muitos dos quais se endinheiraram, prejudicando o Estado angolano, optaram por transferir parte significativa do que amealharam para o território luso.

Ao transferirem os investimentos para a Europa, muitos destes acabam de forma indirecta por proporcionar mais postos de trabalho nos países do velho continente do que propriamente nas suas supostas terras de origem, onde milhares de jovens hoje se afunilam para conseguir uma vaga no funcionalismo público.

Seguramente, à semelhança do passado, muitos não conseguirão retirar o capital, se um dia precisarem. Ouvirão dos novos actores portugueses o mesmo que António Costa disse há poucos anos: era quase impossível retirá-lo do circuito económico financeiro.

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